RELEVÂNCIA DA HISTOPATOLOGIA NA AVALIAÇÃO DOS PRINCIPAIS TUMORES DE PELE EM CÃES E GATOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
1MARIA TEREZA DE SOUZA GONÇALVES, 2MARIA EDUARDA DO NASCIMENTO , 3YASMIM GABRIELE ALVES RODRIGUES, 4ANA JULIA SAMPAIO, 5MARIA VITÓRIA NASCIMENTO, 6ÁGHATA FERREIRA XAVIER DE OLIVEIRA
1Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
2Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
3Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
4Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
5Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
6Docente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama.
Introdução: O tegumento é fundamental para o equilíbrio do organismo com o meio externo, atuando na proteção, termorregulação e percepção de estímulos (VOIȚĂ-MEKERES, 2023). É composto pela epiderme, composta por queratinócitos que garantem a barreira física; pela derme, camada de sustentação e nutrição, constituída por tecido conjuntivo com mastócitos, vasos, nervos e anexos cutâneos; e pela hipoderme, formada por tecido adiposo e conjuntivo frouxo, que atua como reserva energética e isolante térmico (KHAVKIN; ELLIS, 2011). Devido à intensa renovação celular, a pele é suscetível a mutações que favorecem o surgimento de tumores cutâneos, responsáveis por parcela significativa das neoplasias em cães e gatos (MEIRELLES et al., 2010). Assim, a histopatologia é indispensável para diferenciar as características tumorais, avaliar proliferação celular e atipias, auxiliando no diagnóstico e na escolha de terapias adequadas (BARRAZA, 2021).
Objetivo: O propósito é analisar características histopatológicas dos principais tumores de pele, auxiliando na compreensão de suas particularidades para definição de um prognóstico mais exato. 
Desenvolvimento: Nas neoplasias, mutações genéticas e epigenéticas resultam em desorganização celular, proliferação descontrolada e invasão tecidual, processos modulados pelo microambiente tumoral (MEIRELLES et al., 2010; YANG, 2023).  Entre os tumores cutâneos, o mastocitoma é um tumor cutâneo maligno prevalente em cães, associado à idade avançada e predisposição racial. Ele decorre da proliferação anômala de mastócitos na derme, podendo invadir tecidos adjacentes (MEIRELLES, 2010; CARVALHO, 2017; HARSHBARGER e MEINKOTH, 2023). Clinicamente, surge como nódulos, mais comuns de baixo grau em membros e de alto grau em cabeça, região inguinal e órgãos internos. Para sua classificação, o sistema de Partnaik criado em 1984, que divide em graus I, II e III, é amplamente usado, embora o grau II apresente interpretações inconsistentes (CARVALHO, 2017). Assim, também se aplica o método de Kiupel de 2011, que classifica apenas em baixo e alto grau. No baixo grau, os mastócitos são bem diferenciados, com até 7 mitoses em 10 campos de grande aumento (400x), sem células multinucleadas ou figuras mitóticas atípicas, indicando baixo risco metastático. Já no alto grau, as células são pouco diferenciadas, polimórficas, apresentam mais de 7 mitoses, três ou mais células multinucleadas, figuras mitóticas atípicas e aumento de núcleo, refletindo alto risco de metástase (HARSHBARGER; MEINKOTH, 2023). O carcinoma de células escamosas (CCE) é outra neoplasia maligna epitelial, mais comum em animais expostos ao sol intenso rotineiramente. Afeta preferencialmente regiões despigmentadas da cabeça, como pálpebras e pavilhão auricular, formando ulcerações e necroses (GUISADO; BONNET; RAMÍREZ, 2025). Caracteriza-se pelo elevado potencial destrutivo, pleomorfismo, mitoses atípicas e aumento nuclear. Sua classificação considera a diferenciação celular (bem, moderadamente ou pouco diferenciadas) e a profundidade da invasão de tecidos adjacentes, classificados em grau 1 