DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO DE HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA EM UM FELINO: RELATO DE CASO  
1CAROLINA DIAS OSTE, 2MIHANA ISABELLA ROSSI DA COSTA, 3MARTINA GALERIANI PIRASOL, 4MONIQUE ELLEN MARTINES FERREIRA, 5AMANDA CARDIN, 6ODUVALDO CÂMARA MARQUES PEREIRA JÚNIOR
1Acadêmica de Medicina Veterinária (UEM)
2Acadêmica de Medicina Veterinária (UEM)
3Residente de Diagnóstico por Imagem (HV/UEM)
4Médica Veterinária (UEM)
5Residente de Clínica Médica de Pequenos Animais (HV/UEM)
6Docente de Medicina Veterinária (UEM)
Introdução: A hérnia diafragmática caracteriza-se pelo rompimento do músculo diafragma, ocasionando o deslocamento das vísceras abdominais para a região torácica. Esta pode ser de etiologia traumática ou congênita, sendo a radiografia o método diagnóstico de eleição, além de ser indispensável para o monitoramento do paciente no pós-cirúrgico (Amaral et al., 2023). É uma afecção de urgência recorrente na clínica de pequenos animais, sendo um dos sinais clínicos a dispneia. No entanto, a sintomatologia pode ser inespecífica, dependendo do tempo da ruptura e acometimento (Borges et al., 2023) O exame radiográfico de região torácica é uma ferramenta primordial, rápida e bastante eficiente para o diagnóstico e auxílio no acompanhamento da evolução de patologias do tórax, especialmente em pacientes com traumas (Ergin; Parlak, 2024).
Relato de caso: Foi atendido no Hospital Veterinário de Umuarama, da Universidade Estadual de Maringá (HVU-UEM), um felino, macho, SRD, dois anos de idade, não castrado, com acesso à rua, que apresentava tosse e dispneia, hematúria e incontinência urinária há aproximadamente 20 dias. Ao exame físico o paciente apresentou 40 movimentos por minuto de frequência respiratória, com a inspiração anormal e mais profunda. O paciente também se apresentava hipotérmico. Foi solicitado o exame radiográfico da região torácica, nas projeções latero-laterais e ventro-dorsal. Para tanto foram utilizados um emissor de raios-x Shimadzu EzyRad e sistema digital de radiologia direta EVS DRTECH. Nas imagens radiográficas foi possível observar perda da definição da cúpula diafragmática bilateral, com deslocamento cranial dos órgãos abdominais sobrepondo-se aos campos pulmonares e silhueta cardíaca, que dificultaram a adequada avaliação do tórax. A traqueia e seu lúmen estavam preservados, porém com trajeto deslocado dorsalmente devido a estruturas abdominais no pulmão, sendo, portanto, essas alterações compatíveis com hérnia diafragmática, além disso por meio do exame foi possível visualizar fratura da décima e décima primeira costela direita. Diante dos achados o paciente foi encaminhado para a realização de herniorrafia diafragmática. No exame radiográfico pós-operatório foi evidenciada retração dos lobos pulmonares e deslocamento dorsal do trajeto traqueal e da silhueta cardíaca, com importante perda do contato cardioesternal, causados pela presença de ar em espaço pleural, indicando pneumotórax pós-cirúrgico. Além disso, pôde-se constatar a restauração da cúpula diafragmática, com a ausência de comunicação entre as cavidades peritoneal e pleural.
Discussão: Segundo Borges et al. (2023), os felinos machos, não castrados, jovens e com acesso à rua são os mais predispostos a ocorrência de ruptura diafragmática, visto que traumas diretos ou indiretos podem resultar em ruptura desse músculo. Assim, animais de vida livre ou semidomiciliados estão mais susceptíveis, como no presente caso relatado, que consistiu em um felino com livre acesso à rua. Ao exame radiológico é bastante evidente algumas características de pacientes com ruptura diafragmática como o deslocamento das vísceras do abdômen dentro da região torácica, bem como a perda da borda ventral do diafragma. Tais sinais foram facilmente identificados ao exame radiográfico do paciente em questão, permitindo rapidamente o diagnóstico da ruptura diafragmática (Tung; Noviana; Lukman, 2024). De acordo com o estudo de Bastiani et al. (2023), o sinal clínico mais frequente observado em gatos com essa afecção foi dispneia, também observada no felino do presente relato. Além disso, os autores referiram que os animais que apresentaram lesões musculoesqueléticas como fratura de costelas, estariam associados ao desenvolvimento de pneumotórax, sendo uma complicação que pode acometer os felinos que apresentaram trauma torácico. No presente caso o felino apresentou pneumotórax no pós-operatório imediato, fato que é esperado devido ao procedimento cirúrgico aberto para a realização da síntese do diafragma.
Conclusão: O exame radiográfico é rápido e eficaz tanto para o diagnóstico da ruptura diafragmática em pequenos animais, quanto para o acompanhamento pós-operatório do paciente.
Referências:
AMARAL, C. M.; MIRANDA, E. S.; MOTA, G. F.; SILVA, I. S. S.; ANJOS, J. M.; SOUZA, J. H.; CARNEIRO, R. L. Caso atípico de ruptura diafragmática canina: Relato de caso. Pubvet, v.17, n. 8, p. 1-7, 2023. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/3181. Acesso em: 2 set. 2025.
BASTIANI, D.; MONTINARO, V.; CIPOLLA, E.; BUSSADORI, R.; PISANI, G.; CINTI, F. Complications and outcome of traumatic diaphragmatic hernia repair without post-operative chest drain: Retrospective study in 90 cats. Open Veterinary Journal, v. 13, n. 6, p. 677-683, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37545705/. Acesso em: 1 set. 2025.
BORGES, Y. N. C.; GUIMARÂES, P. C.; OLIVEIRA, B. M. M.; BIAZZO, L. A. D. B. P. Ruptura diafragmática traumática em felinos. Pubvet, v. 17, n. 7, p. 1-9, 2023. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/3182. Acesso em: 2 set. 2025.
ERGIN, H.; PARLAK, K. Radiographic Evaluation of Thoracic Injuries in Traumatized Cats. Current Veterinary Science, v. 1, n. 1, p. 15-19, 2024. Disponível em: https://dergipark.org.tr/en/pub/currvetsci/issue/89601/1595442. Acesso em: 3 set. 2025.
TUNG, N. L. H.; NOVIANA, D.; LUKMAN, D. W. Case Study of Traumatic Diaphragmatic Hernia Repair in a Cata t Pet First Veterinary Centre, Kuala Lumpur, Malaysia. Acta Veterinaria Indonesiana, v. 12, n. 2, p. 160-167, 2024. Disponível em: https://journal.ipb.ac.id/index.php/actavetindones/article/view/49687. Acesso em: 3 set. 2025.