GRAMADO SINTÉTICO E AS LESÕES NO FUTEBOL  
1GUSTAVO BORGES PADILHA GASPAR, 2RENATO PEREIRA DE LIMA JUNIOR, 3VICTOR FAZOLLI CAMARA, 4LEONARDO HIDEKI GIMENES OBUTI, 5MARCELO FIGUEIRO BALDI
1Acadêmico do curso de Educação física da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Educação Física da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Educação Física da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Educação Física da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O futebol é o esporte mais popular do mundo, praticado por milhões de pessoas e marcado por grande exigência física, o que o torna uma modalidade com elevada incidência de lesões (EKSTRAND; GILLQUIST, 1982). Entre os diversos fatores que interferem tanto no desempenho esportivo quanto na integridade física dos jogadores, a qualidade do gramado ocupa papel de destaque. Nos últimos anos, a adoção do gramado sintético em estádios brasileiros e internacionais tem gerado intensos debates, principalmente pela possibilidade de aumentar a sobrecarga articular e favorecer o surgimento de lesões musculares e ligamentares. Por outro lado, há quem defenda essa superfície por sua durabilidade, economia de manutenção e padronização das condições de jogo (ECKER; CONCER, 2019; MENDES, 2019).
Objetivo: Analisar a influência do gramado sintético nas lesões do futebol.
Desenvolvimento: Este estudo, desenvolvido a partir de revisão bibliográfica e análise de depoimentos de atletas, médicos e treinadores, buscou compreender a influência do gramado sintético no futebol. Identificou-se que essa superfície apresenta vantagens significativas, como maior resistência às variações climáticas, menor custo de manutenção e regularidade do terreno, fatores que garantem melhores condições de jogo em estádios que recebem múltiplos eventos (SOUZA, 2018; GALIOTTE, 2020), sua previsibilidade pode reduzir riscos relacionados a desníveis ou irregularidades comuns em gramados naturais mal conservados (MENDES, 2019; RUNCO, 2020).
No entanto, os relatos de atletas e profissionais da saúde esportiva apontam preocupações relevantes. A rigidez do solo e a menor absorção de impacto do gramado sintético podem provocar sobrecarga em articulações, especialmente joelhos e tornozelos, além de aumentar o risco de lesões musculares devido à abrasividade (CARVALHO, 2017; FERREIRA, 2021). Jogadores como Diego Ribas, Bruno Henrique e Fred já se manifestaram publicamente contra esse tipo de piso, associando-o a dores, desgaste físico e maior probabilidade de contusões (UOL ESPORTE, 2021; GLOBO ESPORTE, 2020). Essas percepções encontram respaldo em pesquisas médicas que relacionam o sintético a maior frequência de entorses e sobrecargas articulares (COHEN, 2021).
Por outro lado, técnicos e dirigentes defendem sua adoção por razões estruturais e econômicas. No caso do Allianz Parque, por exemplo, o gramado sintético foi considerado a única alternativa viável devido à falta de luz natural e ao uso intenso do estádio para shows e eventos (GALIOTTE, 2020). Além disso, médicos como Ricardo Mendes e José Luiz Runco argumentam que a superfície sintética, quando bem mantida, é estável e previsível, reduzindo riscos ligados a irregularidades do solo (MENDES, 2019; RUNCO, 2020).
Conclusão: Os resultados indicam que não há consenso definitivo sobre a relação direta entre o gramado sintético e o aumento das lesões no futebol. Embora apresente vantagens operacionais e técnicas, como durabilidade e uniformidade, também levanta preocupações quanto à saúde física dos atletas. Dessa forma, conclui-se o uso do gramado sintético deve considerar múltiplos fatores, incluindo o preparo físico e a adaptação dos jogadores, a qualidade da manutenção do campo. Ainda se fazem necessários estudos mais aprofundados para determinar, de forma conclusiva, os reais impactos dessa superfície na prevenção ou no agravamento de lesões esportivas.
Referências:
CARVALHO, E. Gramado sintético e lesões no futebol: análise clínica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 150–155, 2017.
COHEN, M. Entrevista sobre gramado sintético no futebol profissional. Jornal da Ortopedia Brasileira, São Paulo, v. 30, n. 4, p. 45–49, 2021.
DRUMMOND, F. A. et al. Incidência de lesões em jogadores de futebol – Mappingfoot: um estudo de coorte prospectivo. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 27, n. 2, p. 1–13, 2021. ECKER, R. A.; CONCER, I. M. Avaliação da agilidade no futebol em jovens atletas. Brazilian Journal of Soccer Science/Revista Brasileira de Futebol, v. 12, n. 2, 2019. EKSTRAND, J.; GILLQUIST, J. The frequency of muscle tightness and injuries in soccer players. Sports Med., v. 10, p. 75–78, 1982. FERREIRA, A. Entrevista coletiva pós-jogo no Allianz Parque. São Paulo: ESPN Brasil, 20 out. 2021. Disponível em: https://espn.com.br. Acesso em: 31 maio 2025.
SOUZA, R. B. M. de et al. Do jogo ao esporte: notas sobre o futebol society. Revista Carioca de Educação Física, v. 13, n. 1, 2018. UOL ESPORTE. Jogadores do Flamengo criticam gramado sintético da Arena da Baixada. 2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/esporte. Acesso em: 30 maio 2025.