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| IDENTIFICAÇÃO DE MICROFILÁRIA EM ARAÇARI-CASTANHO (Pteroglossus castanotis) NO PARANÁ: RELATO DE CASO | |
| 1MARIA EDUARDA RODRIGUES COSTA, 2FERNANDA GABRIELA TRINDADE, 3NICOLAS NOGUEIRA PINHATA, 4JULIA SANTOS DE LIMA, 5ANA LUIZA ARAUJO DOS SANTOS, 6JULIANE SIPP | |
| 1Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR 2Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR 3Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR 4Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR 5Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR 6Docente da Universidade Estadual de Maringá |
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| Introdução: A microfilária consiste na forma larval de primeiro estágio de parasitos nematoides da superfamília Filarioidea. As larvas são liberadas pelas fêmeas adultas e entram na corrente sanguínea, tecidos subcutâneos e sistema linfático do seu hospedeiro vertebrado, onde serão ingeridas por um hospedeiro invertebrado hematófago, responsável em disseminá-la a outro hospedeiro através de repasto sanguíneo (Bartlett 2008). O araçari-castanho (Pteroglossus castanotis) pertence à família Ramphastidae, em conjunto com os tucanos, e se distribuem pela América do Sul e América central na região neotropical (Sick 1997). Há relatos em várias partes do mundo de infecções por microfilárias em aves silvestres, contudo diante da expressiva diversidade de espécimes no Brasil, faz-se necessário aprofundar as pesquisas sobre hemoparasitas que possam impactar essa população (Azevedo 2024), visto que as aves exercem papel fundamental no equilíbrio ambiental, realizando funções ecológicas essenciais que abrangem desde a dispersão de sementes até a regulação da população de insetos em áreas agrícolas (Rodriguez 2008). Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é relatar o caso de um Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis) resgatado com presença de microfilária sem sinais indicativos, a fim de ampliar os conhecimentos sobre a identificação desses parasitas na família Ramphastidae, visto que não há muitos relatos da presença do parasito nestas aves. Relato de caso: O Centro de apoio à fauna (CAFS) do Centro-Oeste do Paraná recebeu, em julho de 2024, um araçari-castanho (Pteroglossus castanotis), de vida livre, encaminhado após resgate. O animal encontrava-se estável e sem manifestações clínicas aparentes no momento da admissão. Além do exame físico, foram realizados exames complementares, a fim de avaliar a condição de saúde da ave. Realizou-se um hemograma e lâminas de esfregaço sanguíneo coradas pelo método de coloração de May-Grunwald-Giemsa, a análise microscópica das lâminas evidenciou a presença de exemplares compatíveis com microfilárias circulantes, hemoparasitos extracelulares com corpo alongado, basofílico. Apesar da identificação do parasito nas lâminas sanguíneas, durante o período de observação, o animal não evidenciou manifestações clínicas relacionadas à hemoparasitose. Discussão: Em aves, as microfilárias costumam ser classificadas como não patogênicas, podendo circular no organismo sem provocar sinais clínicos evidentes (Campbell 1995). No entanto, em determinadas situações, sua presença pode ocasionar anemia, inflamação de vasos sanguíneos, comprometer o estado nutricional dos indivíduos e aumentar a susceptibilidade a complicações em indivíduos com imunidade comprometida ou sujeitos a interferências ambientais (Ribeiro et al., 2020). Os achados necroscópicos em aves infectadas por microfilárias podem incluir cardiomegalia, inflamação difusa e hemorragias no miocárdio, aumento da vascularização, tenossinovite, além de alterações patológicas nos tecidos pulmonares. Tais lesões refletem o impacto sistêmico da infecção, indicando comprometimento tanto do sistema cardiovascular quanto do musculoesquelético e respiratório (Brum 2016). Os relatos de detecção de microfilária são mais comuns em determinadas espécimes, sendo ainda escasso em diversas espécies, porém apesar de serem frequentemente relatas, possuem prevalência inferior quando comparadas a outros hemoparasitas encontrados (Azevedo 2024). A presença de parasitos sanguíneos em aves e os efeitos que exercem sobre seus hospedeiros são influenciados por múltiplos fatores ambientais, incluindo modificações climáticas, expansão urbana, degradação de habitats e características ecológicas locais, que determinam a abundância e a distribuição dos vetores. Avaliar essas variáveis é crucial para compreender os impactos desses hemoparasitos, recomenda-se que estudos futuros sobre sua ocorrência incorporem também a análise das condições abióticas das áreas investigadas (Gouveia 2024) Conclusão: A detecção de microfilárias em aves torna-se essencial, independentemente da presença de sinais clínicos aparentes, a fim de avaliar a prevalência e ocorrência desse hemoparasita em diferentes espécies e contribuir para o mapeamento epidemiológico. Essa abordagem permite também identificar a presença de vetores em regiões diversas e compreender os potenciais impactos das larvas sobre diferentes populações de aves. Considerando a limitada disponibilidade de literatura sobre microfilárias em aves silvestres brasileiras, este estudo se mostra relevante para fundamentar futuras investigações e promover avanços científicos nessa área. Adicionalmente, o parasito apresenta potencial de infectar aves domésticas e animais de companhia não convencionais, com possíveis repercussões diretas na produção avícola e em aspectos econômicos associados. |
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| Referências: AZEVEDO, N. W. et al. Presença de microfilária em araçari castanho (Pteroglossus castanotis) em Realeza - Paraná. XIII Seminário de Ensino, Pesquisa e Extensão, [s. l.], 2024. Disponível em: https://portaleventos.uffs.edu.br/index.php/SEPE-UFFS/article/view/21838/15656. Acesso em: 4 set. 2025. BARTLETT, C. M. Filarioid Nematodes. In: ATKINSON, C. T.; THOMAS, N. J.; HUNTER, D. B. Parasitic Diseases of Wild Birds. Iowa: Wiley-Blackwell, 2008. Cap. 26, p. 439-462. BRUM, W. M. et al. Parasitismo em aves silvestres residentes e migratórias da Ilha da Marambaia, Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa Veterinária Brasileira, [s. l.], v. 36, n. 11, p. 1101-1108, nov. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pvb/a/sXXCgkVwfwDWyRSykrDtH3F/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 6 set. 2025. CAMPBELL, T. W. Avian Hematology and Cytology. 2. ed. [s. l.]: Wiley–Blackwell, 1995. GOUVEIA, A. J. Prevalência de microfilária em aves selvagens em Santana do Araguaia, estado do Pará, Brasil. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina veterinária) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, Jaru, 2024. Disponível em: https://repositorio.ifro.edu.br/server/api/core/bitstreams/b447d68b-bbc9-4975-b1ff-0cc3699fc65c/content. Acesso em: 4 set. 2025. RIBEIRO, P. V. A.; CURY, M. C.; MELO, C. Primeiro registro de microfilárias em Antilophia galeata (Aves: Pipridae). Acta Brasiliensis, [s. l.], v. 4, n. 2, p. 106-109, maio, 2020. Disponível em: http://revistas.ufcg.edu.br/actabra/index.php/actabra/article/view/302. Acesso em: 7 set. 2025. RODRÍGUEZ, J. P.; ROJAS-SUÁREZ, F. Libro rojo de la fauna venezolana. 3. ed. Caracas, Provita: Shell Venezuela, 2008. SICK, H. Tukani: Entre os animais e os índios do Brasil Central. Rio de Janeiro, Marigo comunicação visual, 1997. |
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