EIXO INTESTINO-CÉREBRO: IMPACTOS DA DIETA NA SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES  
1ANNA JULIA FRANCHETTI DOS SANTOS, 2SONIA DE FATIMA DE OLIVEIRA, 3ELEANDRO APARECIDO TRONCHINI, 4GIOVANA MIOTO DE MOURA
1Acadêmica do curso de biomedicina - UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Biomedicina da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: Os hábitos alimentares influenciam diretamente a composição do microbioma intestinal, que por sua vez participa da regulação do humor e da cognição. Alterações nesse eixo intestino-cérebro têm sido associadas ao desenvolvimento de transtornos mentais em adolescentes, população vulnerável a fatores dietéticos e emocionais (Rutsch et al., 2020). Nos últimos anos, esse tema tem despertado crescente interesse científico, pois amplia a compreensão da saúde mental para além dos fatores psicológicos e genéticos, incorporando aspectos nutricionais e biológicos. O período da adolescência, marcado por intensas mudanças hormonais e cerebrais, é especialmente sensível a desequilíbrios do microbioma, que podem potencializar sintomas como ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas. Nesse cenário, a investigação sobre o papel da alimentação e da microbiota intestinal não apenas enriquece o debate sobre saúde mental, mas também aponta para novas estratégias preventivas e terapêuticas.
Objetivo: Analisar a influência dos hábitos alimentares sobre o microbioma intestinal e suas repercussões na saúde mental de adolescentes.
Desenvolvimento:  Estudos recentes demonstram que o microbioma intestinal exerce papel central na regulação do sistema nervoso central, atuando na produção e modulação de neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina e GABA, além de metabólitos bioativos como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) (Appleton, 2018). A adolescência, caracterizada por intenso remodelamento neuronal e hormonal, é uma fase especialmente sensível às variações da microbiota(Rutsch et al., 2020). Dietas ricas em fibras, frutas, vegetais, prebióticos e probióticos promovem diversidade microbiana, favorecem a produção de metabólitos anti-inflamatórios como o butirato e estão associadas a melhor saúde mental. Em contrapartida, padrões alimentares com excesso de açúcares e gorduras saturadas reduzem a diversidade bacteriana, promovem inflamação sistêmica e estão correlacionados a sintomas depressivos, ansiedade, TDAH e autismo  (Smolensky et al., 2023). Além da alimentação, fatores como uso precoce de antibióticos, estresse ambiental e padrões de sono irregulares podem impactar negativamente a composição microbiana. A comunicação entre intestino e cérebro ocorre por múltiplas vias: neurais, principalmente pelo nervo vago; hormonais, envolvendo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e hormônios gastrointestinais; e imunológicas, com citocinas inflamatórias atravessando a barreira hematoencefálica e modulando a função cerebral Appleton, 2018. Intervenções dietéticas vêm sendo exploradas como estratégias promissoras. Probióticos e prebióticos, conhecidos como “psicobióticos”, têm mostrado resultados positivos na redução de sintomas de ansiedade e depressão, ao restaurar a integridade da microbiota e modular processos inflamatórios (SAAD, 2006). Ensaios clínicos apontam que a suplementação com Lactobacillus e Bifidobacterium reduziu significativamente sintomas depressivos em adolescentes, enquanto dietas ricas em alimentos fermentados aumentaram a diversidade microbiana e a resiliência psicológica (Del Toro-Barbosa et al., 2020; Smolensky et al., 2023).  Portanto, compreender essa ligação entre intestino-cérebro e da influência dos hábitos alimentares fornece informações básicas de prevenção e cuidado em saúde mental, combinando fatores nutricionais, imunológicos e neurobiológicos, e oferecendo novas perspectivas (Lopes et al., 2024).
Conclusão: Os hábitos alimentares influenciam diretamente o microbioma intestinal e a saúde mental dos adolescentes. Dietas equilibradas, com probióticos e prebióticos, favorecem a diversidade microbiana, reduzem inflamações e auxiliam na prevenção de transtornos mentais. O eixo intestino-cérebro surge, assim, como um campo promissor para estratégias integrativas em saúde mental, destacando a nutrição como parte essencial da resiliência psicológica.
Referências:
APPLETON, J. The gut-brain axis: influence of microbiota on mood and mental health. Integrative Medicine. 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6469458/. Acesso em: 29 ago. 2025.
DEL TORO-BARBOSA, M., et al. Psychobiotics and mental health: evidence from human studies. Frontiers in Nutrition. 2020. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9289355/. Acesso em: 30 ago. 2025.
LOPES, W. A. D., et al. A conexão da microbiota e a saúde mental. Revista Contemporânea4(2), e3354, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.56083/RCV4N2-057. Acesso em: 02 out. 2025.
RUTSCH A.; et al. The gut-brain axis: how microbiota and host immune system shape the brain. Trends in Neurosciences. 2020. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7758428/. Acesso em:  30 ago. 2025.
SAAD SMI. Probióticos e prebióticos: perspectivas atuais. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. 2006. Disponível: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/T9SMSGKc8Mq37HXJyhSpM3K/abstract/?lang=pt. Acesso em: 05 set. 2025.
SMOLENSKY L, et al. Fermented foods, microbiota diversity, and psychological resilience. Nutrients. 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3904694/. Acesso em: 07 set. 2025.