O PAPEL DA ENFERMAGEM NA DETECÇÃO PRECOCE DE SINAIS DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE MATERNO-INFANTIL
1NATHALIA DOMINGUES DA SILVA, 2THALITA RAFAELLI CELERI, 3TAMILA SIMINSKI
1Acadêmica do curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A depressão pós-parto (DPP) é reconhecida como um importante problema de saúde pública, com impacto direto na saúde materna, infantil e familiar (Zardinello, 2021). Sua manifestação está associada a múltiplos fatores, que incluem mudanças fisiológicas, demandas emocionais e influências do ambiente social, o que evidencia a necessidade de acompanhamento cuidadoso durante o período puerperal (Santana, 2022). No Brasil, a prevalência da DPP é considerada elevada e encontra obstáculos adicionais devido à limitação de recursos no Sistema Único de Saúde, especialmente em contextos de vulnerabilidade (Fiocruz, 2022). Nesse cenário, a enfermagem desempenha papel estratégico ao atuar na prevenção e identificação precoce dos sinais, oferecendo suporte integral e humanizado às puérperas (Souza, 2022). Objetivo: Realizar um levantamento bibliográfico acerca do impacto da depressão pós-parto na saúde da mulher, com ênfase na atuação da enfermagem na identificação precoce e na oferta de cuidados qualificados frente a essa condição. Desenvolvimento: A depressão pós-parto (DPP) é um distúrbio psiquiátrico que surge no período do puerpério, geralmente nas primeiras semanas após o nascimento, podendo prolongar-se por meses ou até mesmo anos (Cernadas, 2020). O puerpério corresponde ao intervalo de seis a oito semanas posteriores ao parto, caracterizado por profundas alterações hormonais, emocionais e físicas, sendo tradicionalmente dividido em três estágios: imediato (até o 10.º dia), tardio (do 10.º ao 45.º dia) e remoto (após o 45.º dia) (Penso; Braga, 2020). Mais do que uma simples fase de tristeza ou melancolia, a DPP é um transtorno que interfere de forma relevante no vínculo entre mãe e filho, impactando também as relações familiares, a execução das tarefas cotidianas, os cuidados maternos e o processo de adaptação à nova rotina (Zardinello; Koch, 2021). Trata-se de uma condição associada a diversos fatores de natureza biológica, social e psicológica, que podem gerar complicações para a saúde e aumentar riscos durante a gestação (Santana, 2022). Os estudos revelaram que a enfermagem desempenha papel central na triagem e acompanhamento das puérperas, utilizando ferramentas como a Escala de Edimburgo e estratégias como escuta qualificada, orientação familiar e visitas domiciliares. A atuação interdisciplinar e a criação de vínculos com a paciente demonstram ser eficazes para prevenir agravos relacionados à DPP. Entretanto, desafios como a ausência de formação específica e a carga de trabalho excessiva ainda são obstáculos enfrentados por esses profissionais. Conclusão: A enfermagem é peça-chave no cuidado integral à mulher no puerpério, sobretudo na identificação precoce da DPP. O fortalecimento da formação, protocolos claros e trabalho em equipe são essenciais para melhorar a assistência e promover saúde mental materna. 
Referências:
CERNADAS JMC. Postpartum depression: Risks and early detection. Arch Argent Pediatr, 2020; 118(3): 154-155. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32470247/. Acesso em: 14 abr. 2025.
FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz. Depressão pós-parto: panorama atual e desafios para o SUS. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2022. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/. Acesso em: 13 abr. 2025.
PENSO, Fátima; BRAGA, Valkiria de Lima. Principais questões sobre a consulta de puerpério na Atenção Primária à Saúde. 2020. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-a-consulta-de-puerperio-na-atencao-primaria-a-saude/. Acesso em: 20 abr. 2025.
SANTANA, Gabriele Winter et al. Prevalência e fatores de risco da depressão pós-parto no Brasil: uma revisão integrativa da literatura. Debates em Psiquiatria, v. 12, p. 1–23, 2022. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/376.Acesso em: 20 abr. 2025.
SOUZA, W. K.; BRITO, F. B. A.; LIRA, J. M. R.; OLIVEIRA, C. D. B.; ARAÚJO, H. V. S. Cuidados de enfermagem a mulher com depressão pós-parto. Saúde Coletiva, v. 12, n. 73, p. 1–10, 2022. Disponível em: https://www.revistasaudecoletiva.com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/2277/2801/7601. Acesso em: 20 abr. 2025.
ZARDINELLO, Dhiéssica Regina Moi; KOCH, Sabrina. O impacto da depressão pós-parto materna na relação mãe-bebê e os efeitos na interação da idade: uma revisão integrativa. Revista Psicologia em Foco, v. 12, n. 17, p. 28–44, 2021. Disponível em: https://revistas.fw.uri.br/psicologiaemfoco/article/view/3773. Acesso em: 18 abr. 2025.