ANSIEDADE E DEPRESSÃO EM MULHERES COM INFERTILIDADE: REVISÃO INTEGRATIVA  
1LETÍCIA CATELANI DA SILVA, 2GIULIA RAMIRES NEVES, 3MARIA LUIZA PELUCI DE PAULA, 4MARCELA OLIVEIRA CHIAVARI FREDERICO
1academica do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A infertilidade pode ser vista como uma condição social em que indivíduos ou casais enfrentam dificuldades para assumir os papéis reprodutivos e parentais esperados pela sociedade. Sob a perspectiva médica, trata-se de uma disfunção do sistema reprodutivo, caracterizada pela incapacidade de obter uma gestação após, no mínimo, 12 meses de relações sexuais sem o uso de métodos contraceptivos. (ALVES E GALHARDO, 2016) O diagnóstico de infertilidade afeta negativamente os casais que desejam ter filhos. Contudo, os impactos psicológicos tendem a ser mais intensos nas mulheres, principalmente devido ao estigma social que associa a identidade feminina à capacidade de gerar filhos. A ideia de que a fertilidade está diretamente ligada ao valor e à feminilidade da mulher provoca sentimentos de culpa, autocrítica, baixa autoestima, dúvidas e inseguranças. Essas reações psicológicas aumentam o risco de desenvolver Transtornos Mentais Comuns, como ansiedade e depressão. (VIEIRA, 2023). 
Objetivo:Este estudo tem como objetivo analisar a relação entre infertilidade e o desenvolvimento de transtornos mentais comuns em mulheres, com ênfase na ansiedade e depressão, buscando compreender os impactos psicológicos, sociais e emocionais dessa condição e destacar a importância de estratégias de apoio e acolhimento no contexto da saúde integral da mulher.
Desenvolvimento: A definição de infertilidade como a ausencia de gravidez após 12 meses de relações sexuais sem nenhum método contraceptivo (DEMARQUE, et al; 2014). Entretanto, a definição pode variar de acordo com as informações avaliadas. Em mulheres com 35 ou mais, ou com histórico de aborto de repetição (DEMARQUE, et al; 2014). O diagnóstico pode vir com apenas 6 meses de tentativas, pois a habilidade de conceber declina com o aumento da idade. A infertilidade pode ser classificada como primária (não ter filhos) ou secundária (incapacidade de conceber). A perda da capacidade reprodutiva promove um abalo considerável na economia narcísica, justamente por ser um importante referencial identificatório de feminilidade e masculinidade. (CUNHA, et al; 2008). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que entre 60 e 80 milhões de casais em todo o mundo enfrentam dificuldades para conceber filhos. Desejar ter filhos mas se deparar com a impossibilidade desse processo não é apenas uma questão ginecológica, mas também um problema de saúde biopsicossocial.(BEHADUR, et al; 2024). A infertilidade pode provocar sofrimento conjugal, insatisfação sexual, conflito conjugal e diversos impactos emocionais, como medo, ansiedade, tristeza e depressão entre as mulheres ( DEMARQUE; et al; 2014). 
Sendo assim, como cita Canto (2025), a infertilidade pode causar várias consequências na saúde mental das mulheres, como desequilíbrio emocional, manifestando-se através de sentimentos como tristeza, inquietação, ansiedade e, em alguns casos, um peso significativo de culpa, visto que para muitas mulheres gerar um filho é o que a torna mulher e é essencial para a sua identidade. Além disso, há os problemas mentais relacionados à reprodução assistida, pois há questões como procedimentos invasivos e desconfortáveis; tempo mais longo do que o desejado para engravidar e além disso, questões financeiras, que podem prejudicar seriamente a qualidade de vida e bem-estar mental das mulheres e seus parceiros, como apresenta Canto (2025). A confrontação com esses obstáculos pode desencadear ansiedade, depressão e níveis elevados de estresse, como apresenta citação de Firme; Alves, 2022, em trabalho de Canto (2025). Portanto, diante desse difícil cenário, conforme Isidro et al (2025) , é preciso que os órgãos responsáveis e profissionais de saúde priorizem a necessidade de triagem psicológica e serviços especializados em mulheres com maior risco de desenvolver essa triste doença, a depressão gerada pela infertilidade.
Conclusão: Diante do exposto, fica evidente que a infertilidade ultrapassa os limites do diagnóstico médico, impactando profundamente a saúde emocional, relacional e social das mulheres. O estigma cultural associado à maternidade, somado aos desafios físicos, emocionais e financeiros dos tratamentos de reprodução assistida, contribui para o aumento dos casos de ansiedade, depressão e sofrimento psíquico. Portanto, é fundamental que a infertilidade seja abordada de forma integral, considerando não apenas os aspectos biológicos, mas também os fatores psicológicos e sociais. A implementação de políticas públicas que garantam apoio psicológico contínuo, acolhimento humanizado e acesso igualitário a tratamentos pode contribuir significativamente para a melhora da qualidade de vida das mulheres afetadas por essa condição.
Referências:
VIEIRA, Antonio Martins et al. Impacto do diagnóstico de infertilidade na saúde mental da mulher. Revista Encontros Científicos UniVS, v. 5, n. 1, 2023.
ALVES, Joana Catarina Nunes Ribeiro; GALHARDO, Ana. Estudo exploratório do papel mediador do evitamento experiencial na relação entre o stresse relacionado com a infertilidade e a depressão. 2016.
DEMARQUE, Renata et al. Infertilidade feminina. Debates em Psiquiatria, Rio de Janeiro, v. 4, n. 4, p. 30–32, 2014. DOI: 10.25118/2236-918X-4-4-4. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/237. Acesso em: 24 jul. 2025.
CUNHA, M. do C. V. da et al. Infertilidade: associação com transtornos mentais comuns e a importância do apoio social. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 30, n. 3, p. 201–210, set. 2008.
BAHADUR, A. et al. Anxiety, depression, and quality of life among infertile women: a case-control study. Cureus, v. 16, n. 3, p. e55837, 9 mar. 2024. DOI: 10.7759/cureus.55837. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10999894/. Acesso em: 24 jul. 2025.
CANTO, Giorgia Azevedo. Repercussões da infertilidade na saúde mental da mulher: revisão integrativa. 2025. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Enfermagem) — Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/292603/001243770.pdf?sequence=1. Acesso em: 24 jul. 2025.
ISIDRO, Isadora Tonhá Moreira et al. Os efeitos físicos e psicossociais da endometriose na saúde da mulher. Revista Eletrônica Acervo Médico, v. 25, e19182, 2025. DOI: https://doi.org/10.25248/reamed.e19182.2025. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/19182. Acesso em: 25 jul. 2025.