![]() | |
|---|---|
![]() | |
| USO DE RITALINA POR CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE | |
| 1ANA LAURA SCHWAAB, 2IZADORA DOS SANTOS DE OLIVEIRA, 3LUCIANA PELLIZZARO | |
| 1Acadêmica do Curso de Farmácia - Unipar 2Acadêmica do Curso de Farmácia - Unipar 3Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) atinge 5% a 8% da população global (Brasil, 2022) e se caracteriza por causar no paciente várias alterações no neurodesenvolvimento, ocasionando principalmente desatenção, hiperatividade e impulsividade em variados graus de comprometimento (Maurilio, 2022). O tratamento é feito comumente com Metilfenidato – conhecido comercialmente por Ritalina® - que age como um estimulante do sistema nervoso central, melhorando a atenção e o controle de impulsos (Olashore, 2020); seu consumo no Brasil aumentou 775% na última década, refletindo um aumento nos diagnósticos e levantando preocupações sobre seu uso (CRF, 2014), o que incentiva o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema. Objetivo: Caracterizar o uso de Ritalina® em crianças com TDAH atendidas pela Unidade Básica de Saúde Colina Verde, em Salto do Lontra, Paraná. Material e Métodos: A UBS Colina Verde é o único local de dispensação de Ritalina® no município Salto do Lontra. Participaram da pesquisa 25 pais ou responsáveis por crianças de 5 a 12 anos, indicadas pelo sistema da UBS. A coleta de dados ocorreu em junho de 2025, por meio de entrevistas individuais e os dados foram anotados em formulário elaborado pelas pesquisadoras. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Paranaense (Parecer nº 7.556.827/2025). Resultados: A maioria das crianças tinha sete anos (9) e era do sexo masculino (22). De acordo com o relato dos pais e responsáveis, o uso da Ritalina® ocorreu principalmente em doses de 10 mg/dia, prescritas por neurologistas e psiquiatras; houve melhora significativa nos sintomas, especialmente atenção, desempenho escolar e comportamento social, enquanto efeitos adversos foram pouco frequentes e leves, como perda de apetite (3) e dor de cabeça (3). Quanto ao uso concomitante de outros medicamentos, mais da metade (14) informaram que a criança faz uso de outro medicamento, sendo o mais citado a Risperidona (9). Algumas crianças também participavam de terapias complementares, sendo a mais citada a terapia comportamental (n=12). Discussão: É importante que o diagnóstico de TDAH seja feito o mais precocemente possível, pois isso possibilita intervenções mais eficazes (Oliveira; Moraes, 2018). O TDAH manifesta-se com maior frequência no sexo masculino (APA,2014), como ocorreu na presente pesquisa. A dosagem do metilfenidato deve ser individualizada conforme a resposta e a tolerância do paciente, sendo recomendada uma dose inicial baixa, com ajustes graduais até um limite máximo de 2 mg/kg/dia ou 60 mg/dia, dividida em duas a três administrações diárias: pela manhã, ao meio-dia e no final da tarde, considerando a meia-vida curta - entre 3 e 4 horas - do medicamento. Alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais, como dificuldade para dormir, o que torna inviável a terceira dose e nesses casos, duas vezes ao dia pode ser mais apropriado (Maurilio, 2022). A Ritalina® é recomendada especialmente para pacientes que necessitam manter a atenção e o foco em atividades durante o período da tarde (Rio Grande do Sul, 2013). Em estudo semelhante a este, conduzido no Paraná, das 26 crianças com diagnóstico de TDAH e usuárias de metilfenidato, 22 já estendiam seu uso por um período superior a um ano e em relação ao término do tratamento apenas seis afirmaram ter uma previsão para ele (Barbosa; Peder; Silva, 2016). Frequentemente os efeitos colaterais mais comuns incluem dores de cabeça, redução do apetite e consequentemente perda de peso, insônia, dores abdominais e alguns casos redução do crescimento (Rio Grande do Sul, 2013). Não se deve utilizar Ritalina® juntamente com inibidores da monoaminoxidas, geralmente indicados para tratar a depressão - nem mesmo se tiverem interrompido esse tipo de tratamento há menos de duas semanas, pois a combinação pode levar a um aumento perigoso da pressão arterial (Novartis, 2025). A farmacoterapia combinada com outras terapias incentivadas pela família e escola tem sido bem indicada (Mattos et al., 2018). Conclusão: O uso de Ritalina® em dose média de 10 mg diários, sob acompanhamento médico, resultou em melhorias significativas na atenção, comportamento e desempenho escolar. Efeitos colaterais foram raros e leves. O uso concomitante de medicamentos, como Risperidona, destaca a necessidade de monitoramento profissional. Reforça-se a importância de avaliações periódicas, orientação a familiares e professores e a combinação entre tratamento medicamentoso e terapias complementares para um manejomais eficaz do TDAH. |
|
| Referências: APA - AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. Disponível em: https://dislex.co.pt/images/pdfs/DSM_V.pdf. BARBOSA, Flávia; PEDER, Leyde Daiane; SILVA, Claudinei Mesquita. Uso de metilfenidato em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em um município do interior do Paraná, Brasil. Acta Biomed. Bras., v. 7, n. 2, p. 29-39, dez. 2016. BRASIL. Ministério da saúde. Entre 5% e 8% da população mundial apresenta Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Disponível em: br/assuntos/noticias/2022/setembro/entre-5-e-8-da-populacao-mundial-apresenta-transtorno-de-deficit-de-atencao-com-hiperatividade. CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA. Consumo de Ritalina cresce 775% em dez anos no Brasil. Curitiba, 2014. Disponível em: https://www.crf-pr.org.br/noticia/view/5044. MATOS, Heloísa Pereira et al. O uso da Ritalina em crianças com TDAH: uma revisão teórica. Humanae, v. 12, n. 2, 2018. MAURILIO, Maria das Dolores Mathias Neta. Efeitos do uso do metilfenidato no desempenho escolar de crianças e adolescentes com TDAH: uma revisão sistemática da literatura. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Universidade Unisul, Tubarão, 2022. OLASHORE, Anthony et al. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças em idade escolar em Gaborone, Botswana: Comorbidade e fatores de risco. SASOP, 2020. OLIVEIRA, Ana Paula; MORAES, João Carlos Pereira.A ritalina como forma de tratamento em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): um estudo de caso. Rev. Magistro, v. 1, n. 17, 2018. RIO GRANDE DO SUL - SECRETARIA DE SAÚDE. Protocolo para a dispensação e uso do metilfenidato. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20190637/05153750-protocolo-para-a-dispensacao-e-uso-de-metilfenidato-revisado.pdf RITALINA: Cloridrato de Metilfenidato. Anovis Industrial Farmacêutica Ltda. Taboão da Serra, 2025. Bula de remédio. |
|