RESISTÊNCIA FÚNGICA E TERAPIAS NATURAIS: A MELALEUCA COMO ALTERNATIVA NO TRATAMENTO DA CANDIDÍASE
 
 
1JULIA VITÓRIA SCHÜLLER CATTANÊO, 2CRISTIANE MENGUE FENIMAN MORITZ, 3YASMIN TREVISAN CORRÊA LINO DOS SANTOS, 4DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Acadêmico do PIC/UNIPAR
2Professora da Universidade Estadual de Maringá
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo nas infecções fúngicas, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou submetidos à tratamentos antifúngicos prolongados. Segundo o relatório Brasil Amanhã, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima-se que mais de 3,8 milhões de brasileiros sejam acometidos por infecções fúngicas sistêmicas ou superficiais. Entre os principais agentes etiológicos destaca-se Candida albicans, sendo a candidíase sua manifestação mais comum. Contudo, espécies emergentes como Candida glabrata e Candida krusei têm elevado a complexidade terapêutica devido à crescente resistência aos antifúngicos convencionais (Pappas et al., 2018). 
Objetivo: Apresentar, por meio de uma revisão de literatura, a eficácia terapêutica do óleo essencial de melaleuca (Melaleuca alternifolia) como alternativa natural no tratamento da candidíase, frente à resistência fúngica. A revisão narrativa foi realizada por meio de buscas nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, entre 2006 e 2025, utilizando os descritores “Candida albicans”, “resistência fúngica”, “Melaleuca alternifolia”, “óleo de melaleuca”, “tea tree oil” e “candidíase”. Foram incluídos artigos originais, revisões e diretrizes clínicas que abordassem a ação antifúngica do óleo essencial de melaleuca no tratamento da candidíase. 
Desenvolvimento: A resistência fúngica representa um desafio crescente na medicina moderna, especialmente frente ao uso prolongado de antifúngicos sintéticos e à emergência de cepas de Candida não-albicans, como C. glabrata e C. krusei. Tais espécies possuem mecanismos adaptativos que comprometem a eficácia dos tratamentos convencionais, elevando os índices de falha terapêutica e recorrência das infecções (Pappas et al., 2018; Perlin et al., 2021). Diante desse cenário, cresce o interesse por alternativas terapêuticas naturais, como o óleo essencial de Melaleuca alternifolia, conhecido popularmente como óleo de melaleuca ou tea tree oil. Esse óleo é composto majoritariamente por terpinen-4-ol, substância reconhecida por sua potente ação antimicrobiana e antifúngica (Silva et al., 2019; Souza et al., 2015). Estudos in vitro demonstraram sua capacidade de inibir o crescimento de cepas de Candida albicans, reduzir sua adesão e a formação de biofilmes – fatores cruciais na sua patogenicidade (Hammer; Carson; Riley, 2002; Sharma et al., 2022). O mecanismo de ação antifúngico do óleo está associado à desestabilização da membrana fúngica, provocando aumento da permeabilidade, vazamento de íons e posterior morte celular (Carson; Hammer; Riley, 2006). Outro aspecto relevante é o perfil de segurança do produto: quando utilizado em concentrações adequadas, apresenta baixa toxicidade e boa tolerância cutânea e mucosa, sendo amplamente empregado em formulações dermatológicas, ginecológicas e odontológicas (Silva et al., 2019; Ribeiro et al., 2021).
Conclusão: O óleo essencial de Melaleuca alternifolia demonstra potencial terapêutico relevante no tratamento da candidíase, sobretudo diante da crescente resistência aos antifúngicos convencionais. Sua ação antifúngica, aliada ao baixo custo e à facilidade de acesso, o torna uma alternativa viável, especialmente em contextos com recursos limitados. Reforça-se, portanto, a necessidade de ampliação dos estudos clínicos e do incentivo ao seu uso baseado em evidências científicas atualizadas.
Referências:
CARSON, C. F.; HAMMER, K. A.; RILEY, T. V. Melaleuca alternifolia (Tea Tree) oil: a review of antimicrobial and other medicinal properties. Clinical Microbiology Reviews, Washington, v. 19, n. 1, p. 50–62, 2006. DOI: https://doi.org/10.1128/CMR.19.1.50-62.2006.
HAMMER, K. A.; CARSON, C. F.; RILEY, T. V. In-vitro activity of Melaleuca alternifolia (tea tree) oil against dermatophytes and other filamentous fungi. Journal of Antimicrobial Chemotherapy, Oxford, v. 50, n. 2, p. 195–199, 2002. DOI: https://doi.org/10.1093/jac/dkf120.
PAPPAS, P. G. et al. Clinical practice guideline for the management of candidiasis: 2016 update by the Infectious Diseases Society of America. Clinical Infectious Diseases, Oxford, v. 62, n. 4, p. e1–e50, 2018. DOI: https://doi.org/10.1093/cid/civ933.
SILVA, L. L. et al. Atividades terapêuticas do óleo essencial de melaleuca (Melaleuca alternifolia): uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 2, n. 6, p. 6011–6021, 2019. DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv2n6-094.
SOUZA, E. L. et al. Antimicrobial effectiveness of essential oils: an overview. Revista Brasileira de Farmacognosia, São Paulo, v. 25, n. 5, p. 564–576, 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.bjp.2015.01.003.