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| CASOS DE INTERNAÇÃO DE CÃES EM HOSPITAL VETERINÁRIO: UMA ABORDAGEM RETROSPECTIVA | |
| 1BEATRIZ REGINA DE SOUZA, 2LUÍS HENRIQUE NUNES DE SOUZA, 3PRISCILA LUIZA MELLO | |
| 1Discente do curso Bacharelado de Medicina Veterinária na Universidade Guarulhos UNG 2Doutorando do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Universidade Guarulhos UNG 3Professora Doutora do Programa de Pós-graduação da Universidade Guarulhos UNG |
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| Introdução: Os animais de companhia vêm adquirindo papel central nas famílias brasileiras, compondo a chamada família multiespécie. Esse fenômeno social, aliado ao aumento da expectativa de vida dos cães, gera maior demanda por atendimentos veterinários especializados e internações hospitalares (FARIA et al., 2018; SILVA; FERREIRA, 2024). Nesse cenário, a epidemiologia clínica torna-se ferramenta fundamental para compreender a distribuição das principais afecções e subsidiar estratégias de prevenção, manejo e políticas de saúde animal (RAMOS et al., 2016; REICHENHEIM; BASTOS, 2021). Apesar da relevância, ainda há escassez de estudos que sistematizem dados sobre hospitalizações veterinárias, especialmente no Brasil, o que dificulta a construção de protocolos baseados em evidências (PINTO et al., 2015; OLÍMPIO et al., 2020). Assim, investigações retrospectivas são necessárias para identificar perfis populacionais, fatores de risco e motivos de internação, contribuindo para o avanço da prática clínica e da gestão em hospitais veterinários universitários. Objetivo: Analisar retrospectivamente os casos de internação de cães em hospital veterinário universitário, identificando perfil clínico, epidemiológico e principais causas de hospitalização. Material e Métodos: Estudo retrospectivo e observacional realizado no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Guarulhos (HoVet), entre março e agosto de 2023, com análise de 180 prontuários. Variáveis coletadas: raça, idade, porte, sexo, motivo da internação, diagnóstico, tempo de internação e evolução clínica. Os dados foram tabulados em planilha eletrônica e analisados de forma descritiva. Resultados: Foram analisados 180 prontuários de cães internados no HoVet. Predominaram cães sem raça definida – SRD (n=80; 44,4%), de pequeno porte (n=94; 52,2%), fêmeas (n=113; 62,8%) e idosos (>8 anos; n=95; 52,7%). O principal motivo de internação foi pós-operatório (n=87; 48,3%), seguido de afecções gastrointestinais (n=37; 20,5%), neurológicas (n=14; 7,8%) e renais (n=14; 7,8%). A alta médica foi o desfecho mais frequente (n=129; 71,6%), seguida de altas solicitadas (n=15; 8,3%), óbitos (n=19; 10,5%), eutanásias (n=15; 8,3%) e transferências (n=2; 1,1%). Discussão: Os achados evidenciam predominância de fêmeas idosas de pequeno porte, perfil que reflete a realidade urbana brasileira, onde cães menores são preferidos por questões de espaço e manejo (LEE et al., 2020; NAM et al., 2024). A alta frequência de SRD sugere impacto da adoção e da heterogeneidade genética, fatores que podem influenciar tanto a resistência a doenças quanto a exposição a riscos ambientais. A elevada proporção de casos pós-operatórios destaca a importância do cuidado cirúrgico e do monitoramento intensivo, sobretudo em mastectomias, associadas à elevada prevalência de neoplasias mamárias em cadelas (HANSEN, 2015; HÖRNFELDT; MORTENSEN, 2023). Esse achado dialoga com pesquisas que apontam a cirurgia como tratamento de primeira escolha, especialmente quando precoce, aumentando o prognóstico de sobrevida (XAVIER et al., 2023). Afecções gastrointestinais, neurológicas e renais configuraram-se como causas relevantes de hospitalização, corroborando estudos prévios que associam distúrbios alimentares, doenças infecciosas e nefropatias a elevados índices de morbidade em cães (OLÍMPIO et al., 2020; NASCIMENTO et al., 2022). A maior gravidade de internações renais, refletida em maior taxa de óbitos e eutanásias, reforça a complexidade clínica dessas condições e a necessidade de protocolos específicos de suporte intensivo. Por outro lado, a predominância de altas médicas evidencia boa resposta terapêutica na