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| VIOLÊNCIA E ETARISMO: PERCEPÇÃO DE IDOSAS PARTICIPANTES DE UM SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULO NO NOROESTE DO PARANÁ | |
| 1TAINA DE GOIS LEDESMA, 2GIOVANA MENDONÇA DOS SANTOS, 3THAYNARA ERENO FERNANDES, 4CAROLINA GREGORIO DE LIMA, 5HENRIQUE FERNANDO DOMINHASQUIS RODRIGUES, 6GILBERTO ALVES | |
| 1Acadêmica do PIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Fisioterapia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Psicólogo 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O Brasil atravessa um processo acelerado de envelhecimento populacional. Segundo dados recentes, a população com 60 anos ou mais já representa 15,6% do total, o que corresponde a um aumento de 56% em relação ao último censo demográfico (Brasil, 2023). Nesse cenário, torna-se urgente refletir sobre as múltiplas formas de violência que incidem sobre essa faixa etária. Conforme destaca Leindecker (2020), a violência contra idosos pode assumir dimensões físicas, psicológicas, financeiras ou de negligência, manifestando-se, em grande parte, nos espaços familiares e comunitários. Além disso, o etarismo, compreendido como o preconceito baseado na idade, reforça estigmas que associam o envelhecimento à incapacidade e à improdutividade (Loth; Silveira, 2014). Tais práticas discriminatórias e violentas impactam diretamente a autoestima, a autonomia e a saúde mental dos idosos, sobretudo quando articuladas a outros marcadores sociais, como gênero e classe (Grubba, 2024). Diante desse quadro, torna-se fundamental dar visibilidade à percepção dos próprios idosos, uma vez que o reconhecimento das violências vividas constitui passo essencial para o seu enfrentamento. Objetivo: Avaliar a percepção de violência e preconceito sofrido por idosas frequentadoras de um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Idosos (SCFVI). Material e Métodos: O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Paranaense (CAAE: 77591024.8.0000.0109) A pesquisa foi desenvolvida em um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Idosos (SCFVI), localizado em um município do noroeste do Paraná. Participaram 31 idosas, entrevistadas individualmente por meio de questões estruturadas acerca de experiências de preconceito etário e violência. Resultados: Os resultados indicaram que 25% das participantes relataram ter sofrido preconceito em função da idade, enquanto 22% afirmaram ter vivenciado situações de violência. As demais não relataram tais experiências ou não souberam responder. As situações mais mencionadas envolveram desvalorização da opinião em ambiente familiar, exclusão em atividades sociais e desrespeito verbal. Também foram relatados episódios de negligência em cuidados básicos e dificuldades no acesso a recursos financeiros. Discussão: Os dados levantados dialogam com a literatura que identifica a prevalência de violência no âmbito doméstico e a vulnerabilidade ampliada de idosos com menor escolaridade e rede de apoio reduzida (Santos et al., 2020). A associação entre envelhecimento e incapacidade, relatada pelos participantes, confirma a análise de Blauth e Silveira (2014) sobre os estigmas que sustentam o etarismo. Nesse cenário, o SCFV demonstrou relevância como espaço protetivo, de convivência e de fortalecimento de vínculos, corroborando Pontes (2020), que reconhece esses serviços como estratégias fundamentais para a prevenção da exclusão social e o enfrentamento da violência. Observa-se, ainda, que parte das idosas não reconhece ou não nomeia determinadas situações como preconceito ou violência, o que revela barreiras importantes para a efetivação de políticas de informação, conscientização e acesso a direitos. Conclusão: O estudo evidencia a presença persistente do etarismo e da violência contra idosos, com impactos notáveis na qualidade de vida. Embora nem todos os participantes tenham relatado tais experiências, os dados confirmam que essas práticas afetam autoestima, autonomia e saúde mental, demandando estratégias educativas intergeracionais e o fortalecimento das políticas públicas de proteção. O SCFV demonstrou relevância como espaço de convivência e também como dispositivo de prevenção e enfrentamento das múltiplas formas de violência e preconceito que atingem a população idosa. |
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| Referências: GRUBBA, R. M. Etarismo no Brasil: uma revisão de escopo. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 1–12, 2024. LEINDECKER, R. et al. Violência contra idosos: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, São Paulo, v. 73, n. 6, p. e20200045, 2020. LOTH, Guilherme Blauth; SILVEIRA, Nereida. Etarismo nas organizações: um estudo dos estereótipos em trabalhadores envelhecentes. Revista de Ciências da Administração, São Paulo, v. 16, n. 39, p. 65–82, 2014. PONTES, A. C. Espaços de convivência e envelhecimento ativo: análise de práticas no SCFV. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 141, p. 1–18, 2020. SANTOS, M. A. et al. Fatores associados à violência contra o idoso: revisão sistemática. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 6, p. 2153–2175, 2020. |
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