PROMOÇÃO DA SAÚDE INFANTIL: O PAPEL DO ENFERMEIRO NA INTRODUÇÃO ALIMENTAR  
1ANA CAROLINA MOREIRA, 2MILENA ZONIN PEREIRA, 3ELIZETE FATIMA FACHIM , 4ADRIELE GOMES, 5HAYANI SANCHES
1Acadêmico do curso de enfermagem UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução:  De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aleitamento materno exclusivo  deve ser mantido até os seis meses de vida, considerando a importância da amamentação, fato que implica no desenvolvimento saudável na infância e adolescência. Porém a partir dessa idade a composição e quantidade do leite não é suficiente para suprir as necessidades nutricionais da criança, sendo necessário o início da alimentação (OMS, 2023).  A consulta de puericultura realizada pelo enfermeiro na Atenção Primária à Saúde é o momento de instruir sobre como iniciar o processo de introdução alimentar, o profissional pode explicar sobre os horários para ofertar a comida, texturas, a importância de evitar alimentos ultraprocessados, temperos e açúcar, promovendo hábitos saudáveis desde os primeiros meses. Além de orientar sobre como iniciar a alimentação com relação aos cardápios que devem ser seguidos (Baier et al., 2020).
Objetivo: Expor a atuação do enfermeiro da saúde pública com foco na atenção primária acerca da introdução alimentar durante as consultas de puericultura.
Desenvolvimento:  Para o desenvolvimento saudável da criança a introdução alimentar é crucial, marcada pela transição do aleitamento materno à inclusão de alimentação sólida. O processo impacta no seu crescimento e desenvolvimento motor, e prevenção de  doenças crônicas. Para os genitores essa etapa da vida do bebê pode gerar dúvidas, principalmente sobre qual o é momento certo da introdução e quais alimentos incluir na dieta (Bouskelá, 2019). O enfermeiro da atenção primária é fundamental na linha de frente do cuidado infantil, oferecendo suporte  às famílias durante o processo. Nas consultas de puericultura e acolhimento de enfermagem o profissional educa sobre a introdução alimentar e ajuda a garantir que ocorra de maneira segura e eficaz, respeitando o desenvolvimento de cada bebê e monitorando através das consultas de enfermagem a presença de riscos, alergias alimentares ou possíveis doenças crônicas (Oliveira; Moreira; Luiz, 2019).  A introdução iniciada antes dos sinais de prontidão pode resultar em consequências prejudiciais para a saúde do bebê, aumentando o risco de contaminação, reações alérgicas, desmame precoce e acidentes como engasgo. Em contrapartida, tardar o início da alimentação também traz riscos, como dito anteriormente, depois do sexto mês o leite materno sozinho não é capaz de suprir as necessidades energéticas da criança, diminuindo o crescimento e aumentando o risco de deficiências nutricionais (Porto, et al., 2021).  Durante a consulta de enfermagem direcionada ao bebê inicialmente é feito o acolhimento e então inicia-se a entrevista sobre qual rotina está sendo seguida, como é feita a higiene da criança, orientado sobre a importância de passar pelo dentista mesmo antes do início da dentição, e então o enfermeiro realiza a avaliação cefalo-caudal avaliando sinais de desnutrição, obesidade, sinais de possíveis intolerâncias alimentares e afins (Dourado et al., 2022).  A introdução alimentar é uma etapa determinante no processo de crescimento e desenvolvimento saudável da criança, sendo fortemente influenciada por fatores biológicos, sociais, culturais e econômicos. Nesse contexto, a atuação do enfermeiro na APS torna-se estratégica e indispensável, não apenas pela responsabilidade técnica, mas também pelo papel educativo e acolhedor junto às famílias (Peres et al.,2021).   No entanto, a prática profissional enfrenta desafios importantes, especialmente quando se trata da diversidade cultural presente no território brasileiro. O enfermeiro muitas vezes atende famílias estrangeiras que possuem hábitos e práticas de cuidado distintas daquelas preconizadas pelos protocolos nacionais de saúde. Esse cenário exige sensibilidade cultural, conhecimento e uma postura ética. Orientar sobre a introdução alimentar, por exemplo, em comunidades que utilizam condimentos e alimentos sólidos precocemente, ou que apresentam crenças populares sobre certos alimentos, demanda do profissional habilidades comunicativas específicas ou capacidade de negociação (França et al., 2023). Outro aspecto importante é o enfermeiro reconhecer as particularidades de cada bebê, como o nascimento prematuro, contexto familiar e condições socioeconômicas, para que a introdução alimentar ocorra no tempo adequado e com segurança. A avaliação clínica, os sinais de prontidão e a escolha do método alimentar devem ser discutidos com clareza, sempre respeitando as preferências da família e priorizando o bem-estar e a segurança da criança.
Conclusão:  Diante disso, conclui-se que a atuação do enfermeiro na introdução alimentar ultrapassa o âmbito técnico, envolvendo aspectos sociais, culturais e afetivos que exigem um olhar humanizado e qualificado. Superar os desafios requer investimento em educação permanente, fortalecimento das redes de apoio interprofissional e o reconhecimento do enfermeiro como agente central na promoção da saúde infantil e na construção de práticas alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida.
Referências:
BAIER, M.P et al. Aleitamento materno até o sexto mês de vida em municípios da Rede Mãe Paranaense. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 5, e00123420, 2020. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/enfermagemuerj/article/view/51623
BOUSKELÁ, A. Atenção Primária à Saúde e Promoção da Alimentação Saudável no Primeiro Ano de Vida. 2019. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019. 
DOURADO, F.A et al. Introdução da alimentação complementar em crianças prematuras. Rev. CEFAC. 2022;24(4):e4122, BH, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcefac/a/PHSgHQNwGKpRyR43DcRkKWS/?lang=pt 
FRANÇA, B.S et al. O cuidado de Enfermagem e a diversidade cultural: um estudo reflexivo. Revista Práxis, v. 15, n.29, 2023. Disponível em: https://revistas.unifoa.edu.br/praxis/article/view/3799 
OLIVEIRA, B. de A.; MOREIRA, J. P. L.; LUIZ, R. R. A influência da Estratégia Saúde da Família no uso de serviços de saúde por crianças no Brasil: análise com escore de propensão dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, p. 1495–1505, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/nBT4MdvjDfTNkXWwg3gvdwb/abstract/?lang=pt. 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Alimentação de bebês e crianças pequenas. [S.L], 2023. Disponível em: https://www.who.int/data/nutrition/nlis/info/infant-and-young-child-feeding. 
PERES, J.F, et al. Percepções dos profissionais de saúde acerca dos fatores biopsicossocioculturais relacionados com o aleitamento materno. Saúde Debate, v. 45, n. 128, p. 141-151, PR, 2021. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/vBfBHM4sP9F6q4sYysRCnLg/ 
PORTO, J.P, et al. Aleitamento materno exclusivo e introdução de alimentos ultraprocessados no primeiro ano de vida: estudo de corte no sudoeste da Bahia, 2018. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, n. 2, e2020614, 2021. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742021000200013&lng=pt&nrm=iso.