TRANSMISSÃO VERTICAL DA TOXOPLASMOSE: FATORES DE RISCO E MEDIDAS DE CONTROLE
1LETÍCIA CATELANI DA SILVA, 2GIULIA RAMIRES NEVES, 3RAFAELA GUIMARÃES DE OLIVEIRA, 4LUCIANA VIEIRA PINTO RIBEIRO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A toxoplasmose é causada pelo Toxoplasma gondii, sua transmissão ocorre pela ingestão de alimentos infectados, hemotransfusão, transplante de órgãos e pode evoluir com transmissão vertical (TV) (PAQUET, YUDIN; 2013). A transmissão fetal ocorre predominantemente em casos de infecção primária (fase aguda) durante a gestação, em menor grau de reativação (em imunossuprimidas) ou por uma reinfecção do protozoário (MILEWSKA, et al; 2015). O risco de infecção aguda com repercussões fetais é maior em mulheres sem exposição anterior à gestação (PESSANHA, et al; 2011). Na maioria das gestantes, a infecção é assintomática ou semelhante a um quadro gripal (PAQUET, YUDIN; 2013). Há evidências que as consequências gestacionais estão associadas com o aumento da resposta inflamatória tecidual levando a apoptose de células e necrose da placenta (COUTINHO, et al; 2012)
Desenvolvimento: A transmissão vertical do T. gondii varia com o momento da infecção materna durante a gestação: é mais baixa no primeiro trimestre, aumentando progressivamente até se tornar mais elevada no terceiro trimestre (BONETTI, et al; 2025). Essa dinâmica temporal é fundamental para o manejo clínico, pois implica que detecção precoce e intervenção durante a gravidez podem reduzir significativamente o risco de infecção fetal. Em outro estudo recente, fatores independentes associados ao risco de infecção durante a gestação incluíram viver em áreas rurais (OR 2,89; IC 95 %: 1,42–5,9; p = 0,004) e consumo de carne crua (OR 2,07; IC 95 %: 1,03–4,18; p = 0,04), ressaltando a importância de medidas educativas direcionadas e contextualizadas para o ambiente social da gestante (BIENKOWSK, et al, 2022). Esses dados evidenciam que estratégias de prevenção devem combinar a triagem sorológica sistemática no início da gestação com educação sanitária individualizada sobre hábitos alimentares e ambientais de risco, sobretudo em regiões rurais ou de menor acesso à informação. Adicionalmente, a iniciativa médica educativa - orientando sobre a cocção adequada de carnes e cuidados com ambientes potencialmente contaminados por oocistos - se mostra essencial para reduzir a incidência de TV e suas consequências adversas (BARZGAR, et al; 2024).
Conclusão: Diante do exposto, evidencia-se a importância de as gestantes serem orientadas sobre mudanças no estilo de vida, evitando alguns alimentos e o contato com as fezes dos felinos, medidas fundamentais para preservar a saúde da mãe e do bebê. Além disso, enfatiza-se a necessidade de ampliar a divulgação de conhecimentos profiláticos em regiões com menos acesso à informação, medida fundamental para a redução dos casos de transmissão vertical de Toxoplasma gondii. O acompanhamento materno-fetal configura-se como uma estratégia que resulta em desfechos positivos, tanto na prevenção da toxoplasmose quanto no diagnóstico e tratamento precoces da doença, prevenindo, assim, a sua transmissão vertical. 
Referências:
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PESSANHA, T. M.; CARVALHO, M.; PONE, M. V. S.; GOMES JÚNIOR, S. C. Diagnostic and therapeutic management of toxoplasmosis in pregnancy and the effect in the newborn. Revista Paulista de Pediatria, v. 29, p. 341-347, 2011.