EFEITOS DE UMA POMADA CICATRIZANTE HOMEOPÁTICA EM EQUINO NA CICATRIZAÇÃO DE FERIDA CUTÂNEA- RELATO DE CASO  
1LARA BRITO SCHNEIDER, 2JUNIOR JORGE DA SILVA ALIXANDRE, 3BRUNA FERRES VIANA, 4CAMILA FERREIRA VASCONCELOS, 5SELMA ALVES RODRIGUES, 6RANULFO PIAU JUNIOR
1Graduanda do Curso de Medicina Veterinária da Unipar – PIBIC/UNIPAR
2Zootecnista
3Graduanda do Curso de Medicina Veterinária da Unipar – PIC/UNIPAR
4Graduanda do Curso de Medicina Veterinária da Unipar – PIC/UNIPAR
5Doutoranda, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR)
6Docente, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: Lesões cutâneas em equinos ocorrem com demasiada frequência por possuírem um comportamento naturalmente reativo e impulsivo, tendem a responder de forma abrupta diante de estímulos percebidos como ameaçadores. Essa característica, contribui para a elevada incidência de lesões corporais, especialmente cutâneas e traumáticas. Além disso, as instalações, pastagens e manejo inadequados também são fatores cruciais para ocorrência destas lesões. A ferida é toda e qualquer solução de descontinuidade anatômica/celular, com comprometimento das funções, geralmente produzida por ação traumática externa sejam estes acidentais ou cirúrgicos (Lopes, 2016; Zahedi et al., 2010). Após a ocorrência da lesão cutânea, inicia-se o processo de reparo, a qual é dividia em três fases: inflamatória, caracterizada pela migração de macrófagos para a área lesionada, que, por sua vez, secretam fatores de crescimento, citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias e fagocitam microrganismos; fase proliferativa, determinada pela proliferação de novos vasos sanguíneos; e fase de remodelamento ou maturação, quando ocorre a deposição de colágeno de maneira organizada. Foi observado através de estudos que a inflamação na espécie equina é branda, porém prolongada (Bundgaard et al., 2016) e sua cicatrização tende a ser mais complexa, devido a particularidade desses animais em produzir tecido de granulação exuberante (Pessoa et al., 2014; Viana et al., 2014). A Homeopatia pode ser uma alternativa no tratamento de feridas de equinos. O objetivo do estudo foi relatar um caso de uso de pomada cicatrizante homeopática em ferida traumática de equinos.
Relato de caso: Proveniente de uma propriedade no município de Aceguá/RS relata-se o tratamento de uma ferida traumática em um equino, fêmea, da raça crioulo, com 5 anos de idade, peso de aproximadamente 400Kg, apresentando bom escore corporal, com lesão localizada na região da nuca do animal, de aproximadamente 10 cm de extenção, causada por manejo em brete. Desta forma procurou-se avaliar a eficácia da pomada homeopática na cicatrização de feridas provocadas em equinos. O tratamento baseou na higienização da lesão diariamente, retirada de tecido necrótico e consequentemente o curativo local com pomadas que favorecem a cicatrização, sendo utilizado a pomada cicatrizante homeopática uma vez ao dia, durante 20 dias, como terapia tópica única. Foi observado nos primeiros dias de tratamento da ferida, a área mais drenada (redução do exsudato), tecido de granulação organizado e com aspecto de cicatrização sem contaminação. Observou-se também um poder repelente da pomada. Ao vigésimo dia, a lesão encontrava-se epitelizada, com sinais positivos como crescimento do pelo.
