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| ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA PARA ACELERAÇÃO DA CICATRIZAÇÃO ÓSSEA EM CACHORRO-DO-MATO (Cerdocyon thous) APÓS PROCEDIMENTO CIRÚRGICO | |
| 1BIANCA REDMANN RESENDE, 2NAUANE MENDES GHELERE, 3LUAN GUSTAVO BUTZEN, 4RAPHAELA CLAUDINO RODRIGUES LIMA, 5LARISSA SANTANA PRUDÊNCIO, 6JULIANE PATRÍCIA SIPP | |
| 1Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UNIVEL, Cascavel, PR, Brasil 2Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UDC, Medianeira, PR, Brasil 3Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UDC, Medianeira, PR, Brasil 4Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UNIVEL, Cascavel, PR, Brasil 5Médica Veterinária aprimorada em Clínica de Animais Silvestres, Centro Universitário Univel 6Docente, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá – UEM, Umuarama, PR, Brasil |
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| Introdução: Dentre as principais ocorrências registradas em animais silvestres encontramos lesões ortopédicas, sejam elas fraturas ou luxações, muitas vezes provenientes da relação antrópica destes animais (Silva et al., 2017). A espécie Cerdocyon thous, popularmente conhecida como Cachorro-do-mato é uma espécie que apresenta ampla distribuição em países da América do Sul. Mesmo que atualmente, não apresente risco de extinção, corre riscos de impactos acarretados por atropelamentos nas rodovias do país (Rossi Junior et al., 2013). Possuir o conhecimento relacionado às diferentes fraturas encontradas nestas espécies pode colaborar para uma ação mais ágil e consequentemente eficaz no tratamento de animais vítimas de acidentes. Com o aprimoramento dos conhecimentos a reintrodução de espécies selvagens como o Cerdocyon thous torna-se mais rápida e efetiva (Pastor et al., 2021). Relato de caso: Foi atendido em um Centro de Apoio à Fauna no oeste do Paraná um Cerdocyon thous, macho, jovem, resgatado após provável atropelamento. O exame radiográfico inicial evidenciou fratura de olécrano direito. O animal foi submetido a osteossíntese em 12/03, com estabilização do fragmento fraturado. O tratamento pós-operatório incluiu analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios e restrição de espaço na baia de internamento para controle da movimentação. Como adjuvante, foi instituída suplementação oral com fórmula manipulada para cicatrização óssea, composta por: osteopet – 25 mg, cálcio quelado – 50 mg, vitamina k2 – 15 mcg, vitamina d3 – 500 ui e magnésio quelado – 25 mg. A administração foi realizada uma vez ao dia, incorporada à dieta, respeitando o peso do animal (1 biscoito a cada 5 kg de peso corporal). O paciente aceitou bem a suplementação, ingerindo-a naturalmente junto à alimentação onívora fornecida. O acompanhamento radiográfico demonstrou evolução acelerada da consolidação óssea, com formação de calo em 03/04 e cicatrização completa em 09/04, menos de um mês após o procedimento. O implante pôde ser removido, e o animal permaneceu cerca de 20 dias em reabilitação, apresentando recuperação funcional satisfatória. Posteriormente, foi considerado apto e liberado à natureza. Discussão: Segundo Ricardo e Silva (2022) o estresse prolongado exerce impacto direto sobre o sistema imunológico, o que acaba influenciando tanto o funcionamento quanto a disponibilidade de suas células e componentes. Além disso, pode modificar a produção e liberação de moléculas envolvidas na defesa do organismo. Esses efeitos, mediados pelas respostas fisiológicas ao estresse, resultam em alterações mensuráveis em diversos parâmetros imunológicos, o que evidencia sua associação com maior vulnerabilidade a diferentes doenças. Estudos recentes destacam a importância da utilização de protocolos de reabilitação baseados em evidências, específicos à espécie e ao contexto ambiental, considerando fatores intrínsecos como peso corporal e idade, além da gravidade da lesão e das condições do local de soltura, os quais influenciam diretamente as chances de sucesso. No caso de um carnívoro silvestre como o cachorro-do-mato, estratégias terapêuticas direcionadas à aceleração da cicatrização óssea, adaptadas à espécie e ao cenário clínico, são fundamentais para reduzir a morbidade e melhorar as perspectivas de reintrodução. Dessa forma, a adoção de protocolos individualizados, de acordo com o que foi recomendado pela revisão sistemática de Cope et al. (2022) pode assegurar maior eficácia durante a reabilitação e após a soltura. Conclusão: A partir do relato apresentado, conclui-se que a aplicação de protocolos de estabilização óssea específicos e individualizados, combinados com acompanhamento pós-operatório adequado, foi fundamental para a recuperação funcional do animal resgatado. O uso de suplementação direcionada à cicatrização, aliado a estratégias de manejo que reduziram o estresse do animal, permitiu uma consolidação óssea rápida e eficiente, minimizando o tempo de permanência em cativeiro. Ainda assim, destaca-se a importância da realização de novos estudos que aprofundem a avaliação da formulação utilizada, a fim de comprovar sua eficácia em diferentes contextos clínicos e oferecer maior conhecimento científico sobre sua aplicação. |
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| Referências: COPE, H. R.; McARTHUR, C.; DICKMAN, C. R.; NEWSOME, T. M.; GRAY, R.; HERBERT, C. A. A systematic review of factors affecting wildlife survival during rehabilitation and release. PLoS ONE, v. 17, n. 3, e0265514, 17 mar. 2022. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0265514. Acesso em: 09 de set. 2025. JÚNIOR, J. L. R.; CASTRO, A. P. A. D.; MARCHESI, M. D. Avaliação das alterações odontológicas em sincrânios de Cerdocyon thous oriundos de atropelamentos na rodovia ES-060, Espírito Santo. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 33, n. 6, p. 785–790, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pvb/a/dNLywRDNPNPcF3QJm8yxq7S/abstract/?lang=en. Acesso em: 09 de set. 2025. PASTOR, F. M.; RESENDE, G. O.; MARIN, J. F. V.; NUNES, L. C.; FRANCO, G. G.; BOELONI, J. N.; SILVA, M. A. da. Long bone fractures in Cerdocyon thous: macroscopic and microstructural evaluation. Ciência Animal Brasileira, v. 22, e-67749, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cab/a/GQYJpZp4KcNxxL3N5gBtCCN/. Acesso em: 09 de set. 2025. RICARDO, K. F.; SILVA, M. K. F. D. O estresse crônico na redução da resposta imunológica. 2022. 47 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biomedicina) – Centro Universitário São Camilo, São Paulo, 2022. SILVA, B. Z. D.; SANTOS, E. A. R. D.; COSTA, P. M. D.; GOULART, M. A. D.; SCHMITT, B.; ALIEVI, M. M. Osteossínteses de ílio e fêmur em cachorro-do-mato (Cerdocyon thous). Acta Scientiae Veterinariae, v. 45, supl. 1, p. 219, 2017. |
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