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| ESTADO NUTRICIONAL DE CRIANÇAS BRASILEIRAS DE 5 A 10 ANOS: ANÁLISE REGIONAL DOS INDICADORES NUTRICIONAIS | |
| 1MARCELO AUGUSTO ALVES BATAIELO, 2ANDRÉ FELIPE DA SILVA OLIVEIRA, 3ENZO MATSUMOTO, 4ELLEN GUTERRES OLIVEIRA, 5ELOISA CORREA, 6MARCELA DE ANDRADE PEREIRA SILVA | |
| 1Acadêmico de enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. 2Acadêmico de Enfermagem Bolsista PIBIC/Uningá 3Acadêmico de Nutrição pelo Centro Universitário Ingá. 4Acadêmico de biomedicina pelo Centro Universitário Ingá. 5Acadêmico de enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. 6Doutora em Ciências da Saúde, Docente no Centro Universitário Ingá. |
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| Introdução: A avaliação do estado nutricional de crianças é uma ferramenta essencial para monitorar a saúde e orientar políticas públicas mais eficazes. O baixo peso e a obesidade infantil são problemas multifatoriais, que apresentam variações regionais significativas. Desequilíbrios nutricionais na infância, incluindo carência de nutrientes e consumo excessivo de ultraprocessados, são desafios globais (BRASIL, 2014). No Brasil, sistemas de monitoramento como o SISVAN, indicam que desertos alimentares reduzem o consumo de alimentos in natura e aumentam a ingestão de ultraprocessados entre crianças (SILVA et al., 2024). Dentro do Sistema Único de Saúde, há uma diversidade de políticas públicas, programas e estratégias voltadas à alimentação e nutrição, porém, o país encontra-se em retrocesso diante da maioria das metas propostas pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (OLIVEIRA, 2025). Dessa forma, analisar o estado nutricional infantil com foco regional permite compreender os avanços e limitações das políticas de segurança alimentar, ressaltando a necessidade de políticas públicas capazes de reduzir as desigualdades regionais. Objetivo: Avaliar as disparidades regionais nos índices nutricionais de crianças brasileiras entre 5 e 10 anos, no período de 2015 a 2024. Material e Métodos: Trata-se de um estudo ecológico e de séries temporais , sobre o período de 2015 a 2024, realizado com dados nacionais do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), foi selecionado o estado nutricional de crianças de 5 a 10 anos e a região de residência, sendo obtido os valores absolutos e relativos por ano/região e analisado a variação percentual. Resultados: No período de estudo, observou-se em todas as regiões brasileiras, predominância de crianças em estado de eutrofia (84,18%). Contudo, apenas a região Norte não apresentou redução desse indicador ao longo do período. A região Nordeste apresentou o maior percentual de crianças com muito baixo peso (47,7%) e baixo peso (45,4%) em comparação às demais. Por outro lado, as regiões Sul (14,62%) e Sudeste (13,18%) registraram as maiores prevalências de excesso de peso. Verificou-se redução de muito baixo peso em todas as regiões do país, com destaque para as regiões Sul (-44,3%) e Sudeste (-42,0%). O baixo peso também apresentou redução, especialmente nas regiões Norte (-28,0%) e Nordeste (-23,5%). Em contrapartida, essas duas regiões concentraram os maiores aumentos percentuais de excesso de peso no período analisado, com um aumento percentual de 36,5% na região Norte e 32,2% na região Nordeste. Ressalta-se, que entre 2020 e 2022 ocorreu um aumento expressivo nos índices de excesso de peso em todas as regiões, com ápice em 2021, seguida por uma posterior redução. No entanto, apesar dessa queda, o percentual ao final da série histórica manteve-se superior ao registrado no início do período, em todas as regiões do país. Discussão: Os resultados revelam um cenário complexo e multifacetado da nutrição infantil em crianças de 5 a 10 anos, no Brasil. Segundo (Mrejen et al., 2023, p. 2) o Brasil vivencia simultaneamente a redução dos indicadores de desnutrição e o crescimento da obesidade infantil, com variações marcantes entre as regiões. Embora o índice de eutrofia se mantenha