AVALIAÇÃO DO EFEITO DO EXTRATO DE HIBISCO (Hibiscus Sabdariffa) NA TAXA DE MORTALIDADE E COMPORTAMENTO LOCOMOTOR DE Drosophila Melanogaster  
1MARIANA LAMBOIA GIARETTON, 2HEVELLY NATIELLY BENTO QUIENDERE, 3STIFANI ARAÚJO BORSTMANN
1Acadêmico do curso de Nutrição do Centro Universitário Univel
2Acadêmico do curso de Nutrição do Centro Universitário Univel
3Docente da UNIPAR
Introdução: O hibisco (Hibiscus sabdariffa) é amplamente reconhecido por seus potenciais benefícios à saúde, destacando-se por suas propriedades antioxidantes, a planta é rica em fitoquímicos, incluindo antocianinas, flavonoides, ácidos orgânicos (principalmente ácido cítrico e ácido málico) e glicosídeos, sendo tradicionalmente utilizada na forma de chá ou extrato (Carvajal-Zarrabal et al., 2012). No entanto, apesar de suas vantagens, o consumo excessivo pode causar efeitos adversos. Considerando o crescente uso do hibisco e a necessidade de compreender melhor seus possíveis riscos, torna-se relevante avaliar seus efeitos em modelos animais de estudo de toxicidade, como Drosophila melanogaster. Esse organismo é amplamente utilizado em pesquisas por apresentar rápido ciclo reprodutivo, baixo custo de manutenção e elevada homologia genética e fisiológica com o ser humano, o que o torna um modelo adequado para investigar os efeitos de compostos bioativos e potenciais mecanismos de toxicidade (Jennings, 2011).
Objetivo: Este trabalho visa realizar a avaliação do efeito do extrato de hibisco (Hibiscus sabdariffa) na taxa de mortalidade e comportamento locomotor de Drosophila melanogaster.
Material e Métodos: As moscas adultas foram alimentadas com extrato de hibisco em diferentes concentrações (1, 5 e 10 mg/mL) por sete dias. Para identificar uma possível toxicidade foi avaliada a taxa de mortalidade e bem como o comportamento locomotor com o teste de campo aberto. O teste de sobrevivência foi feito contando diariamente o número de moscas mortas até o final dos sete dias do experimento (Araujo et al., 2015). O número total de moscas (20 por grupo) representou quatro experimentos diferentes. Para o teste de campo aberto, 15 moscas de cada grupo foram individualmente colocadas em placas de Petri fechadas, previamente demarcadas em quadrados de 1 cm². A atividade locomotora foi avaliada durante 60 segundos, contabilizando-se o número de quadrados atravessados por cada indivíduo nesse período, conforme descrito por Hirth (2010). A taxa de sobrevivência foi determinada por meio da curva de Kaplan-Meier, e a significância estatística foi verificada pelo teste de log-rank Mantel-Cox. Para os demais testes, foi realizada análise utilizando ANOVA de uma via, seguida pelo teste post hoc de Tukey. As diferenças entre os grupos foram consideradas significativas quando p < 0,05. Os dados foram representados como média ± desvio padrão (DP).
Resultados: A exposição de moscas adultas, por um período experimental de sete dias, a diferentes concentrações de extrato de hibisco (1, 5, 10 mg/ml) não alterou as taxas de sobrevivência em comparação com as moscas do grupo controle (p= 0.4436), entretanto observamos uma tendência a uma maior mortalidade nas maiores concentrações. No teste de campo aberto, a exposição das moscas às diferentes concentrações de extrato de hibisco, causaram um comportamento alterado sobre sua atividade locomotora, as moscas expostas à concentração 10mg/ml, tiveram maior número de cruzamentos em comparação ao grupo controle, o teste de ANOVA mostrou diferença significativa entre os grupos (p= 0.0385).
Discussão: As diferentes concentrações do extrato de Hibiscus sabdariffa não alteraram significativamente as taxas de mortalidade das moscas expostas por sete dias. Nossos resultados corroboram os achados de Alkhamis et al. (2020), que demonstraram que o extrato aquoso de Hibiscus sabdariffa apresenta baixa toxicidade em doses reduzidas, uma vez que concentrações entre 10 e 50 mg/mL não resultaram em diferenças significativas na mortalidade de Drosophila melanogaster. Entretanto, em nosso estudo observamos impacto sobre a atividade locomotora das moscas na maior concentração testada (10 mg/mL), quando comparadas ao grupo controle. Nessas condições, os animais apresentaram um comportamento compatível com hiperatividade. De forma semelhante, Shrestha & Lee (2021) relataram que ácidos orgânicos atuam como atrativos e podem induzir alterações locomotoras, levando à hipercinesia em Drosophila. Considerando que o hibisco é naturalmente rico em fitoquímicos, como ácidos orgânicos (principalmente cítrico e málico), é plausível que tais compostos, de forma isolada ou sinérgica, possam estar relacionados ao efeito observado no comportamento locomotor das moscas.
Conclusão: O estudo demonstrou que o consumo do extrato de Hibiscus sabdariffa por Drosophila melanogaster não altera a taxa de mortalidade, mas pode comprometer o comportamento locomotor em doses elevadas. Concluímos que muitas substâncias químicas, quando administradas de forma repetida, podem não apresentar efeitos tóxicos imediatos; entretanto, efeitos tardios podem surgir com maior tempo de exposição, seja pelo acúmulo da substância nos tecidos da mosca ou por outros mecanismos fisiológicos, potencialmente impactando a taxa de mortalidade, inclusive em concentrações mais baixas do extrato. Assim, tornam-se necessários estudos adicionais que avaliem a toxicidade crônica, a fim de esclarecer os riscos a longo prazo associados ao consumo do hibisco.
Referências:
Araujo, Stífani Machado et al. “Effectiveness of γ-oryzanol in reducing neuromotor deficits, dopamine depletion and oxidative stress in a Drosophila melanogaster model of Parkinsonʻs disease induced by rotenone.” Neurotoxicology vol. 51 (2015): 96-105. doi:10.1016/j.neuro.2015.09.003
Carvajal-Zarrabal O, Barradas-Dermitz DM, Orta-Flores Z, Hayward-Jones PM, Nolasco-Hipólito C, Aguilar-Uscanga MG, Miranda-Medina A, Bujang KB. Hibiscus  L., roselle calyx, from ethnobotany to pharmacology. J Exp Pharmacol. 2012 Feb 28;4:25-39. doi: 10.2147/JEP.S27974.
Hirth, F., 2010. Drosophila melanogaster in the study of human neurodegeneration. CNS Neurol. Disord. Drug Targets 9, 504–523, http://dx.doi.org/10.2174/187152710791556104.
Khan Mohammed Junaid, Ajazuddin, Vyas Amber, Singh Manju and Singh Deependra, 2011. Acute and Chronic Effect of Hibiscus rosa sinensis Flower Extract on Anxiety Induced Exploratory and Locomotor Activity in Mice. Journal of Plant Sciences, 6: 102-107.
Jennings, B. H. (2011). Drosophila - a versatile model in biology & medicine. Mater. Today. 14, 190–195. doi: 10.1016/S1369-7021(11)70113-4
Shrestha B, Lee Y. Mechanisms of Carboxylic Acid Attraction in Drosophila melanogaster. Mol Cells. 2021 Dec 31;44(12):900-910. doi: 10.14348/molcells.2021.0205.