A APLICABILIDADE DO Syzygium cumini NO TRATAMENTO DA DISLIPIDEMIA
1JOHANY DIEGO VICENTE, 2MARCO ANTÔNIO TODERO GALLI, 3FELIPE GAVA, 4EMERSON LUIZ BOTELHO LOURENÇO , 5SALVIANO TRAMONTIN BELETTINI
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
4Docente na pós-graduanção de Mestrado e Doutorado Ciência Animal com enfase em produtos bioativos
5Docente da UNIPAR
Introdução: O uso terapêutico de plantas medicinais tem se consolidado como uma alternativa complementar à farmacoterapia convencional, especialmente em pais como o Brasil, cuja tradição etnobotânica favorece a exploração de espécies com potencial bioativo, e, embora amplamente difundida, carece de validação sólida e consistente, sobretudo no que se refere à eficácia clínica e à segurança farmacológica de diversas espécies vegetais aplicadas ao tratamento de distúrbios metabólicos (VARANDA et al., 2006). Os fitoterápicos e demais produtos naturais configuram-se como alternativas terapêuticas acessíveis e, frequentemente, são bem aceitos pelas comunidades, uma vez que integram o repertório terapêutico tradicional, transmitido culturalmente (FARNSWORTH, 1985). Neste sentido, o Syzygium cumini (L.) Skeels, pertencente à família Myrtaceae e conhecido popularmente como jambolão, aparece como uma alternativa no tratamento de distúrbios metabólicos e no manejo de patologias metabólicas, como diabetes mellitus, obesidade e dislipidemias (SOARES et al., 2000; CHAGAS et al., 2015; SILVA et al., 2012).
Objetivo: O estudo visa a verificar, de forma integrada, o que a literatura apresenta sobre o potencial da espécie vegetal Syzygium cumini, como alternativa terapêutica complementar no manejo de distúrbios metabólicos associados à obesidade, tais como dislipidemias e resistência à insulina.
Desenvolvimento: A espécie Syzygium cumini (L.) Skeels, da família Myrtaceae, é uma árvore de clima tropical e subtropical, amplamente encontrada na Ásia e introduzida na África e América Latina no século XIX, destacando-se por sua adaptação em regiões quentes, amplamente encontrada no Brasil, recebe o nome de jambolão, jamelão ou azeitona-roxa (NASCIMENTO-SILVA et al., 2022). Diversas partes de S. cumini são amplamente empregadas na medicina tradicional no tratamento de uma ampla gama de condições, na qual destacam-se àquelas relacionadas a distúrbios metabólicos, como a obesidade (DICKEL et al., 2007; CERCATO et al., 2015), combate à doenças cardiometabólicas (CHAGAS et al., 2015), hiperlipidemia (SILVA et al., 2012) e principalmente o diabetes mellitus do tipo 2 (SOARES et al., 2000; HELMSTÄDTER, 2008; TROJAN-RODRIGUES et al., 2012), sendo comum a todas as partes da planta como antidiabético (HELMSTÄDTER, 2008). Os estudos de Ayyanar et al., (2012), Kumar e Maurya (2017) identificaram que a árvore possui ação anti-helmíntica e que é empregada no tratamento de disenteria, úlcera e outros problemas biliares. as folhas novas, apresentam propriedades eméticas, antidiarreicas e antissépticas, sendo utilizadas em formulações para tratar distúrbios gastrointestinais e inflamações locais, além de ser eficaz como purificador sanguíneo. A entrecasca, ainda, é empregada no tratamento de bronquite, úlceras, disenterias e infecções orais, enquanto o fruto maduro é utilizado como diurético, antidiabético e estomáquico, enquanto a semente é amplamente consumida em forma de pó para controle da glicemia em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), inclusive com evidências clínicas robustas (SIDANA et al., 2017). Estudos realizados por Sanches et al. (2016) com o extrato hidroalcoólico de S. cumini identificaram a presença de polifenóis nas folhas e observaram melhorias no quadro metabólico de ratos obesos induzidos pelo L-glutamato monossódico (MSG), com redução tanto do acúmulo de triglicerídeos no fígado quanto da hipertrigliceridemia. Por essa razão, o Ministério da Saúde (MS) do Brasil,  reconheceu S. cumini como uma espécie vegetal de relevância etnofarmacológica no país, incluindo-a na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) (BRASIL, 2009). Entretanto, são escassos os estudos que avaliem a ação dessa espécie em modelos experimentais de desordens do metabolismo lipídico como a doença hepatica gordurosa não alcoólica  e dislipidemias associadas à obesidade (SANCHES et al., 2016). Estudos desenvolvidos pelo mesmo grupo, observaram uma redução da lipotoxicidade hepática e sistêmica de animais obesos MSG tratados com o extrato hidroalcoólico rico em polifenóis das folhas de S. cumini (SANCHES et al., 2016). 