alto, o excesso de peso apresentou crescimento acelerado, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, e mantendo-se alto nas regiões Sul e Sudeste (BRASIL, 2022). Em contrapartida, os indicadores de peso muito baixo e baixo para a idade apresentaram redução percentual, mas com variação significativa entre as regiões. O Nordeste, historicamente mais vulnerável, concentrou os maiores valores absolutos e relativos de baixo peso, confirmando as desigualdades regionais já apontadas por Facchini et al., 2014 que destacam a relação entre vulnerabilidade socioeconômica, insegurança alimentar e déficits nutricionais. Apesar dos avanços no combate à desnutrição, o problema persiste de forma desigual no território nacional. A literatura também evidencia que a elevada ingestão de alimentos ultraprocessados entre crianças, associada à diminuição do consumo de alimentos in natura, é um fator determinante para o aumento do excesso de peso (MONTEIRO et al., 2020, p. 3). Por fim, vale destacar que, apesar de sua importância para o monitoramento nutricional, o SISVAN abrange apenas a população atendida na Atenção Primária, o que pode influenciar nos resultados. Conclusão: Os achados evidenciam disparidades regionais no estado nutricional infantil no Brasil. Enquanto as regiões Sul e Sudeste concentram os maiores percentuais de excesso de peso, as regiões Norte e Nordeste ainda apresentam os maiores índices de baixo peso. Entretanto, estas últimas também foram as que registraram o maior crescimento percentual de excesso de peso ao longo do período estudado, o que revela desigualdades estruturais que exigem intervenções urgentes. Ampliar o acesso a alimentos in natura e fortalecer a educação alimentar, respeitando contextos socioeconômicos e culturais, é fundamental para reduzir as disparidades nutricionais no país. |
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| Referências: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 11 ago. 2025. ELIAS, Lilian de Pellegrini; PERIN, Gabriela; SILVA, Julia de Oliveira; VIDIGAL, Lea; MARQUES, Felipe Jabali. Construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos através das compras públicas de alimentos da agricultura familiar: uma revisão integrativa. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 63, e286963, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9479.2025.286963. Acesso em: 11 ago. 2025. FACCHINI, L. A. et al. Insegurança alimentar no Nordeste e Sul do Brasil: magnitude, fatores associados e padrões de renda per capita para redução das iniquidades. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 1-15, jan. 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00036013 MONTEIRO, C. A.; CANNON, G.; LAWRENCE, M.; et al. Ultraprocessed foods, diet quality, and health using the NOVA classification system. Public Health Nutrition, v. 22, n. 5, p. 936-941, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1017/S1368980018003762 RICARDO, B. I.; CARVALHO, A. M. DE; LOURENÇO, B. H. Exposição a desertos alimentares e marcadores do consumo alimentar entre crianças acompanhadas no Sisvan. Saúde em Debate, v. 48, n. spe1, p. e8593, ago. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2358-28982024E18593P. SANTANA, Elis Rejane Araújo; SANTOS, Lucimara Correia dos; REIS, Josefa Stéfani Oliveira; VOCI, Silvia Maria. Promovendo a alimentação saudável na escola: desafios na abordagem da alimentação saudável de forma integrada às práticas pedagógicas. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, SP, v. 31, n. 00, p. e024011, 2024. Disponível em: Periódicos UNICAMP SILVEIRA, JACD; MREJEN, M; CRUZ, MV; ROSA, L. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) como ferramenta de monitoramento do estado nutricional de crianças e adolescentes no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 39, n. 1, e00169622, 2023. DOI: 10.1590/0102-311XPT169622. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT169622. Acesso em: 10 ago. 2025. |
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