DIAGNÓSTICO RADIOGRÁFICO DE NEOPLASIA ÓSSEA COM METÁSTASE PULMONAR EM CADELA: RELATO DE CASO  
1GIOVANNA FRANCO HERNANDES CANTARIN, 2EUGÊNIA PIVETTA MONTEIRO RODRIGUES, 3MARTINA GALERIANI PIRASOL, 4CAMILA APARECIDA LUIZ, 5NICOLE MAIDL, 6ODUVALDO CAMARA MARQUES PEREIRA JUNIOR5
1Discente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Umumarama -PR
2Discente do programa de Pós Gradução em Produção Sustentável e saúde Animal, Universidade de Maringá – Umuarama -PR
3Discente do Programa de Residência Médico-Veterinária em Diagnóstico por Imagem, Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Umumarama -PR
4Discente do Programa de Residência Médico-Veterinária em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais, Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Umu
5Discente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Umumarama -PR
6Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringa (UEM) Campus Umuarama/PR
Introdução: A neoplasia é caracterizada pela proliferação anormal de células devido a mutações genéticas irreversíveis, que alteram os mecanismos de controle da divisão celular e da função tecidual. Esse crescimento desordenado ultrapassa os limites anatômicos normais, resultando em uma massa identificável clínica e histologicamente (Zachary et al., 2016). Com o passar dos anos, o avanço das pesquisas relacionadas às neoplasias ósseas primárias, como o osteossarcoma, principalmente nos campos das micrometástases e da quimioterapia, contribuiu para a melhoria do prognóstico, resultando no aumento da média de sobrevida de cães diagnosticados com essas doenças (Daleck et al., 2006). O presente trabalho tem como objetivo relatar o uso da radiologia em um paciente canino acometido por neoplasia óssea e com metástase pulmonar.
Relato de Caso: Foi encaminhada ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (HVU) – Campus Umuarama, um paciente canino, fêmea sem raça definida, com 10 anos de idade, pesando 7 kg. O tutor relatou que o animal apresentava claudicação de membro torácico esquerdo sem histórico de trauma. Também relatou que a paciente já havia passado por tratamento com meloxicam por 15 dias e por mastectomia há cerca de 6 meses. O tutor referiu normequesia, normodipsia e normorexia. Ao exame físico foram constatados FC: 120 bpm, FR: 32 mpm, TPC: 2 s, mucosas róseas, paciente hidratado, claudicação de MTE com aumento de volume em região de úmero em porção distal, nódulo em região dorsal da coluna cervical e nódulo em M3 pequeno. Com base nos achados do exame físico e no histórico do paciente foram solicitados exames radiográficos de tórax e MTE. Em projeções latero-laterais e ventro-dorsal do tórax observou-se presença de pelo menos três estruturas nodulares, de radiopacidade elevada, com contornos moderadamente definidos e regulares, além de maior evidência nas paredes bronquiais, compatíveis com padrão pulmonar misto bronquial e intersticial estruturado. Os achados radiográficos tiveram como diagnósticos diferenciais processo neoplásico metastático ou neoplasia pulmonar primária (menos provável), broncopatia senil ou bronquite crônica. O exame radiográfico do úmero esquerdo foi realizado em projeções médiolateral e crânio-caudal, nas quais foram visibilizadas reação periosteal lisa e irregular em região cranial e caudal de diáfise média do úmero, além de intensa área de lise óssea se estendendo desde a diáfise proximal até a metáfise distal, acometendo cortical óssea caudal, associado a elevação de periósteo secundário a neoformação óssea formando aspecto de triângulo. Também notou-se aumento de volume de tecidos moles adjacentes e osteófilo em cabeça umeral. Os achados indicaram como diagnóstico diferencial neoplasia óssea, sendo o osteossarcoma o mais provável, ou osteomielite (menos provável).
Discussão: Um diagnóstico preciso é fundamental para aumentar o tempo de sobrevida e melhorar as chances de tratamento (Parachini-Winter et al., 2019). A radiografia é uma ferramenta importante para identificar alterações ósseas, como áreas de lise, reação periosteal e aumento de volume e radiopacidade dos tecidos moles, ajudando a diferenciar neoplasias de outras doenças (Andrade, 2007). No caso apresentado, as imagens radiográficas mostraram sinais compatíveis com neoplasia óssea e possíveis metástases pulmonares, reforçando a relevância da radiografia por ser acessível e eficiente na prática clínica. A radiografia veterinária é um exame de imagem essencial na prática clínica, por ser uma técnica acessível, eficaz e capaz de fornecer informações rápidas e precisas sobre alterações estruturais, auxiliando no diagnóstico e no direcionamento terapêutico (Assis et al., 2018). Entre as neoplasias ósseas, vale destacar o osteossarcoma, por ser o tumor primário mais comum em cães. Radiograficamente, este se manifesta como uma lesão agressiva, tendo como uma de suas formas de apresentação, a presença de áreas de lise óssea, podendo estar associadas à reação periosteal irregular. Essas alterações podem originar imagens clássicas, como o Triângulo de Codman, que refletem o comportamento invasivo do tumor (Pichinelli, 2014). O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar o prognóstico e ampliar as opções terapêuticas, evitando a progressão para estágios avançados da doença.
Conclusão: O exame radiográfico é essencial para se avaliar alterações pulmonares e ósseas que podem estar presentes nos casos de neoplasias, auxiliando no seu diagnóstico e no estabelecimento do prognóstico para o paciente.
Referências:
ASSIS, Diego Alexandre Garcia et al. A importância da prática radiológica na Medicina Veterinária. Ciência Veterinária UniFil, Londrina, v. 1, n. 1, p. 8-12, abr. 2018. ISSN 2595-7791.
BARROS, P. S. M.; SILVA, L. A.; OLIVEIRA, M. E. Neoplasias ósseas: realidade do diagnóstico e prognóstico em cães na cidade de Fortaleza/Ceará. Ciência Animal, Fortaleza, v. 28, n. 1, p. 35-44, 2018.
PICHINELLI, M. A. Análise comparativa das alterações radiográficas observadas no osteossarcoma e na osteomielite em cães. 2014.
RODRIGUES, J. F.; COSTA, A. P.; MARTINS, V. D. Hemangiossarcoma em cães: revisão de literatura. ABMVFAG, Cascavel, v. 14, n. 1, p. 68-77, 2016.
SILVA, Mariana Laura Dias. Achados radiográficos, citopatológicos e/ou histopatológicos de tumores ósseos de cães atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia. 2022. 47 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2022.