![]() | |
|---|---|
![]() | |
| A DEPRESSÃO NOS ANIMAIS DOMÉSTICOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1MIHANA ISABELLA ROSSI DA COSTA, 2CAROLINA DIAS OSTE, 3PATRÍCIA MARQUES MUNHOZ | |
| 1Acadêmica do curso de Medicina Veterinária na UEM 2Acadêmica do curso de Medicina Veterinária na UEM 3Docente da UEM |
|
| Introdução: Atualmente, o transtorno depressivo maior (TDM) tem se mostrado muito presente na sociedade. Segundo a OMS, cerca de 350 milhões de pessoas vivem com essa condição, que é a principal causa de invalidez pessoal e precursor do suicídio, fazendo aproximadamente 800.000 vítimas ao ano. Compreende a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Trata-se de uma patologia de etiologia multifatorial, sendo que fatores como a genética e o estresse contribuem significativamente para o desenvolvimento do transtorno (CORRÊA, 2020). Sabe-se que diversas patologias humanas podem ser compartilhadas com os animais, o que remete ao questionamento se o mesmo pode acontecer com a depressão. Tal doença ainda é muito pouco discutida pelos Médicos Veterinários, mas pode estar relacionada com o apego emocional dos homens aos seus animais. Quando presente, a depressão pode ocasionar diversos sinais clínicos nos animais, porém, ainda não existe nenhum tipo de protocolo padronizado para ser seguido pelos profissionais (BURNIER et al., 2013). Objetivo: Revisar brevemente sobre o transtorno depressivo maior e sobre o uso de modelos animais, pontuando a possibilidade dessa patologia também afetar tais animais. Desenvolvimento: A depressão pode ser definida como uma desordem primariamente associada ao humor diminuído, seguido de outros sintomas (DIAS, 2009). Os animais, assim como os seres humanos, são seres sencientes, podendo apresentar afeto, medo, ansiedade, euforia e tristeza. Esses sentimentos, que interferem na sua saúde mental, se relacionam com o bem-estar animal. Assim, diversas doenças comportamentais podem, de fato, acometer os animais, dentre elas a ansiedade, a depressão e a estereotipia (PISA, 2022). Os seres humanos vêm, há muitos anos, utilizando modelos animais (MA) como forma de avaliar e comparar a sintomatologia de doenças com a expectativa de adquirir conhecimento sobre sua fisiopatologia. Tal prática teve início com os gregos, os quais utilizavam animais mortos como fonte de estudos; com o passar dos anos, o uso de MA se tornou importante instrumento para a descoberta de alvos terapêuticos, biomarcadores e novas drogas, ajudando a entender e estabelecer padrões de toxicidade, relações farmacodinâmicas e farmacocinéticas, mecanismos de ação e segurança (CORRÊA, 2020). O uso de MA sugere que uma ampla gama de cientistas aceita que os animais são representantes válidos da depressão humana. A maior evidência da possibilidade da existência de depressão em espécies não-humanas é atribuída à responsividade dos MA utilizados para o teste e eficácia de drogas antidepressivas. Nesse contexto, alguns modelos roedores, após o uso de antidepressivos, apresentaram redução da imobilidade e alteração completa à anedonia quando expostos ao teste de suspensão da cauda, um paradigma famoso de estresse crônico; além disso, a separação materna prematura aumenta o risco de hiperalgesia induzida pelo estresse, que simula os efeitos da síndrome do cólon irritado em ratos, muito semelhante ao que acontece com seres humanos que sofrem de depressão; por último, macacos, quando afastados de seu grupo familiar prematuramente, podem apresentar comportamentos depressivos (DIAS, 2009). Em 2013, foi realizado um trabalho com objetivo de se testar um protocolo que auxiliaria os Médicos Veterinários a chegar a um diagnóstico de depressão em cães através de um formulário denominado MEDIDEC. Este, destinado aos tutores que procuravam auxílio veterinário nas cidades de Campinas e Jaguariúna-SP, era baseado em perguntas de múltipla escolha relacionadas ao comportamento do animal, o que incluía aspectos relacionados à sua interação, padrões de comportamento e alimentação. Tal formulário foi respondido por 178 tutores de cães, revelando, estatisticamente via testes de esferacidade de Bartellet e ACP, que realmente existe uma significância (P>0,005) entre o estilo de vida do animal, a falta de liberdade no ambiente, convivência com outros animais, o não aceite do toque, tristeza, baixa interatividade e apatia com a existência de depressão. Dessa forma, foi possível concluir que os fatores de cunho social do animal estão relacionados com o desenvolvimento de depressão em cães, mas também que outras formas de manifestações físicas não devem ser ignoradas (BURNIER et al., 2013). Conclusão: A depressão ainda é pouco falada no âmbito da Medicina Veterinária, porém, com o avanço das ideias e mais estudos sendo realizados, a possibilidade diagnóstica tende a aumentar, bem como a chance da criação de um tratamento para tais animais. Por conta disso, é de extrema importância uma atenção aos princípios básicos de bem-estar animal, fato que reflete na boa saúde mental do mesmo. Há alguns anos isso não aparentava uma preocupação, porém atualmente vem se revelando num risco real, perante o qual a doença não deve ser ignorada. |
|
| Referências: BURNIER, J. J. P.; MATTEU, O. L.; ROSA, K. R. Estratégias para identificação de depressão em cães. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 69–69, 2013. Disponível em: https://www.revistamvez-crmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/16805. Acesso em: 3 set. 2025. CORREA, Pedro Henrique da Rosa. O estudo da depressão maior em modelos animais: Uma revisão da literatura. Monografia (Trabalho de Conclusão de Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2020.Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/232280. Acesso em: 4 set. 2025. DIAS, A. M. A depressão em humanos e outras espécies. Estudos e Pesquisas em Psicologia, UERJ, RJ, Ano 9, N.3, P. 582-595, 2° semestre de 2009. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4518/451844630003.pdf. Acesso em: 3 set. 2025. PISA, J. P. N.; TACITO, J. L. C.; JANSEN, S. M.; LEME, D. P.Eu comprei, mas ele não está feliz: Caso de depressão canina em uma obra infantojuvenil – Revisão Bibliográfica. II Congresso Brasileiro de Proteção, Bem Estar e Patologia Animal, Março 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Joao-Paulo-Pisa/publication/359188638_Eu_comprei_mas_ele_nao_esta_feliz_Caso_de_depressao_canina_em_uma_obra_infantojuvenil_-Revisao_Bibliografica/links/622c8cc897401151d213acdb/Eu-comprei-mas-ele-nao-esta-feliz-Caso-de-depressao-canina-em-uma-obra-infantojuvenil-Revisao-Bibliografica.pdf. Acesso em: 4 set. 2025. |
|