ESTRATÉGIAS DE INDUÇÃO DE TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA - TERAPIAS CELULARES E MOLÉCULAS CO-INIBITÓRIAS NA MINIMIZAÇÃO DE IMUNOSSUPRESSORES  
1MARCELL FLORES JUNIOR, 2MARIANA MASSUIA MENDES VALERIANO, 3JOÃO FELIPE ZAFANELLI DORIA PADILHA, 4LÍVIA ESTEVES BORTOLATO, 5MARIANA VITORIA GASPERIN
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Nos últimos anos, abordagens translacionais levaram a ensaios clínicos em estágio inicial avaliando a segurança e a eficácia de tratamentos baseados em células indutoras de tolerância em pacientes. (Willekens et al., 2021). O controle terapêutico das células imunes de modo a aproveitar as rotas metabólicas que favorecem os mecanismos regulatórios dominantes ofereceu uma nova direção para a terapia imunossupressora, na qual o tratamento de curto prazo pode ser suficiente para o benefício de longo prazo ou até mesmo a cura (Waldmann, Howie e Cobbold, 2016). Assim, é desejável determinar como modular o ambiente autoimune para promover a sobrevivência do enxerto sem interferir nos mecanismos cruciais de monitoramento imunológico e como eliminar a toxicidade relacionada à imunossupressão (Lu et al., 2021).
Objetivo: Analisar abordagens terapêuticas baseadas em células e moléculas co-inibitórias com foco na indução de tolerância imunológica, visando reduzir a dependência de imunossupressores convencionais em transplantes.
Desenvolvimento:  Uma terapia ideal para doenças autoimunes e na medicina de transplantes teria como alvo apenas as respostas imunológicas hiperativas e deletérias, deixando a imunidade protetora e reparadora intacta (Willekens et al., 2021). Um dos principais objetivos das terapias imunossupressoras é aproveitar os mecanismos de tolerância imunológica para minimizar os efeitos colaterais indesejados associados à terapia imunossupressora prolongada (Waldmann, Howie e Cobbold, 2016). Segundo Lu et al. (2021), os métodos atuais de imunossupressão em transplantes estão longe de ser ideais, e reduzir a ocorrência de efeitos colaterais e minimizar ou interromper completamente a dosagem de medicamentos por meio da indução de tolerância imunológica seria a solução definitiva para a sobrevivência a longo prazo de transplantes alogênicos e proporcionaria uma melhor qualidade de vida aos pacientes transplantados. De acordo com o mesmo autor, na última década, a compreensão dos Tregs se transformou de candidatos ideais para induzir tolerância e tratamento/prevenção da doença enxerto versus hospedeiro para uma população específica que pode ser isolada in vitro, expandida e infundida, além de seu papel promissor na indução de tolerância ao enxerto e na redução do uso de drogas imunossupressoras em pacientes transplantados, além disso, o uso de Tregs no tratamento de outras doenças autoimunes, como doença inflamatória intestinal, esclerose múltipla e artrite reumatoide, tem sido explorado. A terapia com células-tronco mesenquimais (MSCs) já foi estudada em receptores de transplante renal, e os dados disponíveis mostraram que ela é segura e bem tolerada, no contexto da resposta humoral, estudos pré-clínicos demonstraram que as MSCs podem reduzir os anticorpos aloespecíficos circulantes e a deposição de IgG aloespecífica no enxerto, sendo esses efeitos mediados por células T reguladoras, já no ponto de vista imunológico, o tratamento com MSCs autólogas, quando administrado no período tardio pós-transplante, pode ativar ainda mais a resposta dos linfócitos T, o que pode intensificar o processo de rejeição (Večerić-Haler et al., 2022).
Conclusão: As terapias baseadas na indução de tolerância imunológica vêm se consolidando como alternativas inovadoras ao uso prolongado de imunossupressores em transplantes e doenças autoimunes. Abordagens celulares, como as que envolvem células T reguladoras e células-tronco mesenquimais, demonstram capacidade de modular o sistema imunológico de maneira específica, favorecendo a aceitação do enxerto e a restauração da homeostase imunológica. Essas estratégias não apenas visam reduzir os efeitos colaterais associados à imunossupressão convencional, mas também apontam para a possibilidade de intervenções terapêuticas mais seguras e duradouras. No entanto, apesar dos avanços alcançados, são necessários estudos mais robustos e de longo prazo para confirmar a eficácia clínica e esclarecer os riscos potenciais dessas terapias, especialmente em cenários mais complexos. O desenvolvimento contínuo dessas abordagens poderá representar um marco importante na medicina translacional, com impacto significativo na prática clínica e na qualidade de vida dos pacientes.
Referências:
WILLEKENS, Barbara et al. Safety and immunological proof-of-concept following treatment with tolerance-inducing cell products in patients with autoimmune diseases or receiving organ transplantation: A systematic review and meta-analysis of clinical trials. Autoimmunity Reviews, v. 20, n. 8, p. 102873, 2021.
WALDMANN, Herman; HOWIE, Duncan; COBBOLD, Stephen. Induction of immunological tolerance as a therapeutic procedure. Microbiology Spectrum, v. 4, n. 4, p. 10.1128/microbiolspec. mchd-0019-2015, 2016.
LU, Jian et al. Regulatory T cells induce transplant immune tolerance. Transplant Immunology, v. 67, p. 101411, 2021.
VEČERIĆ-HALER, Željka et al. Autologous mesenchymal stem cells for treatment of chronic active antibody-mediated kidney graft rejection: report of the phase I/II clinical trial case series. Transplant International, v. 35, p. 10772, 2022.