USO DA TÉCNICA DE INJEÇÃO INTRACITOPLASMÁTICA DE ESPERMATOZÓIDES NA FERTILIZAÇÃO IN VITRO: PERSPECTIVAS, BENEFÍCIOS E LIMITAÇÕES COMO TÉCNICA DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA  
1ANA CLARA MARTINS GOLIA, 2GIOVANA MIOTO DE MOURA
1Acadêmica do curso de biomedicina/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Intrdoução: No Brasil, há uma projeção de crescimento de 23% na área da fertilização in vitro, um dado que em números movimentará cerca de 1,3 bilhão de reais até 2026 (Associação Brasileira de Reprodução Assistida, 2023). Essa busca pode estar relacionada com distúrbios endócrinos, ausência e/ou baixa qualidade de espermatozoides. A tecnologia vem contribuindo em auxílio às mulheres, mas é importante indicar que a manipulação de gametas e embriões pode afetar o metabolismo da prole a longo prazo (Navarro, Salles, 2022). 
Objetivo: Descrever o uso da injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) na fertilização in vitro, apresentando suas perspectivas, benefícios e limitações como técnica de reprodução assistida.
Desenvolvimento: A crescente procura por técnicas de reprodução assistida está associada ao adiamento da maternidade, à idade avançada dos óvulos, ao estresse, à endometriose e à redução da qualidade do sêmen. Além disso, o interesse por esses métodos abrange diferentes perfis de pacientes, incluindo casais heterossexuais, homossexuais, pessoas solteiras e indivíduos transgêneros, reforçando a importância de abordagens inclusivas (Associação Brasileira de Reprodução Assistida, 2023). A fertilização in vitro é um processo em que o óvulo é coletado da mulher e fecundado em laboratório; posteriormente, o embrião é transferido para o útero após avaliação médica e preparo endometrial adequados, conforme protocolos específicos do tratamento (Lui Yovich, 2020). Entre as técnicas existentes, destaca-se a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), considerada um método avançado que permite a fertilização mesmo em casos de infertilidade masculina grave. Sua eficácia foi investigada pelo setor de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, que avaliou não apenas a implementação técnica, mas também aspectos relacionados à estimulação ovariana e às respostas obtidas (Carneiro et al., 1999). As primeiras experiências com a FIV foram voltadas a mulheres com obstruções tubárias irreversíveis (Deeks, 2018). Atualmente, a técnica é indicada também para mulheres com doenças pélvicas, endometriose, infertilidade sem causa aparente ou falhas em outros tratamentos, embora ainda existam chances de concepção espontânea (Ledger et al., 2006). No estudo realizado por Carneiro et al. (1999), foram conduzidos 23 ciclos de ICSI, sendo que em 10 deles também se aplicou a FIV convencional em parte dos oócitos. Após a indução da superovulação controlada, foram coletados 261 oócitos, dos quais 73 foram destinados à FIV convencional e 188 à ICSI. As taxas de fertilização foram de 39,7% para a FIV e 33% para a ICSI, resultando em embriões viáveis, dos quais 33 foram transferidos. Até o momento do estudo, uma gestação clínica foi registrada. O procedimento envolve etapas específicas, como a remoção do complexo cumulus-corona, a seleção rigorosa de espermatozoides e a microinjeção direta no citoplasma, reforçando o caráter altamente técnico do método. Apesar do avanço tecnológico, a técnica apresenta limitações, como o custo elevado, o uso de medicações hormonais e o risco aumentado de gestações múltiplas e complicações associadas (Rao et al., 2025). Ainda assim, a ICSI representa uma alternativa segura e eficaz para diferentes contextos clínicos, desde que associada ao acompanhamento médico e ao monitoramento dos desfechos maternos e fetais.
Conclusão: A ICSI consolidou-se como uma inovação relevante dentro da reprodução assistida, sobretudo para casos de infertilidade masculina grave. Seus resultados apontam taxas satisfatórias de fertilização e formação de embriões viáveis, com potencial de aplicação em diferentes contextos clínicos. No entanto, o método ainda apresenta desafios, como o custo elevado e a necessidade de monitoramento dos desfechos maternos e fetais a longo prazo. Assim, a ICSI deve ser considerada uma ferramenta importante, mas utilizada de forma criteriosa, em conjunto com avaliação médica individualizada e contínuo aprimoramento científico (Wessel et al., 2023).
Referências:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA. Setor da reprodução assistida deverá crescer, em média, 23% ao ano até 2026. São Paulo: SBRA, 2024. Disponível em: https://sbra.com.br/noticias/setor-da-reproducao-assistida-devera-crescer-em-media-23-ao-ano-ate-2026/. Acesso em: 8 set. 2025.
LUI YOVICH, J. Founding pioneers of IVF update: innovative researchers generating livebirths by 1982. Reproductive Biology, [S.l.], v.20, n.1, p.111-113, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31964587/. Acesso em: 26 ago. 2025.
LEDGER, W. L.; ANUMBA, D.; MARLOW, N.; et al. The costs to the NHS of multiple births after IVF treatment in the UK. BJOG, [S.l.], v.113, p.21, 2006. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/download/44207/pdf/110521. Acesso em: 8 set. 2025.
CARNEIRO, M. M. Implantação da técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v.21, n.4, p.242, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-72031999000400012. Acesso em: 8 set. 2025.
RAO, K. A.; et al. Clinical efficacy and safety of two highly purified human menopausal gonadotropins in women undergoing in vitro fertilization. Reproduction & Fertility, [S.l.], v.6, n.2, e240132, 10 jun. 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40445794/. Acesso em: 5 set. 2025.                                                                                                                                                     
WESSEL, J. A.; et al. Alternativas à fertilização in vitro. Fertilidade e Esterilidade, [S.l.], v.120, n.3, p.483-493, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36642301/. Acesso em: 9 set. 2025.