INTEGRAR VERTICALMENTE OU IR A MERCADO, EIS A QUESTÃO
1ERICA APARECIDA ROMERO ORTEGA, 2FILIPE DA SILVA SANTOS
1Professor da Universidade Paranaense
2Professor da Universidade Paranaense
Introdução: A década de 1990 marcou um período de profundas transformações na economia brasileira, com a abertura do mercado nacional, especialmente para setores como o têxtil. Esse novo cenário competitivo, impulsionado pela liberação de importações e a entrada de novos players globais, como a China, forçou as empresas a reestruturarem suas cadeias produtivas. A partir dessa realidade, o estudo busca pelas lentes teóricas da Nova Economia Institucional (NEI) e, de forma mais aprofundada, da Economia dos Custos de Transação (ECT), para entender as estratégias de coordenação e governança adotadas pela indústria têxtil.
Objetivo: Descrever as formas de coordenação e as estruturas de governança na cadeia têxtil no Brasil e no mundo. A justificativa para o estudo é tanto acadêmica quanto profissional, contribuindo para a compreensão do "Estado da Arte" que envolve a aplicação da abordagem macro e micro institucional na cadeia produtiva têxtil. Profissionalmente, espera-se que o estudo ofereça insights para que os gestores otimizem a eficiência da governança em suas empresas.
Desenvolvimento: O artigo se fundamenta na ECT (Williamson, 1985; 2000), que considera a firma não apenas como uma função de produção, mas como uma estrutura de governança capaz de mitigar custos de transação. Do ponto de vista de classificação metodológica, essa pesquisa quanto ao seu objetivo se enquadra como descritivo (Marconi; Lakatos, 2023), de abordagem qualitativa (Creswell, 2014), utilizando de pesquisa bibliográfica (Gil, 2021), cujas análises dos dados serão elaboradas por intermédio da técnica de revisão sistemática de literatura (Galvão; Pereira, 2014).
A decisão crucial de "fazer ou comprar" (make or buy decision) surge como um meio de garantir a coordenação e eficiência. Williamson (1985) propõe que essa escolha depende da especificidade dos ativos envolvidos, com o mercado, as formas híbridas e a integração vertical como as principais estruturas de governança. A pesquisa utilizou uma revisão sistemática de literatura, analisando 13 artigos das bases de dados ScienceDirect e Web of Science. Os resultados indicam que, em nível nacional, a estrutura de governança de uma empresa pode ser diretamente influenciada por variáveis institucionais, levando a uma situação intermediária em que a integração vertical ou a terceirização podem ser mais eficientes dependendo da região. Já no contexto internacional, principalmente em países como México, Rússia, Índia, China, Bangladesh e Itália, a tendência do setor têxtil é a integração vertical para manter o controle sobre a qualidade, produtividade e agilidade.
Conclusão: A pesquisa reforça a importância das instituições no comportamento dos agentes e na escolha das estruturas de governança. As descobertas corroboram a teoria de Williamson ao mostrar que, dependendo do contexto (nacional ou internacional) e dos fatores institucionais e mercadológicos, a decisão entre integrar verticalmente (make) ou terceirizar (buy) se torna uma estratégia para alcançar eficiência. A aplicação dos conceitos da NEI e da ECT à cadeia têxtil revela que não há uma única solução ideal, mas sim um arranjo de governança que se adapta às particularidades do ambiente e da busca por otimização. O estudo contribui para a compreensão da complexidade da cadeia têxtil, indicando que a sobrevivência e a adoção de arranjos verticais estão intrinsecamente ligadas à sua compatibilidade com o ambiente institucional.
Referências:
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Creswell, J. W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre cinco abordagens. Porto Alegre, RS: Penso, 2014.
Faro, T. M. L., Saad, K., & Sisto, N. F. Estratégias de inovação para a competitividade no setor têxtil: A visão de gestores de empresas de confecção de meias. In: SEMEAD, 16, 2013.
Galvão, T. F., & Pereira, M. G. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 23(1):183-184, jan-mar. DOI: 10.5123/S1679-49742014000100018, 2014.
Gil, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2021.
Marconi, M. A., Lakatos, E. M. Fundamentos da metodologia científica. 8ed. São Paulo: Atlas, 2023.
Williansom, O. E. The Economic Institutions of Capitalism: firms, markets, relational contracting. New York: The Free Press, 1985.
______. The New Institutional Economics: Taking Stock, Looking Ahead. Journal Of Economic Literature, [s.l.], v. 38, n. 3, p.595-613, set. American Economic Association. http://dx.doi.org/10.1257/jel.38.3.595, 2000.