Conclusão: O Syzygium cumini (jambolão) configura-se como uma espécie vegetal promissora no contexto terapêutico dos distúrbios metabólicos associados à obesidade, especialmente dislipidemias e resistência à insulina. A significativa tradição etnobotânica em torno de seu uso, aliada à presença de compostos bioativos como flavonoides, antocianinas e polifenóis, sustenta seu potencial farmacológico, com efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, hipoglicemiantes e hipolipemiantes já evidenciados em estudos experimentais.
Referências:
ARUN, R. et al. Role of Syzygium cumini seed extract in chemoprevention of genomic damage and oxidative stress.J. Ethnopharmacol.,v.134,n.2,p.329-333,2011.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Brasileiros atingem maior índice de obesidade. Brasília: Ministério da Saúde,2020.
CERCATO, L. M. et al. Systematic review of medicinal plants used for weight loss in Brazil.J. Ethnopharmacol.,v.176,p.286-296,2015.
CHAGAS, V. T. et al. Syzygium cumini (L.) Skeels: source of bioactive molecules for cardiometabolic diseases.Front. Pharmacol.,v.6,p.259,2015.
DICKEL, M. L.; RATES, S. M. K.; RITTER, M. R. Plants used for losing weight in Porto Alegre, Brazil.J. Ethnopharmacol.,v.109,n.1,p.60-71, 2007.
FARNSWORTH, N. R.Medicinal plants in therapy.Bull.World Health Organ.v.63, n.6,p.956-981,1985.
HELMSTÄDTER, A. Syzygium cumini (L.) Skeels (Myrtaceae) against diabetes: 125 years of research.Die Pharmazie,v.63,n.2,p.91-101,2008.
KUMAR, S.; MAURYA, R.Chemistry of Syzygium cumini. In: THE GENUS Syzygium. [S.l.]: Springer,2017.p.81-118.
NASCIMENTO-SILVA, N. R. R.; BASTOS, R. P.; SILVA, F. A. Jambolan (Syzygium cumini L.): review on nutrients and health benefits.J. Food Comp. Anal.,v.109, p.104491,2022.
SANCHES, J. R. et al. Polyphenol-rich extract of Syzygium cumini leaf improves insulin sensitivity in obese rats.Front. Pharmacol.,v.7,p.48,2016.
SILVA, N. C. B. et al. Uso de plantas medicinais na comunidade quilombola da Barra II – Bahia. Bol. Latinoam.Caribe Plant. Med. Arom.,v.11,n.5,p.435-453,2012.
SOARES, J. C. M.; COSTA, S. T.; CECIM, M. Níveis glicêmicos em ratos com diabetes tratados com Syzygium jambolanum.Ciênc. Rural,v.30,n.1,p.113-118,2000.
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VARANDA, E. A. Atividade mutagênica de plantas medicinais.J. Basic Appl. Pharm. Sci.,v.27,n.1,p.1-10,2006.