DIAGNÓSTICO RADIOGRÁFICO DE PNEUMONIA EM KING SNAKE (LAMPROPELTIS GETULA) – RELATO DE CASO  
1EUGENIA PIVETTA MONTEIRO RODRIGUES, 2MARTINA GALERIANI PIRASOL, 3CAMILA APARECIDA LUIZ, 4GIOVANNA FRANCO HERNANDES CANTARIN, 5ODUVALDO CÂMARA MARQUES PEREIRA JÚNIOR
1Discente do programa de Pós Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal, Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Umuarama – PR
2Discente do Programa de Residência Médico-Veterinária em Diagnóstico por Imagem, Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Umuarama – PR
3Discente do Programa de Residência Médico-Veterinária em Clínica Cirurgica de Pequenos Animais, Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Umu
4Discente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Umuarama – PR
5Docente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá (UEM) Campus Umuarama-PR
Introdução: As serpentes pertencem à Classe Reptilia, Ordem Squamata e Subordem Serpentes ou Ophidia, constituindo o segundo maior grupo de répteis, com aproximadamente 3.848 espécies descritas até o momento. Essa subordem apresenta diversas patologias infecciosas de origem bacteriana e, assim como outros répteis, esses animais raramente manifestam sinais clínicos evidentes nas fases iniciais da doença, tornando o diagnóstico precoce um grande desafio (RODRIGUES, 2021). O aumento da popularidade desses animais está associado às mudanças no estilo de vida moderno e à busca por animais de companhia que demandem menos espaço e atenção em comparação à maioria dos mamíferos domésticos (PEES et al, 2007). A manutenção de serpentes em cativeiro constitui um desafio, visto que o manejo adequado depende da integração de diversos fatores, como temperatura, umidade, iluminação, alimentação, espaço físico e condições de higiene (OLIVEIRA, 2019). Os métodos de diagnóstico por imagem desempenham papel essencial na avaliação das doenças que acometem répteis de estimação. A radiografia e a ultrassonografia permanecem como as técnicas de maior aplicação clínica, enquanto modalidades mais avançadas, como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM), vêm sendo incorporadas de forma crescente à medicina veterinária (BANZATO et al, 2013). O presente trabalho tem por objetivo relatar um caso de pneumonia e traqueíte em serpente, destacando a relevância da radiografia como ferramenta diagnóstica na medicina de répteis
Relato de Caso: Foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá – HVU, uma serpente da espécie King Snake, fêmea, de 2 anos e 5 meses de idade, pesando 0,240kg, para a realização de exame radiográfico de tronco para avaliação pulmonar. O médico veterinário solicitante relatou que o animal apresentava sinais clínicos de estomatite, além de secreção nasal e oral, achados compátiveis com alterações do sistema respiratório inferior. Devido ao quadro clínico, foi solicitado o exame radiográfico de tronco a fim de auxiliar na elucidação diagnóstica, especialmente diante à suspeita de pneumonia. Foram realizadas radiografias em projeções latero-lateral e ventro-dorsal. À avaliação das imagens observou-se moderada opacificação em região caudal de campos pulmonares, associado a irregularidade predominantemente em região média das bordas pulmonares, decorrente da sobreposição de estruturas de radiopacidade de água/ tecidos moles. Esses achados sugeriram como principais diagnósticos diferenciais, pneumonia e presença de secreção/exsudato ou líquido livre extrapulmonar. Além disso,  a traqueia apresentava trajeto discretamente irregular com diminuíção de lúmen em região cranial e caudal, tendo como diagnóstico diferencial a traqueíte. Com base nos achados clínicos e radiográficos, o tratamento instituído foi a nebulização com enrofloxacina associada à administração de meloxicam. Após o início da terapia, o animal apresentou melhora progressiva do quadro clínico, encontrando-se estável e apto a ser alimentado, conforme protocolo de manejo adequado para a espécie.
Discussão: O mundo pet tem expandido seu espaço para animais não convencionais, com destaque para os répteis, especialmente as serpentes (RODRIGUES, 2021). Infelizmente, muitos répteis são adquiridos por tutores inexperientes, com conhecimento limitado sobre as necessidades específicas de manejo e ambiente desses animais. Como consequência, cresce o número de répteis levados a clínicas veterinárias, muitos dos quais apresentam doenças decorrentes de condições inadequadas de alojamento e alimentação(PEES et al, 2007). Nesses animais, as infecções do trato respiratório ocupam papel de destaque, sendo atribuídas a diversos agentes etiológicos e, em muitos casos, decorrentes da disseminação de processos infecciosos localizados, com potencial evolução para sepse. A simplicidade do sistema respiratório desses animais, associada à ausência de diafragma funcional, aumenta sua suscetibilidade a quadros respiratórios graves. Ademais, características morfológicas e fisiológicas dos pulmões favorecem a retenção de secreções e exsudatos nas vias respiratórias inferiores (OLIVEIRA, 2019). As radiografias são úteis para avaliar a quantidade de muco ou exsudato nos pulmões. A interpretação das radiografias pulmonares é mais desafiadora porque as cobras não têm diafragma, o que pode permitir que o estômago e o fígado pressionem o pulmão, dando a impressão da presença de excesso de muco ou exsudato nestes (DRIGGERS, 2000). No paciente em questão os achados clínicos e radiográficos permitiram o diagnóstico de traqueíte e pneumonia, sendo a terapia apropriada imediatamente iniciada, levando à melhora no quadro clínico do animal.
Conclusão: O caso demonstra a importância dos exames de imagem na medicina de répteis, permitindo identificar alterações em trato respiratório. O exame radiografico foi essencial para orientar o diagnóstico diferencial e a escolha terapêutica, possibilitando evolução clínica positiva.
Referências:
RODRIGUES, A.E.M. Importância do manejo e infecções bacterianas em serpentes: revisão de literatura. Monografia (Bacharel em Medicina Veterinária) - Centro Universitário Presidente Antônio Carlos. Juiz de Fora, p. 20. 2021.
PEES, M.C., et al. Computed tomography of the lungs of Indian pythons (Python molurus). American journal of veterinary research, v. 68, n. 4, p. 428-434, 2007.
OLIVEIRA, C.C. Estudo soroepidemiológico da infecção por paramixovírus ofídico em serpentes mantidas em cativeiro. Dissertação (Mestre em Doenças Tropicais) - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Botucatu, p. 77. 2019.
BANZATO, T., et al. A review of diagnostic imaging of snakes and lizards. Veterinary Record, v. 173, n. 2, p. 43-49, 2013.
DRIGGERS, T. Respiratory diseases, diagnostics, and therapy in snakes. Veterinary Clinics of North America: Exotic Animal Practice, v. 3, n. 2, p. 519-530, 2000.