PIOMETRA EM CADELAS  
1MARIA EDUARDA POIATTE TRESSOLDI, 2MARIANA COLTRO, 3CAYO CESAR NOVAIS ZANATTO, 4PEDRO VICTOR GRAEBIN, 5MARIA CLARA COAN PIO, 6ANA MARIA QUESSADA
1Acadêmico do curso de Medicina Veterinária, Bolsista do Programa Institucional de Bolsas (PIBIC) da Universidade Paranaense
2Pós graduanda do programa de pós graduação em ciência animal da UNIPAR- taxista PROSUP
3Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária, Bolsista PIBIC, UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina, Bolsista PIBIC, UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária, Bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC), UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A piometra é uma das afecções reprodutivas mais comuns em cadelas não castradas, caracterizada pelo acúmulo de secreção purulenta no útero (Xavier et al., 2023). Essa condição ocorre principalmente em fêmeas adultas ou idosas e está relacionada a alterações hormonais durante o ciclo estral (Hagman, 2018).
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre piometra em cadelas abordando fatores de risco, sinais clínicos e manejo adequado.
Desenvolvimento: A piometra é definida como uma infecção uterina que pode ser classificada em aberta ou fechada, dependendo da permeabilidade da cérvix (Hagman, 2018). A etiologia está ligada principalmente à idade, número de ciclos estrais, alterações ovarianas e ao uso de anticoncepcionais que causam desbalanço hormonal (Hedlund, 2008). A fisiopatologia ocorre durante o diestro, quando a progesterona, potencializada pelo estrógeno, cria um ambiente propício à proliferação bacteriana, permitindo que microrganismos do canal vaginal atinjam o útero e causem infecção (Rossi et al., 2022). Os sinais clínicos incluem letargia, anorexia, secreção vulvar, polidipsia, poliúria, vômitos, diarreia, aumento abdominal, mucosas pálidas e, em alguns casos, febre. A doença pode evoluir para síndrome da resposta inflamatória sistêmica, com alterações respiratórias, cardíacas e hematológicas (Feliciano et al., 2021). O diagnóstico baseia-se em exame físico, exames laboratoriais e ultrassonografia abdominal, que evidencia o útero dilatado e com líquido intrauterino. Hemograma, bioquímica e urinálise são fundamentais para avaliar complicações como insuficiência renal (Johnston et al., 2001). O tratamento de escolha é a ovariohisterectomia (OSH), procedimento que remove útero e ovários, prevenindo recidivas. Em cadelas jovens com valor reprodutivo e cérvix aberta, pode-se optar pelo tratamento conservativo com antibióticos e hormônios, embora apresente maiores riscos de recorrência e complicações (Rossi et al., 2022). O prognóstico após a OSH é favorável, enquanto o tratamento conservativo exige acompanhamento rigoroso. A prevenção é feita principalmente por meio da castração precoce, que também reduz a incidência de tumores mamários e outras doenças uterinas. A conscientização dos tutores é essencial para garantir saúde e bem-estar às fêmeas (Catapan et al., 2015).
Conclusão: A piometra é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo crucial o diagnóstico precoce, o manejo terapêutico adequado e a prevenção por meio da castração. O tratamento cirúrgico é o mais seguro e eficaz, enquanto o manejo conservativo deve ser reservado para casos específicos com acompanhamento rigoroso. A conscientização dos tutores e o diagnóstico precoce são essenciais para reduzir complicações e garantir melhor prognóstico.
Referências:
CATAPAN, D. C.; VILLANOVA JUNIOR, J. A.; WEBER, S. H.; MANGRICH, R. M. V.; SZCZYPKOWSKI, A. D.; CATAPAN, A.; PIMPÃO, C. T. Estimativa populacional e programa de esterilização cirúrgica de cães e gatos. Acta Veterinaria Brasilica, v. 9, n. 3, p. 259–273, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.21708/avb.2015.9.3.5405. 
FELICIANO, N.; MATHIAS, M. D.; LUZ, P. E. Complexo hiperplasia endometrial cística–piometra em cadela nulípara de 10 meses: relato de caso. PUBVET, v. 16, n. 2, p. 1–5, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.31533/pubvet.v16n02a1045.1-5.
HAGMAN, R. Piometra em pequenos animais. Clínica Veterinária. Prática de Pequenos Animais, v. 48, p. 639–661, 2018.
HEDLUND, C. S. Cirurgia dos sistemas reprodutivo e genital. In: FOSSUM, T. W. (ed.). Cirurgia de pequenos animais. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p. 619-672.
JOHNSTON, S. D.; KUSTRITZ, M. V. R.; OLSON, P. N. S. Canine and feline theriogenology. 1. ed. Philadelphia: WB Saunders Company, 2001. p. 206–224.
ROSSI, L. A.; COLOMBO, K. C.; ROSSI, A. L. V.; LIMA, D. A. de; SAPIN, C. da F. Pyometra in dogs – literature review. Research, Society and Development, v. 11, n. 13, p. e194111335324, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35324.  DOI: 10.33448/rsd-v11i13.35324.
XAVIER, R. G. C.; SANTANA, C. H.; DE CASTRO, Y. G.; DE SOUZA, T. G. V.; DO AMARANTE, V. S.; SANTOS, R. L.; SILVA, R. O. S. Piometra canina: uma breve revisão dos avanços atuais. Animais, v. 13, p. 3310, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ani13213310.