Discussão: Decorrido vinte dias do tratamento tópico com a pomada cicatrizante homeopática, obteve-se melhora significativa. Um fator relevante observado foi a ausência de tecido de granulação exuberante, embora visto frequentemente em feridas nos membros, o tecido de granulação exuberante pode ser observado em feridas em outras regiões do corpo, sendo caracterizado por inflamação crônica e restos de fibrina não eliminada pela fase aguda da inflamação. A formação do tecido de granulação exuberante é um importante fator associado no retardo da cicatrização de feridas por segunda intenção (Bowlt & Friend, 2011; Fossum, 2014; Pavletic, 2018). A utilização  dos  produtos  homeopáticos  tem  se  destacado  por  apresentarem  propriedades  anti-inflamatórias, antimicrobianas, antioxidantes e por promoverem e estimularem a produção de fibras de colágeno sem efeitos colaterais (Costa et al. 2022). Hostanska et al., 2012 fazendo um estudo in vitro avaliou uma combinação de produtos homeopáticos contendo Arnica montana, Calendula officinalis, Hypericum perforatum e Symphytum officinale sobre fibroblastos NIH 3T3 em um ensaio de corte simulado. Essa preparação apresentou eficácia ao acelerar o fechamento mesmo em baixas concentrações dos medicamentos. Costa et al. (2022) estudando com feridas cirúrgicas induzidas em ratos Wistar, foram testadas pomadas e sprays contendo os seguintes medicamentos homeopáticos: P1 e S1 - Bellis perennis, Calendula officinalis, Myristica sebifera e P2 e S2 - Calendula officinalis, Echinacea angustifólia, Castor equi. A primeira pomada P1 mostrou cicatrização completa por volta do 11º dia, enquanto o spray S1 apresentou progresso por volta do 12º dia. Já P2 e S2 cicatrizaram por volta do 13º dia, e houve maiores diferenças na eficácia entre pomada e spray, foi observado que a pomada foi mais eficaz devido à melhor fixação na ferida. A utilização de medicamentos homeopáticos pode ser uma ótima opção terapêutica para tratamentos de feridas cutâneas em animais.
Conclusão: Dessa forma, podemos concluir que nesse caso, com o uso da pomada cicatrizante homeopática como protocolo terapêutico único, pode se observar um menor surgimento de tecido de granulação exuberante e se propiciou a cicatrização da ferida sem que houvesse contaminação secundária e de forma rápida e adequada, foi observado também um efeito repelente.
Referências:
BOWLT, K.; FRIEND, E. Small animal skin wounds: management of simple, open wounds and non-healing wounds. Companion Animal, v. 16, n. 4, p. 15-20, 2011.
BUNDGAARD, L. et al. A selected reaction monitoring-based analysis of acute phase proteins in interstitial fluids from experimental equine wounds healing by secondary intention. Wound Repair and Regeneration, v. 24, p. 525-532, 2016.
COSTA, B. E. et al. Feridas cutâneas de ratos Wistar submetidos a tratamentos com pomadas e sprays homeopáticos. Revista Interdisciplinar de Pesquisa e Inovação, v. 12, n. 1, p. 36–47, 17 abr. 2022.
FOSSUM, T. W. Cirurgia de pequenos animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
HOSTANSKA, K. et al. A homeopathic remedy from Arnica, marigold, St. Johnʼs wort and comfrey accelerates in vitro wound scratch closure of NIH 3T3 fibroblasts. BMC Complementary and Alternative Medicine, v. 12, art. 100, 18 jul. 2012.
LOPES, M. A. I. Abordagem e maneio médico-cirúrgico de feridas abertas em cães e gatos: caracterização etiológica e estudo de padrões traumáticos. 2016. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina Veterinária) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2016.
PAVLETIC, M. M. Atlas of Small Animal Wound Management and Reconstructive Surgery. 4. ed. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2018. 866 p.
PESSOA, A. F. A. et al. Doenças de pele em equídeos no semiárido brasileiro. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 34, n. 8, p. 743-748, 2014.
THEORET, C. L. et al. Expression of Transforming Growth Factor b1, b3, and Basic Fibroblast Growth Factor in Full-Thickness Skin Wounds of Equine Limbs and Thorax. Veterinary Surgery, v. 30, n. 3, p. 269-277, 2001.
VIANA, L. F. S. et al. Tratamentos complementares para ferida com tecido de granulação exuberante em equino – Relato de caso. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 36, n. 4, p. 417-420, 2014.
ZAHEDI, P. et al. A review on wound dressings with an emphasis on electrospun nanofibrous polymeric bandages. Polymer Advanced Technology,, v. 21, p.77-95, 2010.