MUCOSITE ORAL EM PACIENTES ONCOLÓGICOS E SEUS IMPACTOS NA QUALIDADE DE VIDA UMA REVISÃO DE LITERATURA  
1GABRIELA KAROLINA CEROZINO, 2GABRIELLY GARCIA GOMES, 3AMANDA TOLOTTO VALOTO, 4CECILIA DA SILVA RAFAEL, 5FABIOLA ADRIANA GARCIA MELLO DYNA, 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO, 7DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Academico PIC/UNIPAR
2Acadêmica de Farmácia
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
7Docente da UNIPAR
Introdução: A mucosite oral é uma complicação frequente em pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia, caracterizando-se por inflamação e ulceração da mucosa oral. Essa condição pode provocar dor intensa, dificuldade na alimentação e impacto significativo na qualidade de vida. Sua incidência varia conforme o tipo de tratamento e o perfil do paciente, afetando aproximadamente 40% dos indivíduos em quimioterapia e até 70% daqueles tratados com radioterapia em cabeça e pescoço (Carvalho et al., 2022). Além dos impactos físicos, a mucosite oral repercute negativamente no estado emocional e psicológico, podendo comprometer a adesão ao tratamento antineoplásico. Dessa forma, estratégias preventivas e terapêuticas eficazes são essenciais para reduzir a severidade do quadro e melhorar o bem-estar e a sobrevida dos pacientes oncológicos (Nogueira et al., 2020).
Objetivo: Analisar, com base na literatura, a complexidade da mucosite oral em pacientes oncológicos, considerando suas manifestações clínicas, impactos funcionais e efeitos na qualidade de vida, ressaltando a importância de abordagens integradas nos aspectos físicos, emocionais e sociais. 
Desenvolvimento: A mucosite oral (MO) em pacientes submetidos à tratamentos oncológicos é amplamente reconhecida como uma complicação frequente e debilitante. Estudos mostram avanços significativos na compreensão de sua fisiopatologia e impacto na qualidade de vida (QV). Oliveira (2019) descreve a MO como uma condição comum nesse contexto, destacando sua etiologia multifatorial e relevância clínica. Em revisão sistemática, Nogueira et al. (2020) analisaram estratégias de prevenção, ressaltando a eficácia de soluções tópicas, como a clorexidina, na redução da ocorrência e severidade da doença. A atuação integrada de diferentes profissionais de saúde é essencial, não apenas para controlar as manifestações físicas, mas também para oferecer suporte emocional e psicossocial, favorecendo a melhora global da QV durante o tratamento oncológico (Silva et al., 2018). Os efeitos adversos da MO podem ser graves, comprometendo funções como a mastigação, deglutição, fala e percepção do paladar, devido à inflamação e ulceração da mucosa oral e faríngea (Curra et al., 2018; Guimarães Jr. et al., 2021). Clinicamente, caracteriza-se por eritema, dor e lesões ulcerativas que variam de leve a intensa, prolongando a internação hospitalar e elevando o risco de infecções oportunistas (Gushi et al., 2020; Albuquerque et al., 2007). O tempo de recuperação total costuma variar entre quatro e oito semanas. A classificação da MO pode ser feita de acordo com a intensidade da dor e das lesões, sendo definida como leve, moderada ou grave, ou, segundo a escala da Organização Mundial da Saúde, graduada de 0 a 4 (Lima et al., 2022). Para avaliar a relação entre QV e saúde bucal, diversos estudos utilizam indicadores sócio dentais, como o Oral Impacts on Daily Performances (OIDP), baseado no modelo conceitual da OMS e adaptado para a odontologia. Este instrumento avalia a frequência e a gravidade dos impactos na rotina dos indivíduos (Neves et al., 2021; Trotti et al., 2003). Nesse contexto, pesquisas têm buscado mensurar como a MO afeta crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico, com o objetivo de direcionar medidas terapêuticas e preventivas mais eficazes.
Conclusão: A mucosite oral é uma complicação frequente no tratamento oncológico, com impacto funcional significativo e prejuízo à qualidade de vida. Caracteriza-se por inflamação, dor e ulcerações que afetam funções essenciais e podem prolongar a internação, aumentando o risco de infecções. Seu manejo exige abordagem multidisciplinar e individualizada, combinando terapias farmacológicas, cuidados odontológicos e apoio psicossocial. Ferramentas como o OIDP permitem avaliar de forma ampla seus efeitos, auxiliando na definição de estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes.
Referências:
ALBUQUERQUE, R.A. et al. Protocolo de atendimento odontológico a pacientes oncológicos pediátricos – revisão de literatura. Revista Odontológica da UNESP, v. 36, n. 3, p. 275-280, 2007. Disponível em: https://www.unesp.br/revistas/odontologia. Acesso em: 15 ago. 2025.
CARVALHO, A.C.R. et al. Efeito do laser de baixa potência na prevenção da mucosite oral em pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à radioterapia: uma revisão sistemática e meta-análise. Journal of Applied Oral Science, v. 30, n. 1, e20210015, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/journal/jaos. Acesso em: 15 ago. 2025.
CURRA, M. et al. Protocolos quimioterápicos e incidência de mucosite bucal. Revisão integrativa. Einstein (São Paulo), v. 16, n. 1, p. 1-9, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/journal/einstein. Acesso em: 15 ago. 2025.
GUIMARÃES, J.R., et al. The incidence of severe oral mucositis and its occurrence sites in pediatric oncologic patients. Medicina Oral, Patología Oral y Cirugía Bucal, v. 26, n. 3, e299, 2021. Disponível em: https://www.medicinaoral.com. Acesso em: 15 ago. 2025.
GUSHI, L. L. et al. Fatores associados ao impacto das condições de saúde bucal nas atividades de vida diária de adolescentes, Estado de São Paulo, 2015. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 23, p. 1-9, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/journal/rbepid. Acesso em: 15 ago. 2025.
PAULO, A. C., et al. Qualidade de Vida e Saúde Bucal em Crianças submetidas à Terapia Antineoplásica. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 68, n. 2, 2022.
NEVES, L. J. et al. Avaliação do efeito do laser preventivo na mucosite oral quimioinduzida em pacientes submetidos a altas doses de Metotrexato. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 67, n. 1, 2021.
NOGUEIRA, G. O. et al. Impacto da mucosite oral na qualidade de vida de pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à radioterapia. Oncologia, v. 40, n. 2, p. 153-160, 2020. Disponível em: https://www.oncologia.com.br. Acesso em: 15 ago. 2025.