INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DESCOMPENSADA: UM ESTUDO DE CASO  
1MAIARA KNIPHOFF, 2LUCAS RAMOS DOS SANTOS, 3ALESSANDRO NEVES POPP, 4LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmico do PIC/UNIPAR
3Docente do Curso de Enfermagem da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
4Docente do Curso de Enfermagem da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
Introdução: De acordo com Silva et al. (2022), a insuficiência cardíaca (IC) caracteriza-se pela incapacidade do coração em bombear sangue de forma eficaz, comprometendo o atendimento às demandas metabólicas do organismo. Além disso, é frequentemente considerada estágio final de diversas doenças cardíacas de diferentes etiologias. A insuficiência cardíaca (IC) configura-se como um dos principais desafios da saúde pública mundial, gerando impacto expressivo na qualidade de vida e elevados custos aos sistemas de saúde devido a hospitalizações recorrentes, uso contínuo de medicamentos e procedimentos cirúrgicos. Relatar o caso clínico de um paciente com insuficiência cardíaca descompensada, acompanhado durante estágio prático em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), destacando a importância da assistência qualificada no manejo da condição.
Relato de caso: Paciente sexo feminino, 55 anos, com histórico de internamento na UPA por quadro de insuficiência cardíaca descompensada, sob regulação da central de leitos. Paciente foi encaminhada pela Estratégia Saúde da Família (ESF) com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva e histórico pregresso de internação em Hospital Regional por pneumonia comunitária associada à ICC descompensada, permanecendo sete dias hospitalizada, sendo dois em UTI e cinco em enfermaria, com alta após uso de ceftriaxona e azitromicina. Retornou para acompanhamento clínico, apresentando dispnéia aos mínimos esforços e fadiga. Entre as comorbidades, destacam-se hipertensão arterial sistêmica, DPOC e obesidade grau I. Ex-tabagista há 10 anos, após 40 anos de uso, em uso contínuo de medicações á domicílio, sem alergias conhecidas. No exame físico, encontrava-se lúcida, orientada, calma e em repouso relativo, referindo cansaço ao deambular. Sinais vitais dentro dos parâmetros normais: normotensa, normocárdica, afebril e eupneica em oxigenoterapia a 2 L/min, saturando 93%. Pele e mucosas íntegras, coradas e hidratadas; tórax simétrico, com murmúrios vesiculares diminuídos, mas sem esforço respiratório; abdômen globoso, flácido, indolor e timpânico à percussão; genitália sem alterações, com sonda vesical de demora em funcionamento; membros com mobilidade, força e perfusão preservadas, sem edemas, e acesso venoso periférico em condições adequadas. Durante a internação, recebeu medidas de conforto e medicações prescritas, permanecendo estável sob acompanhamento da equipe de enfermagem.
Discussão: A insuficiência cardíaca (IC) é uma das principais causas de internações hospitalares e, quando descompensada (ICD), aumenta significativamente o risco de complicações e mortalidade, especialmente em idosos (CALAZANS et al., 2021). Frequentemente associada a condições crônicas como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a IC compartilha fatores de risco, sintomas como dispneia e impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Fisiopatologicamente, a IC caracteriza-se pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente, enquanto a ICD resulta de alterações estruturais e funcionais que comprometem a ejeção ou o enchimento cardíaco, exigindo intervenção imediata (DAMASIO et al., 2024). Clinicamente, a ICD manifesta-se por dispneia, fadiga, ortopneia e edema periférico, sendo seu diagnóstico fundamentado em anamnese, exame físico, exames laboratoriais e ecocardiografia (REIS et al., 2025). Diversos fatores podem precipitar a descompensação, como infecções, má adesão ao tratamento, ingestão excessiva de líquidos, arritmias e insuficiência renal. Um aspecto central é a congestão, responsável por grande parte das internações e readmissões, cuja persistência mesmo após a alta reforça a importância de estratégias terapêuticas eficazes para controle do estado volêmico (NASCIMENTO et al., 2020). Nos últimos anos, avanços como a medicina personalizada e o uso de biomarcadores têm permitido maior precisão no acompanhamento e melhores desfechos clínicos. Nesse contexto, a atuação multiprofissional é essencial, e o Processo de Enfermagem (PE) possibilita planos terapêuticos adaptados à realidade dos pacientes, enquanto o enfermeiro exerce papel estratégico tanto na educação em saúde quanto no manejo da descompensação, reduzindo morbimortalidade (DINIZ et al., 2021). Além das repercussões clínicas, a IC afeta dimensões físicas, emocionais, sociais e econômicas, comprometendo a qualidade de vida e gerando altos custos para o sistema de saúde (ZHAO et al., 2021). O tratamento baseia-se em terapias farmacológicas, como betabloqueadores, IECA, antagonistas da aldosterona e bloqueadores dos receptores da angiotensina II, associadas a medidas não farmacológicas, como dieta equilibrada, prática de exercícios e controle de fatores de risco, fundamentais para o manejo e o prognóstico da doença (GOMES et al., 2023).
Conclusão: A insuficiência cardíaca descompensada representa um desafio clínico que demanda cuidado integral e individualizado. O estudo evidenciou que intervenções de enfermagem baseadas em evidências, em conjunto com o acompanhamento multiprofissional, são fundamentais para estabilizar o quadro, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida, sobretudo diante de comorbidades como hipertensão, DPOC e obesidade.
Referências:
CALAZANS, R. M. et al. Uso da Terapia Diurética em Pacientes com Insuficiência Cardíaca Descompensada e Lesão Renal Aguda. O Que Fazer nesse Dilema? Arquivos brasileiros de cardiologia, v. 116, n. 4, p. 725–726, 2021. Disponível em:https://doi.org/10.36660/abc.20210238. 
DAMASIO, J. et al. AS MUDANÇAS MORFOFISIOLÓGICAS DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DESCOMPENSADA. Revista ft, p. 39–40, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.69849/revistaft/fa10202408152139.
DINIZ, F. M. M.; CORDEIRO GONÇALVES, K. Assistência de enfermagem a pacientes portadores de insuficiência cardí­aca descompensada: uma revisão integrativa. Nursing (São Paulo), v. 24, n. 274, p. 5443–5452, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.36489/nursing.2021v24i274p5443-5452.
GOMES, V. L. B. et al. Terapêutica atual na insuficiência cardíaca congestiva: Tratamento não farmacológico vs terapia medicamentosa. Research, Society and Development, v. 12, n. 6, p. e23912642306–e23912642306, 25 jun. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.33448/rsd-v12i6.42306.
NASCIMENTO, M. N. R. et al. Validação de diagnósticos/resultados e intervenções de enfermagem à pessoa com insuficiência cardíaca. Acta Paulista de Enfermagem, v. 36, 2023. Disponível em: http://dx.doi.org/10.37689/acta-ape/2023AO015833.
SILVA, M. N. da; ÁLVAREZ CALLEJAS , R. Insuficiência cardíaca: fisiopatologia, diagnóstico e terapêutica: uma revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira de Iniciação Científica, [S. l.], v. 9, p. e022020, 2022. Disponível em: https://periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br/index.php/rbic/article/view/311. 
REIS, A. C. DE M. et al. Abordagem Inicial da Insuficiência Cardíaca Descompensada no Pronto Atendimento. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 1372–1386, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n3p1372-1386 . 
ZHAO, L. M. et al. Fatores associados à síndrome cardiorrenal em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada. Acta Paulista de Enfermagem, v. 34, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO03193.