que corresponde ao carcinoma in situ nas fases iniciais, grau 2 apresentando infiltração de queratinócitos nas camadas internas, formando pérolas córneas pela queratinização irregular; no grau 3, há invasão do subcutâneo; e grau 4 com intensa infiltração disseminada (JIMÉNEZ-ALONSO et al., 2025). Já o lipoma é um tumor benigno subcutâneo, originado do tecido adiposo da hipoderme. Histologicamente, apresenta crescimento lento, ausência de metástase e mínima invasão tecidual, sendo na maioria assintomático (DEACU, 2023). Sua estrutura é formada por células volumosas, agrupadas ou isoladas, com núcleos atípicos e periféricos, embora sua diferenciação em relação a adipócitos normais seja difícil (FERNANDES, 2021). Forma nódulos bem delimitados que, em região abdominal, podem ser confundidos com tumores mamários (BARRAZA, 2021). Os principais tipos são: clássico, composto por adipócitos maduros; fibroso, associado a tecido fibroso; e infiltrativo, que se estende entre tecidos adjacentes (JIMÉNEZ-ALONSO et al., 2025). O lipossarcoma é um tumor maligno de lipoblastos, distinto do lipoma, podendo estar associado a lesões por vacinas e vírus oncogênicos (FERNANDES, 2021). Apresenta comportamento agressivo e invasivo, classificado em subtipos: bem diferenciado, incluindo o tumor lipossômico atípico, de baixo grau e sem infiltração tecidual; mixoide, intermediário, com risco moderado de metástase; pleomórfico, raro e altamente agressivo; e pouco diferenciado, de alto grau, com coexistência de áreas bem e pouco diferenciadas (DEACU, 2023).
Conclusão: Avaliar as características histopatológicas das neoplasias cutâneas em animais de companhia é essencial para o prognóstico, determinação do grau de diferenciação celular e na identificação de atipias, sendo fundamental para a escolha de tratamentos adequados às especificidades de cada tumor.
Referências:
BARRAZA, V. C. T. Tumores cutâneos/subcutâneos localizados em região de mama e clinicamente diagnosticados como neoplasias mamárias em cães. 2021. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2021.
DEACU, M. et al. The predictive role of the histopathological scoring system in adipose tumors - Lipoma, atypical lipomatous tumor, and lipossarcoma. Diagnostics, v. 13, n. 24, p. 3606, 2023.
FERNANDES, M. G. S. Aspectos citológicos das principais neoplasias mesenquimais tegumentares em cães (Canis familiaris). 2021. Dissertação (Programa de Pós - Graduação em Ciência Animal) – Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, 2021.
GUISADO, F. R.; BONNET, A. S; RAMÍREZ, G. A. Clinical, histological and immunohistochemical study of cutaneous spindle cell squamous cell carcinoma in cats. Veterinary Pathology, v. 58, n. 3, p. 503-507, 2021.
HARSHBARGER, A. A. MEINKOTH, J. H. Cytologic Grading of Mast Cell Tumors in Small Animals. Todayʻs Veterinary Practice. 13 fev. 2023.
JIMÉNEZ-ALONSO, A. A. et al.  Clinical Staging and Histopathological Grading of Inguinal Squamous Cell Carcinoma in Dogs: A Case Series Study. Veterinary Medicine, Research and Reports, v. 16, p. 1-8, 2025.
KHAVKIN, J.; ELLIS, A. F. Aging skin: histology, physiology, and pathology. Facial Plastic Surgery Clinics, v. 19, n. 2, p. 229-234, 2011.
MEIRELLES, A. E. W. B. et al. Prevalência de neoplasmas cutâneos em cães da Região Metropolitana de Porto Alegre, RS: 1.017 casos (2002-2007). Pesquisa veterinária brasileira, v. 30, p. 968-973, 2010.
VOIȚĂ-MEKEREȘ, F. Exploring the embryological origin, anatomy, and histological structure of the skin. Interdiciplinary Research in Medical Sciences Spercialty, v. 3, n. 2, p. 10-16, 2023.
YANG, J. et al. Epigenetic regulation in the tumor microenvironment: molecular mechanisms and therapeutic targets. Signal transduction and targeted therapy, v. 8, n. 1, p. 1-26, 2023.