ASSOCIAÇÃO DE PINO INTRAMEDULAR E TALA EXTERNA NA ESTABILIZAÇÃO DE FRATURA DE TIBIOTARSO EM CATURRITA (Myiopsitta monachus)  
1BIANCA REDMANN RESENDE, 2RAPHAELA CLAUDINO RODRIGUES LIMA, 3NAUANE MENDES GHELERE, 4LUAN GUSTAVO BUTZEN, 5SOLIMAR DUTRA DA SILVEIRA, 6JULIANE PATRÍCIA SIPP
1Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UNIVEL, Cascavel, PR, Brasil
2Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UNIVEL, Cascavel, PR, Brasil
3Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UDC, Medianeira, PR, Brasil
4Discente, Graduação em Medicina veterinária, Universidade Paranaense – UDC, Medianeira, PR, Brasil
5Docente do curso de Medicina Veterinária Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC PR, Toledo
6Docente da UNIPAR
Introdução: Myiopsitta monachus, é um psitacídeo popularmente conhecido como caturrita, está amplamente disperso ao longo de toda América do Sul, faz parte da fauna nativa brasileira e é comumente encontrado em lares como animais de companhia, o que favorece o aumento de atendimentos clínicos nesses animais (TÓPOR, 2019).
Fraturas em aves então entre as principais ocorrências clínicas, em razão das suas caraterísticas anatomofisiologicas, apresentam ossos pneumáticos que estão intimamente associados ao sistema respiratório, estes por sua vez possuem a cortical óssea mais fina, que são adaptações que auxiliam na habilidade de voo, tornando os ossos mais leves e em contrapartida mais susceptíveis a traumas, pela sua fragilidade estrutural (COLES, 2007). Sendo os ossos longos mais acometidos, fraturas de úmero nas asas, e nos membros pélvicos fraturas de tibiotarso (CANELAS et al., 2020).
O presente trabalho tem como objetivo descrever o procedimento cirúrgico de osteossíntese com pino intramedular associada à tala externa, em um espécime de M. monachus, além de discutir os principais aspectos que decorrem esse tema, com base na literatura atualizada.
Relato de Caso: Foi admitido no Centro de Apoio à Fauna Silvestre do oeste do Paraná, um espécime juvenil de M. monachus, de sexo indefinido, com 81g. O paciente permanecia em decúbito esternal pela incapacidade de apoio em membro pélvico.
Durante a palpação foi perceptível a presença de crepitação em região tibiotársica do membro pélvico direito, indicativo de fratura, além de edema e hematoma na região lesada. Na radiografia confirmou-se a presença de fratura oblíqua na diáfise distal do tibiotarso e instabilidade óssea, diante da gravidade do quadro optou-se pela correção cirúrgica e imobilização no período de duas semanas.
Foram utilizados cetamina 35mg/kg, morfina 1mg/kg e midazolam 1,4mg/kg como medicação pré-anestésica, e adicionalmente, bupivacaína 0,1ml diluída em solução fisiológica 0,5ml como bloqueio nervoso periférico, administrada diretamente no nervo femoral. Ao longo do procedimento foi realizada a manutenção anestésica com isoflurano por via inalatória. Tais protocolos viabilizaram a execução da osteossíntese com êxito, visando diminuir os riscos ao paciente.
O procedimento realizado para a estabilização de tibiotarso foi por meio de uma osteossíntese com inserção de cateter de 22mm intramedular para fixação óssea, onde foi possível a redução anatômica. Após a cirurgia confeccionou-se uma tala Altman, também conhecida como “tala pastel” opção leve e que promove estabilidade e alinhamento adequado do membro durante a recuperação do paciente. Sua confecção foi feita envolvendo o membro na sua posição anatômica em várias camadas de micropore e cola de cianoacrilato (Super Bonder), por fim, foi cortado os excessos da fita, deixando os dígitos livres. Utilizada durante 14 dias.
Como protocolo terapêutico pós-operatório foi utilizado antibiótico com enrofloxacina 15 mg/kg, anti-inflamatório com meloxicam 0,2mg/kg, e analgesia com tramadol 10mg/kg, pelo período de sete dias (BID). Obtivemos uma boa resposta do paciente com o tratamento realizado, com uma ótima recuperação e progressiva melhora funcional do membro. Após a recuperação total a ave foi destinada ao Centro de Falcoaria de Foz do Iguaçu no Paraná.
