VIABILIDADE DE METHYLOBACTERIUM SYMBIOTICUM NA REDUÇÃO DA ADUBAÇÃO NITROGENADA EM COMPONENTES AGRONÔMICOS DO MILHO
1WAGNER MENECHINI, 2THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Doutorando em Biotecnologia aplicada à agricultura, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: O milho é uma cultura de grande importância econômica e social no Brasil, sendo a adubação nitrogenada fundamental para o crescimento e desenvolvimento da planta (Sodré et al., 2025). Entretanto, a dependência de insumos agrícolas, frequentemente importados, torna o setor vulnerável a oscilações de mercado e pressões ambientais (Ogino e Vieira Filho, 2022). Nesse contexto, o uso de microrganismos fixadores de nitrogênio atmosférico, como bactérias do gênero Methylobacterium, apresenta-se como alternativa sustentável, capaz de reduzir custos e promover benefícios ao solo e à cultura. Estudos indicam que a aplicação de M. symbioticum favorece características agronômicas do milho, como altura de planta, altura de inserção de espiga e diâmetro de colmo (Cayres et al., 2025). Além disso, esses bioinsumos minimizam impactos ambientais, contribuindo para uma agricultura mais resiliente e competitiva no cenário global (Souza et al., 2021).
Objetivo: Avaliar a viabilidade de Methylobacterium symbioticum na redução da adubação nitrogenada e seus efeitos sobre os componentes agronômicos do milho.
Material e Métodos: O experimento foi conduzido no Colégio Agrícola Estadual de Umuarama (CAEU), na fase de campo, e na Universidade Paranaense (UNIPAR), para análises laboratoriais. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco blocos, totalizando cinco repetições. Os tratamentos consistiram em doses de nitrogênio, com ou sem inoculação, aplicadas em cobertura com ureia no estádio V4 do híbrido de milho B2782PWU (Brevant®), distribuídas em seis tratamentos: T1 – 0 kg ha⁻¹ sem inoculação; T2 – 0 kg ha⁻¹ com inoculação; T3 – 56,25 kg ha⁻¹ com inoculação; T4 – 112,50 kg ha⁻¹ com inoculação; T5 – 168,75 kg ha⁻¹ com inoculação; T6 – 225 kg ha⁻¹ com inoculação, correspondentes a 0, 25, 50, 75 e 100% da dose de referência (225 kg ha⁻¹). A inoculação foi realizada com Methylobacterium symbioticum cepa SB23 (3×10⁷ UFC g⁻¹), por meio do produto comercial Utrisha™ N, em aplicação foliar. A adubação de base consistiu na aplicação de 300 kg ha⁻¹ de fertilizante 10-20-20, incorporado a 8 cm de profundidade no sulco de plantio. As sementes foram semeadas a 3 cm de profundidade, e a aplicação foliar do inoculante ocorreu no estádio V6, utilizando pulverizador costal a bateria Jacto SB-20B (20 L), equipado com bico leque JUF 11002, com vazão de 100 L ha⁻¹. O levantamento dos dados agronômicos — altura de planta (AP, cm), diâmetro de caule (DC, cm) e altura de inserção da primeira espiga (APE, cm) — foi realizado no estádio R3 (enchimento de grãos). Já a coleta dos dados de produtividade — comprimento de espiga (CE, cm), número de fileiras por espiga (NFE), peso de mil sementes (PMS, g) e produtividade (PROD, kg ha⁻¹) — ocorreu no estádio R6 (maturação fisiológica), com umidade dos grãos em torno de 15%, posteriormente ajustada para 12% para cálculo de PMS e PROD. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott (p < 0,05), utilizando o software Sisvar. Resultados: As variáveis PMS e PROD diferiram significativamente entre os tratamentos. A inoculação com Methylobacterium symbioticum promoveu incrementos mesmo sem adubação nitrogenada, com ganho de 1.244,2 kg ha⁻¹ em PROD no T2 em relação ao controle (T1). O aumento das doses de N elevou os valores de ambas as variáveis, variando de 399,20 g (T1) a 445,80 g (T6) para PMS e de 7.029,6 a 9.067,0 kg ha⁻¹ para PROD, sem diferenças entre T4 e T5.
Discussão: A aplicação de Methylobacterium symbioticum e Azospirillum brasilense, de forma isolada ou combinada, com ou sem suplementação de N, não resultou em diferenças significativas para as características agronômicas do milho, incluindo a produtividade, conforme verificado por Jardini et al. (2025). Esses resultados indicam que o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio não compromete o desempenho da cultura, mesmo na ausência ou redução da adubação nitrogenada, configurando-se como alternativa viável para o produtor. Por sua vez, Feitoza de Jesus Santos e Da Cas Bundt (2025) observaram que a aplicação foliar de M. symbioticum SB23, na concentração de 3×10⁷ UFC g⁻¹ no estádio V6, promoveu aumento da biomassa fresca, do acúmulo de nitrogênio foliar e da produtividade, mesmo com redução de 25–50% na adubação nitrogenada. Assim, evidencia-se o potencial dessa bactéria como estratégia sustentável para otimizar a eficiência do uso do nitrogênio e reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos na produção de milho.
Conclusão: A inoculação com Methylobacterium symbioticum promoveu incremento no PMS e na produtividade mesmo na ausência de nitrogênio. Entretanto, o aumento gradual das doses de cobertura, até 100% da dose de referência, também resultou em elevação dessas variáveis. Apenas as reduções de 25% e 50% de N associadas à inoculação não diferiram entre si. Dessa forma, nas condições avaliadas, ainda não é possível recomendar a diminuição da adubação nitrogenada. Contudo, os resultados evidenciam o potencial do bioinsumo como aliado em estratégias futuras, que devem considerar outros fatores de manejo para viabilizar um cultivo mais sustentável de milho.
Referências:
CAYRES, V. V. et al. Uso de bactérias fixadoras de nitrogênio na cultura do milho safrinha em Nova Mutum-MT. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 8, 2025.
FEITOZA DE JESUS SANTOS, A.; DA CAS BUNDT, A. A inoculação foliar com Methylobacterium symbioticum SB23 melhora a fixação de nitrogênio e a produtividade do milho em diferentes condições edafoclimáticas. Agrária – Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v. 20, n. 2, e4182, 2025.
JARDINI, D. C. et al. Eficiência da bactéria Methylobacterium symbioticum e Azospirillum brasilense na fixação biológica de nitrogênio e promoção de crescimento na cultura do milho. Ciências Exatas e da Terra, v. 29, 2025.
OGINO, C. M.; VIEIRA FILHO, J. E. R. Preços de fertilizantes impactando a produção agrícola brasileira. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, n. 27, p. 151-154, 2022.
SODRÉ, K. da S. et al. Efeito da adubação nitrogenada no crescimento inicial do milho (Zea mays). Caderno Pedagógico, v. 22, n. 5, e14838, 2025.
SOUZA, E. P. de et al. Bioinsumos no crescimento e produção de plantas de milho. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, v. 12, n. 9, p. 82-92, 2021.