maioria dos casos, sinalizando eficácia do manejo hospitalar. Ainda, a análise retrospectiva demonstrou que especialidades como dermatologia e oftalmologia, embora prevalentes em consultas ambulatoriais, raramente demandam internação, confirmando dados de literatura que apontam menor risco vital associado a essas afecções (NASCIMENTO et al., 2022). A discrepância entre casuística hospitalar e clínica ambulatorial reforça a necessidade de estudos multicêntricos que padronizem critérios diagnósticos e permitam comparabilidade entre serviços. Conclusão: O estudo demonstrou que a maioria das internações ocorreu em cães idosos e fêmeas, com predominância de casos pós-operatórios e gastrointestinais. A curta duração da maior parte das internações sugere efetividade terapêutica, enquanto as eutanásias e óbitos ressaltam a gravidade de determinadas condições. Os resultados evidenciam a importância de medidas preventivas voltadas à geriatria, da alocação eficiente de recursos e da atenção às particularidades epidemiológicas locais. Dessa forma, a pesquisa contribui para a compreensão epidemiológica da prática clínica veterinária e oferece subsídios para o aprimoramento do manejo hospitalar e da formação acadêmica. |
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| Referências: FARIA, A. C. M. et al. Estudo retrospectivo da rotina clínica. Brasília: UniCEUB, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5102/pic.n3.2017.5847. Acesso em: 8 set. 2025. HANSEN, A. C. S. G. Mastectomia e OSH como terapia preventiva em neoplasias mamárias em cadelas: revisão de literatura. Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, 2015. Disponível em: http://ri.ufrb.edu.br/jspui/handle/123456789/2094. Acesso em: 8 set. 2025. HÖRNFELDT, M. B.; MORTENSEN, J. K. Surgical dose and the clinical outcome in mammary gland tumours in female dogs: a literature review. Acta Veterinaria Scandinavica, v. 65, p. 12, 2023. DOI: https://doi.org/10.1186/s13028-023-00674-1. LEE, H. J. et al. The relationship between dog-related factors and ownersʻ attitudes toward pets: an exploratory cross-sectional study in Korea. Frontiers in Veterinary Science, v. 7, p. 67, 2020. DOI: https://doi.org/10.3389/fvets.2020.00067. NAM, Y. et al. Dog size and breed are associated with lifetime prevalence of behaviour disorders in pet dogs. Scientific Reports, v. 14, p. 2436, 2024. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-024-52388-9. NASCIMENTO, K. K. F. et al. Levantamento retrospectivo da rotina no setor de clínica médica de pequenos animais do HV-ASA/IFPB nos anos de 2014 a 2019. Revista Principia, v. 59, n. 4, 2022. DOI: https://doi.org/10.18265/1517-0306a2021id5810. OLÍMPIO, M. S. et al. Casuística das afecções cirúrgicas em pequenos animais no Hospital Veterinário da Universidade de Marília no período de 2013 a 2018. Revista Unimar Ciências, 2021. Disponível em: https://ojs.unimar.br/index.php/ciencias/article/view/1665. Acesso em: 8 set. 2025. PINTO, C. E. C. et al. Análise da casuística das afecções cirúrgicas observadas na clínica cirúrgica de pequenos animais da FMVZ-USP no período de 1988 a 2007. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 52, n. 1, p. 41-47, 2015. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1678-4456.v52i1p41-47. RAMOS, F. L. P. et al. As contribuições da epidemiologia social para a pesquisa clínica em doenças infecciosas. Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 7, n. esp, p. 221-229, 2016. DOI: https://doi.org/10.5123/s2176-62232016000500025. REICHENHEIM, M.; BASTOS, J. L. O quê, para quê e como? Desenvolvendo instrumentos de aferição em epidemiologia. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 40, 2021. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2021055002813. SILVA, R. M. A.; FERREIRA, L. O. C. Família multiespécie: desafios da legislação sobre a guarda de animais de estimação. Revista Gestão e Conhecimento, v. 18, n. 2, 2024. DOI: https://doi.org/10.55908/RGCV18N2-019. XAVIER, R. G. C. et al. Canine pyometra: a short review of current advances. Animals, v. 13, n. 21, p. 3310, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/ani13213310. |
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