Discussão: As principais casuísticas de fraturas em aves de vida livre são oriundas de traumas por quedas, esmagamentos, conflitos com outros animais e colisões contra janelas e automóveis (CUBAS et al., 2014). A radiográfica é o exame imagiológicos mais comumente utilizado para os diagnósticos de fraturas, por mais que tenhamos a possibilidade de realizar tomografias ou ressonâncias magnéticas, são menos usuais na rotina clínica, pelo seu alto custo e baixa disponibilidade (RODRIGUES, 2011).
A colocação de pino intramedular para osteossíntese de ossos longos é a técnica mais utilizada em fraturas diafisárias em pequenas aves, pela sua simplicidade e baixo custo, embora tenha algumas desvantagens quando comparadas a outros métodos, por exemplo, a possibilidade de danos articulares como anquilose (BOLSON; SCHOSSLER, 2008). Canelas et al (2020), recomenda a técnica Tie in, se trata de uma combinação de um fixador esquelético externo, associado a um pino intramedular, proporcionando uma maior estabilidade. No caso deste paciente optamos por associar uma a coaptação externa, com o uso de tala Altman, que fornece a estabilidade necessária do membro, durante o período de recuperação, que em conjunto ao pino se demonstraram eficazes (CABRAL et al., 2025).
Conclusão: O êxito cirúrgico foi possibilitado pelo acompanhamento e suporte meticuloso desde a chegada à clínica, até a sua recuperação e destinação. Destaca-se a relevância de uma boa avaliação física juntamente com exames complementares, sendo fundamentais para um diagnóstico assertivo, interferindo diretamente na opção de tratamento mais viável e uma boa recuperação pós cirúrgica. Osteossíntese do tibiotarso com pino intramedular e tala externa demostrou-se a melhor opção para a correção da fratura, representando uma alternativa viável para o tratamento de aves com fraturas similares.
Referências:
BENNETT, A. R.; KUZMA, A. B. Fracture Management in Birds. American Association of Zoo Veterinarians. v. 23, n.1, p. 5-38. Março, 1992.
BOLSON, J; SCHOSSLER, J. E. W. Osteossíntese em Aves – Revisão da Literatura. Arq. Ciên. Vet. Zool. Unipar, v.11, n.1, p. 55-62. Janeiro, 2008.
BUSH, M. External fixation of avian fractures. Journal of the American Veterinary  Medical Association, v. 171, n. 9, p. 943-946. Novembro, 1977.
CABRAL, A. L. R.; SOARES, R.; COUTINHO, H. D.; SILVA, G. M. D.; FIRMINO, K. R.; GUTERRA, T. D.; RIBEIRO, V. R. N. Osteossíntese de fratura em tibiotarso com pino intramedular e reabilitação fisioterápica em maitaca-verde (Pionus maximiliani) - Relato de caso. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v.8, n.3, p.1-15. Junho, 2025.
CANELAS, H. A. M.; NEGRÃO, A. S.; HARMOY, A. M.; CRUZ, P. S. C.; NETO, R. M.; AZEVEDO, E. F. S.; MARINHO, L. S.; JUNIOR, H. D. S. Osteossíntese de ossos longos em aves: Revisão. Pubvet. v.14, n.8, p.1-18. Agosto, 2020.
COLES, B. H. Essentials of Avian Medicine and Surgery. Blackwell Publishing. 3. Ed. p.1-415. 2007.
CUBAS, Z.S.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de Animais Selvagens: Medicina Veterinária. v. 2. São Paulo, Roca. 2014.
MONCAYO, J. R.; MARTINEZ, J. F. C.; CARDOSO, M. F. A. C.; MENEZES, R. C.; RAMOS, R. V.; PINHEIRO, F. A.; LIMA, A. D. F. K. T. D. Bloqueio dos nervos femoral e isquiático guiado por neuroestimulação em arara-canindé (Ara ararauna) submetida à osteossíntese do tibiotarso - relato de caso. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v.8, n.1, p.1-11. Janeiro de 2025.
RODRIGUES, M. B. Diagnóstico por imagem no trauma músculo-esquelético: princípios gerais. Revista de Medicina, v. 90, n.4, p. 185-194. Dezembro, 2011.
TÓPOR, Jéssica Schorn. Comércio legal de aves na cidade de Porto Alegre – Rio Grande do Sul. 2019. Monografia (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019.