ENCONTROS CARTOGRÁFICOS AFETIVOS: UMA APRESENTAÇÃO DO PROJETO METAMORFOSE  
1ANA BEATRIZ MUNHOZ, 2DAIANA ZAGO LUPEPSA, 3LORIE BOMBARDA MARTINI, 4BARBARA COSSETTIN COSTA BEBER BRUNINI
1Aluna de Psicologia - Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: O estar estagiárias em formação universitária, ensaia responsabilidades além do conhecimento técnico e científico, exige a implicação estética e política do encontro com outras mulheres durante o movimento cartográfico de cocriação de cuidados em saúde mental. O Projeto Metamorfose, proposto enquanto um convênio entre o Complexo Social de Umuarama e a Unipar, se faz presente na escrevivência (EVARISTO, 2020) deste resumo que descreve a prática de estágio e suas intervenções com mulheres em monitoramento eletrônico.
Objetivo: Apresentar brevemente a construção e trajetória do Projeto Metamorfose, convênio entre o Complexo Social de Umuarama e a UNIPAR, desenvolvido durante a realização do estágio específico II em Psicologia na Universidade Paranaense durante o segundo semestre de 2025.
Desenvolvimento: A pesquisa-intervenção cartográfica é pensada como uma contribuição para a criação de dispositivos interventivos singulares, trazendo ética ao processo dos encontros em espaços onde é possível compartilhar afetos/vivências fundamentais para a subjetivação das mulheres envolvidas na ação de cocriação de espaços de atenção à saúde mental de mulheres em monitoramento eletrônico, além de favorecer conexões entre o método e o compromisso social da Psicologia (Cavagnoli; Macheirie, 2020).  O processo de intervenção em saúde mental de mulheres enquanto uma proposta do estágio na formação em Psicologia da UNIPAR, se faz um local que escapa à percepção e à linguagem da violência, do abandono e da negligência. Refletindo sobre o processo de formação acadêmica, as alunas do estágio específico II, foram convidadas pelo Complexo Social de Umuarama-PR (DEPPEN), a pensar e concretizar ações relativas ao “Projeto Metamorfose”. Os Complexos Sociais são equipamentos públicos de gestão compartilhada entre os Poderes Judiciário e Executivo, projetados para acolher e atender usuários e seus familiares em eixos distintos como Pessoas Pessoas Monitoradas por Tornozeleira Eletrônica pelo Núcleo de Atendimento a Pessoas Monitoradas (NUPEM). A culpabilização social, a ruptura de vínculos familiares, o regressar à sociedade vivido sob estigma, e o desamparo institucional são fatores que agravam a saúde mental destas mulheres. A partir do cenário macrossocial marcado pela desigualdade e violência de gênero (BUTLER, 2021), o “Projeto Metamorfose” tem como objetivo, acolher as usuárias ou familiares de usuários do Complexo Social, por meio de encontros mensais, entre agosto e outubro de 2025, propondo momentos dialógicos entre acadêmicos de diferentes cursos e as mulheres participantes onde são propostas temáticas como autoconhecimento, autocuidado, direitos humanos e protagonismo sobre a própria vida. A atuação da Psicologia exige um compromisso com os princípios éticos da profissão, especialmente no que se refere à promoção da dignidade humana, ao respeito à diversidade e à crítica às práticas excludentes e de controle social que ocorrem através de práticas invisíveis, cotidianas e institucionais (FOUCAULT, 1987) que moldam o comportamento e se fazem promotoras de sofrimento psicossocial dessas mulheres em conflito com a lei.  
Conclusão: O uso da tornozeleira eletrônica é apresentado como uma medida de pena “alternativa”, mas sua aplicação ainda é marcada por controle punitivo e ausência de suporte psicossocial no acompanhamento dessas mulheres. O dispositivo ainda atua como um prolongamento simbólico da prisão, limitando a autonomia e reproduzindo o estigma penal. Nesse cenário, a Psicologia precisa intervir não apenas na assistência individual, mas também comprometer-se em minimizar os efeitos da punição contínua e promover estratégias de cuidado e fortalecimento da autonomia.
Referências:
Cavagnoli, Murilo; Macheirie, Katia. A cartografia como estratégia metodológica à produção de dispositivos de intervenção na Psicologia Social. Fractal: Revista de Psicologia, v. 32, 1. p. 64 -71. jan - abr. 2020. Disponível em: . Acesso em: 04/09/2025. 
Butler, Judith (2021), A força da não-violência. Lisboa: Edições 70, 166 pp. Tradução de Hugo Barros [ed. orig. 2020].
Escrevivência : a escrita de nós : reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo / organização Constância Lima Duarte, Isabella Rosado Nunes ; ilustrações Goya Lopes. -- 1. ed. -- Rio de Janeiro : Mina Comunicação e Arte, 2020.
Foucault, Michel. F86v Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987.