SARCOPENIA EM IDOSOS HOSPITALIZADOS: CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E PREVENÇÃO  
1KELORI PAVLAK MORETTO, 2ANTONELLA PERUSO LIRA SCHEIDT, 3RICARDO MARCELO ABRAO
1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR
3Professor Titular do curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A sarcopenia consiste numa condição clínica multifatorial com prevalência acentuada nos idosos que se associa a diversas consequências de saúde e contribui para a redução da qualidade de vida (PIRES et al., 2022). No entanto, esse processo natural é amplificado por condições externas adversas, como hospitalizações prolongadas, inatividade física e má nutrição. A combinação desses fatores agrava a perda funcional do idoso, contribuindo para a dependência nas atividades básicas, aumento da morbimortalidade e piora da qualidade de vida (MARTINEZ et al., 2016). Estima-se que sua prevalência no Brasil varie de 8% a 58,1%, sendo mais comum a partir dos 70 anos e afetando até metade dos idosos acima de 80 anos. Com uma fisiopatologia complexa, que envolve alterações celulares, hormonais e metabólicas, a sarcopenia representa um desafio clínico crescente em uma sociedade marcada pelo envelhecimento populacional (CAMPOS et al., 2020).
Objetivos: Realizar uma revisão de literatura acerca dos impactos da sarcopenia em idosos hospitalizados, destacando os fatores associados ao seu desenvolvimento, suas consequências clínicas e funcionais, bem como a importância do cuidado multiprofissional para prevenção e manejo dessa condição.
Desenvolvimento: O termo sarcopenia - do grego, ʻsarx+peniaʼ (traduzindo-se por carne e perda, respetivamente) - foi descrito teoricamente pela primeira vez em 1989 por Irwin Rosenberg - perda de massa muscular diretamente relacionada com a progressão da idade (PIRES et al., 2022).  A fisiopatologia é multifatorial, internamente observa-se um desequilíbrio entre os processos anabólicos e catabólicos do tecido muscular, favorecendo a degradação da massa muscular esquelética. Isso ocorre especialmente pela diminuição da síntese proteica e pela ativação de vias catabólicas impulsionadas por inflamação crônica, estresse oxidativo e alterações hormonais (PIRES et al., 2022). Ao nível celular ocorre uma redução em número e tamanho das fibras musculares tipo II, uma diminuição de células satélite (o que compromete a capacidade regenerativa do músculo esquelético) e infiltração de adipócitos no tecido muscular (mioesteatose), contribuindo para a diminuição da qualidade e função muscular. Também se observa uma disfunção mitocondrial que contribui para a atrofia das fibras musculares, devido à redução da sua capacidade oxidativa (MARTINEZ et al., 2018). Além disso, o envelhecimento está associado a uma diminuição dos níveis de hormonas com potencial anabólico como a insulina, a hormona de crescimento, a testosterona e IGF-1, o que constitui um contributo para a redução da síntese proteica muscular nos idosos. Paralelamente, fatores externos como a hospitalização intensificam o risco e a progressão da sarcopenia (LICOVISKI; BORDIN; MAZZO, 2021; COSTA; CEBOLA, 2020). A hospitalização pode ser um evento estressante ao idoso, além de gerar consequências negativas, como declínio funcional evoluindo para dependência, aparecimento de lesões por  pressão  devido  a  imobilidade  ou  redução  da  atividade física,  comprometimento  cognitivo,  desnutrição,  depressão, isolamento social e até mesmo fragilidade (LICOVISKI; BORDIN; MAZZO, 2021).  Todos esses fatores convergem para o aumento da fragilidade, morbidade e mortalidade, destacando a necessidade de uma avaliação multiprofissional precoce, utilizando instrumentos como o teste de velocidade de marcha de seis metros (TVM6). Intervenções que combinem nutrição adequada, atividade física e acompanhamento clínico contínuo são essenciais para preservar a funcionalidade e a autonomia do idoso hospitalizado (MARAFON et al., 2018).
Conclusão: A sarcopenia, além de representar um marcador biológico do envelhecimento, é uma síndrome que reflete o impacto da hospitalização sobre a saúde do idoso. A imobilidade, o estresse metabólico, o isolamento social e a desnutrição durante o internamento aceleram os mecanismos fisiopatológicos que levam à perda de massa e função muscular. Diante disso, é imprescindível a atuação precoce e coordenada de equipes multiprofissionais, com foco na avaliação funcional e nutricional, a fim de minimizar os efeitos deletérios da sarcopenia e promover um envelhecimento mais ativo, saudável e com maior autonomia.     
Referências:
CAMPOS, M.I.X. et al. Fatores associados ao diagnóstico de sarcopenia em idosos internados em um hospital público de Pernambuco. Brazilian journal of Development, v. 6, n. 5, p. 23110-23126, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/9505/8002. Acesso em: 28 jul. 2025.
COSTA, D.G; CEBOLA, M. Prevalência de sarcopenia em idosos em internamento hospitalar. 2020. Disponível em: https://repositorio.ipl.pt/bitstreams/92e08964-5454-4d1d-a28f-057f66e67c66/download. Acesso em: 28 jul. 2025.
LICOVISKI, P. T; BORDIN, D; MAZZO, D. M. Relação entre dependência para realização de atividades básicas de vida diária e risco de sarcopenia em idosos internados. Acta fisiátrica, v. 28, n. 4, p. 245-250, 2021. Disponível em: https://revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/190859/179792. Acesso em: 28 jul. 2025.
MARAFON, Nelcimara Lúcia et al. Avaliação da sarcopenia em idosos hospitalizados. Publicatio UEPG: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 24, n. 2, p. 84-92, 2018. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/biologica/article/view/13178. Acesso em: 28 jul. 2025.
MARTINEZ, B. P. et al. Viabilidade do teste de velocidade de marcha em idosos hospitalizados. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 42, p. 196-202, 2016.Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/bb3sxpYjQKKNXXtcr3tZCTF/?lang=pt&format=html. Acesso em: 28 jul. 2025.
MARTINEZ, B. P. et al. Existe associação entre massa e força muscular esquelética em idosos hospitalizados?. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 19, n. 02, p. 257-264, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/PttB9CPbfsnCQ8BQPBZVr3v/?lang=pa . Acesso em: 28 jul. 2025.
PIRES, M. M. G. C. Sarcopenia: relação entre estado nutricional e qualidade de vida em idosos hospitalizados. 2022. Dissertação de Mestrado. Universidade de Lisboa (Portugal). Disponível em: https://www.proquest.com/openview/836e2b9d7c1a0ab837a68ef6adc303d0/1?pq-origsite=gscholar&cbl=2026366&diss=y . Acesso em: 28 jul. 2025.