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| PERSISTÊNCIA DE FORAME OVAL: RELATO DE CASO EM CÃO | |
| 1BARBARA DE OLIVEIRA PILAR, 2CARLA WEIBLEN, 3LUÍSA MENDES DIAS, 4MARIANE GARCIA VIELMO, 5RENATA DORNELES BITENCOURT, 6MONIQUE TOGNI MARTINS | |
| 1Acadêmica na Universidade Regional Integrada campus Santiago 2Universidade Regional Integrada campus Santiago 3Acadêmica na Universidade Regional Integrada campus Santiago 4Acadêmica na Universidade Regional Integrada campus Santiago 5Acadêmica na Universidade Regional Integrada campus Santiago 6Docente na Universidade Regional Integrada campus Santiago |
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| Introdução: Durante a vida fetal, toda a oxigenação de sangue ocorre na placenta, já que os pulmões ainda não são estruturas funcionais, logo, as câmaras cardíacas estão interligadas, o forame oval é o canal entre os átrios que permite a passagem de sangue do átrio direito, direto para o esquerdo, através da diferença de pressão, evitando a passagem pelo pulmão. Logo após o nascimento, quando o pulmão inicia seu funcionamento, ocorre o fechamento desta passagem devido à inversão das pressões, quando o fechamento não acontece, ocorre a chamada persistência do forame oval. Pequenos defeitos geralmente não causam alterações clínicas relevantes, porém, defeitos maiores levam ao desvio de sangue do átrio esquerdo para o direito, provocando sobrecarga de volume no ventrículo direito, tendo como consequência, hipertrofia excêntrica, hiperemia pulmonar e, posteriormente, sobrecarga também no lado esquerdo do coração, resultando em hipertrofia excêntrica ventricular esquerda (Santos & Alessi, 2016). Apesar de poder ocorrer em todas as espécies de animais domésticos, certas raças de cães, como Boxer, Doberman Pinscher e Samoieda, apresentam maior predisposição a esse tipo de defeito (Zachary, 2018). Relato de caso: Este é um relato de necropsia, de um cão da raça Bulldog Francês, que não possuía histórico clínico, idade e peso disponíveis, durante avaliação pode-se perceber que se tratava de um animal adulto, o mesmo apresentava alterações macroscópicas significativas em diversos órgãos. Na abertura da cavidade torácica, os pulmões apresentavam avermelhamento difuso, com petéquias multifocais, enquanto o baço mostrava esplenomegalia com deslocamento dorsal. O pâncreas encontrava-se congesto, o fígado estava aumentado, e ambos os rins apresentavam congestão, sendo que o esquerdo constava um aumento de tamanho. O canal traqueal também apresentava conteúdo serossanguinolento. O coração apresentava aumentado acentuado, congestão, com presença de áreas hemorrágicas e coágulos em ambas as câmaras ventriculares. Foi evidenciada comunicação entre o átrio esquerdo e o átrio direito de 7mm, caracterizando defeito do septo atrial ou persistência do forame oval, configurando uma anomalia do desenvolvimento congênita. Ao redor dessa comunicação, observavam-se áreas hemorrágicas, sendo que o ventrículo esquerdo apresentava hipertrofia. As alterações observadas sugerem consequências sistêmicas de uma anomalia cardíaca congênita, apresentando congestão e hemorragia em diversos órgãos, reforçando a importância da necropsia na avaliação de condições clínicas silenciosas e na compreensão das consequências fisiopatológicas de defeitos estruturais cardíacos nos animais. Discussão: O presente caso descreve alterações macroscópicas compatíveis com consequências sistêmicas de um defeito cardíaco congênito, neste caso a persistência do forame oval ou defeito do septo atrial. A comunicação entre átrio esquerdo e direito observada na necropsia coincide com o mecanismo fisiopatológico descrito por Santos & Alessi (2016), em que a não inversão da pressão atrial após o nascimento mantém o fluxo sanguíneo anormal entre os átrios. Em vida fetal, o forame oval permite a passagem de sangue do átrio direito para o esquerdo, promovendo circulação eficiente do sangue oxigenado, entretanto, a falha no fechamento após o nascimento, traz consequências conforme o tamanho do orifício, onde defeitos pequenos raramente tem importância clínica, já, defeitos maiores podem gerar, hipertrofia ventricular e hipertensão pulmonar seguida de cianose(Ocarino et al., 2017), além de congestão sistêmica e sobrecarga hemodinâmica, por conta da insuficiência cardíaca, fenômenos evidenciados neste cão pelo aumento do ventrículo esquerdo e congestão generalizada de rins, fígado, coração e pulmões (Zachary, 2018). As alterações hemorrágicas observadas, como petéquias e sufusões nos pulmões, hemorragias cardíacas e pancreáticas, além da presença de coágulos intraventriculares, reforçam a associação entre o defeito atrial e insuficiência cardíaca, sugerindo que a sobrecarga de volume e a hipertensão atrial e ventricular, podem provocar rupturas de capilares e congestão em diversos órgãos (ZACHARY, 2018). A esplenomegalia e o deslocamento dorsal do baço também podem se dar pela congestão venosa sistêmica e alterações hemodinâmicas prolongadas. Conforme a fisiologia animal, pode-se relacionar anomalias do septo atrial a manifestações sistêmicas silenciosas, mas clinicamente significativas a depender do tamanho de defeito (Guglielmini et al., 2002). Conclusão: Este relato evidencia que a persistência do forame oval, muitas vezes considerada uma alteração sem grande relevância clínica, pode assumir impacto significativo a longo prazo, cursando silenciosamente, podendo se tornar fatal. As alterações observadas na necropsia como congestão e hemorragias, mostram as consequências sistêmicas de uma comunicação interatrial não diagnosticada em vida. Assim, esse achado mostra a importância da atenção a cardiopatias congênitas em cães e da técnica de necropsia para compreender os efeitos fisiopatológicos de doenças silenciosas, mas potencialmente graves. |
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| Referências: BRAZ, L. A. Defeito do septo interatrial extenso do tipo ostium secundum em paciente canino idoso. PUBVET, v. 17, n. 1, p. 1–4, jan. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.31533/pubvet.v17n01a1327. Acesso em: 03 de setembro de 2025. GUGLIELMINI, Carlo et al. Atrial septal defect in five dogs. Journal of small animal practice, v. 43, n. 7, p. 317-322, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1748-5827.2002.tb00081.x. Acesso em: 03 de setembro de 2025. OCARINO, Natália de Melo et al. Sistema cardiovascular. In: SANTOS, Renato de Lima; ALESSI, Antonio Carlos (org.). Patologia veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2017. cap. 2, p. 56. SANTOS, Renato de L.; ALESSI, Antonio C. Patologia Veterinária. 3.ed. Rio de Janeiro: Roca, 2023. E-book. pág.62. ISBN 9788527738989. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738989/. Acesso em: 02 de setembro de 2025. STEINBOCK, Daysa; FERNANDES, Alex Luciano; SETIM, Fabiola Eloisa. Defeito do septo atrial em canino: relato de caso. PUBVET, v. 17, n. 5, p. 1-9, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.31533/pubvet.v17n5e1383. Acesso em: 02 de setembro de 2025. ZACHARY, James F. Bases da Patologia em Veterinária. 6. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2018. E-book. ISBN 9788595150621. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595150621/. Acesso em: 02 de setembro de 2025. |
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