A ESCOLA COMO TERRITÓRIO VIVO: POTÊNCIAS DA CARTOGRAFIA GRUPAL NO ÂMBITO EDUCACIONAL  
1REBECCA GARCIA SANTOS, 2BARBARA COSSETTIN COSTA BEBER BRUNINI
1Acadêmica do curso de Psicologia, UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A escola, enquanto um organismo vivo, se constitui como um território em constante fluxo de subjetividades, desejos e saberes. Segundo Bock (2008, p. 271), a escola, enquanto instituição social, estabelece um vínculo ambíguo com a sociedade, onde cabe seu papel de zelar pela formação dos indivíduos necessários para a manutenção da sociedade, mas também dá abertura para o desenvolvimento das capacidades de criação, invenção e transformação, dando brecha para um trabalho crítico e inovador, no qual “a vida escolar deve estar articulada com a vida social” (p.271). De tal modo, em seu cotidiano, a escola está permeada de atravessamentos de cunho social, cultural, histórico, político, e estes modificam e são modificados constantemente no ambiente educacional,  enquanto se relacionam com a dimensão subjetiva dos atores que compõem todo o tecido da instituição escolar. Então, compreendendo a escola como esse território tão vivo, fluido e potente, podemos considerá-la também como um possível local de produção de cartografias grupais, entrelaçando os diálogos entre a educação e a vida.
Objetivo: Realizar uma revisão bibliográfica a respeito da cartografia grupal como ferramenta metodológica e propor a escola como espaço possível para a produção de cartografias.
Desenvolvimento: Conforme Hur e Viana (2016, p.117), a cartografia grupal é uma metodologia de pesquisa que busca compreender e representar os discursos, afetos e práticas coletivas, tanto as já estabelecidas quanto aquelas em processo de criação, identificando os regimes de força presentes na dinâmica do grupo, com o intuito de provocar processos de transformação coletiva e produção de novas possibilidades. Esse dispositivo age de forma a facilitar a expressão dos participantes, reconhecendo que esse movimento pode ser propulsor de mudanças internas no próprio coletivo. Deste modo, a cartografia grupal é convidada para adentrar o território escolar onde pode contribuir como um agente mobilizador de transformações, promovendo a criação de espaços que propiciem o diálogo e a escuta dos profissionais da educação, alunos e famílias, estimulando uma quebra em comportamentos fossilizados que reforcem a estrutura engessada, refletindo sobre as afetações que produzem no ambiente escolar, e em como o ambiente escolar os afeta de volta, construindo instrumentos coletivos para promoção de vida. De tal forma, ao propor a cartografia grupal como prática escolar, é possível promover um espaço de escuta para este ambiente, mapeando os fluxos que compõem o território relacional estabelecido na escola, identificando os regimes de forças que atuam naquele espaço e as afetações mobilizadas pelo coletivo. Conforme Hur e Viana (2016, p.116),  os dispositivos grupais no contexto educacional “têm a finalidade de cartografar e acompanhar o processo para gerar uma potencialização da discussão, elaboração da aprendizagem e formação”. Isso se dá a partir do processo proporcionado pela cartografia grupal, onde, além de compreender os mecanismos que agem sobre o maquinário humano e institucional, age também como uma pesquisa feita por e sobre os próprios sujeitos que compõem aquele coletivo, resultando na potencialização dos agentes envolvidos. Assim, a cartografia grupal permite aos indivíduos co-criar nesse espaço, identificando potencialidades, acolhendo as angústias, reconhecendo limitações e traçando linhas de fuga, num processo de desenrolar um percurso enquanto sujeitos, movimentando forças e promovendo a transformação do território coletivamente.
Conclusão: A cartografia grupal potencializa a escuta, a criação coletiva e a reinvenção das práticas institucionais. Ao reconhecer os indivíduos como sujeitos de desejo e protagonistas de suas trajetórias, essa proposta promove espaços de cuidado e reflexão, nos quais é possível ressignificar o fazer educacional. Mais do que uma técnica, trata-se de um convite à construção conjunta de novos modos de existir na escola - mais sensíveis, potentes e conectados com as singularidades de cada sujeito que ali habita. Ao promover espaços de diálogo e expressão afetiva, essa metodologia possibilita o reconhecer-se como sujeitos ativos em seus processos de formação, favorecendo a construção coletiva de sentidos e  o fortalecimento dos vínculos. Assim, a escola se torna não apenas um lugar de transmissão de saberes, mas também um território de produção de subjetividades, cuidado e reinvenção constante.
Referências:
BOCK, A. M. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008.
HUR, Domênico Uhng; VIANA, Douglas Alves. Práticas grupais na esquizoanálise: cartografia, oficina e esquizodrama. Arquivos brasileiros de psicologia, v. 68, n. 1, p. 1-15, 2016. Disponível em:https://www.redalyc.org/pdf/2290/229046737010.pdf. Acesso em: 03 set. 2025.