![]() | |
|---|---|
![]() | |
| ANÁLISE DE DESEMPENHO DE CONCRETOS AUTOADENSÁVEIS COM DOSAGENS BASEADAS NA CURVA DE FULLER E NO MÉTODO IPT/EPUSP | |
| 1JOÃO PEDRO ROVANI MACHADO DA SILVA, 2JOSE ARTHUR DA ROSA, 3CLEDISON ZATTA VALDAMERI | |
| 1Acadêmico do Curso de Engenharia Civil da UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Engenharia Civil da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: O concreto autoadensável (CAA) tem se consolidado como uma tecnologia relevante na construção civil moderna devido à sua elevada fluidez e capacidade de preencher formas complexas sem a necessidade de vibração mecânica (COUTINHO; BARROS, 2020). Essa característica promove ganhos de produtividade, melhora a qualidade final do concreto e reduz problemas relacionados à segregação e falhas de adensamento (GETTU; AGULLÓ e CARRASCO, 2017). A formulação adequada do CAA depende da combinação equilibrada entre materiais, granulometria e aditivos químicos, sendo que no Brasil o método IPT/EPUSP, associado à curva granulométrica de Fuller, tem se mostrado uma alternativa promissora para a otimização dos traços (SILVA; FIGUEIREDO, 2018). No presente trabalho, buscou-se analisar experimentalmente diferentes traços de CAA, variando a proporção aglomerante/agregados e a dosagem de aditivos, a fim de compreender seu comportamento tanto no estado fresco quanto no endurecido, considerando parâmetros de autoadensabilidade e resistência à compressão. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho de três traços experimentais de concreto autoadensável, formulados com base na curva de agregados de Fuller e no método IPT/EPUSP. Materiais e Métodos: Foram utilizados cimento Portland CP V-ARI, pozolana, substituindo 20% da massa do aglomerante, areia natural fina, areia industrial britada e pedrisco com diâmetro máximo de 9,5 mm. Além disso, foram empregados aditivo superplastificante e modificador de viscosidade, dosados em proporções distintas para cada traço. Foram produzidos três traços de concreto alto adensável. O traço T1 correspondeu ao traço original 1:4, sem adição extra de aditivos, enquanto o traço T2 consistiu em uma versão incrementada com 0,1% a mais de aditivo superplastificante e modificador de viscosidade. Já o traço T3 foi elaborado na proporção 1:5, com aditivos ajustados a partir do desempenho do traço T2. Os concretos foram preparados em betoneira de 100 litros e avaliados no estado fresco pelo ensaio de Slump Flow até atingir abertura de 550 a 650 mm . Para a resistência à compressão, moldaram-se corpos de prova cilíndricos (10 × 20 cm), rompidos em prensa aos 7 e 28 dias de cura. Resultados: Aos 7 dias de cura, o traço T1 apresentou resistência média de 40,6 MPa; o traço T2 obteve resistência média de 42,5 MPa; e o traço T3 resistência média de 38,3 MPa. Aos 28 dias, o traço T1 apresentou resistência média de 50,0 MPa; o traço T2 apresentou resistência média 48,9 MPa; e o traço T3 apresentou resistência média 50,2 MPa. Discussão: Os resultados demonstram que os três traços atingiram autoadensabilidade adequada e apresentaram evolução de resistência ao longo do tempo. O traço T1, apesar de bons valores finais, mostrou variação entre os corpos de prova. O traço T2, com incremento de aditivos, exibiu maior uniformidade e estabilidade, com resultados consistentes nos dois períodos analisados. Já o traço T3, embora tenha apresentado menores resistências iniciais, destacou-se pelo ganho contínuo aos 28 dias, alcançando os maiores valores médios e refletindo a contribuição positiva da pozolana no desenvolvimento tardio da resistência. Essa evolução reforça que o equilíbrio entre a proporção aglomerante/agregados e a dosagem adequada de aditivos é determinante para otimizar a trabalhabilidade e a performance mecânica do CAA. Conclusão: A associação da curva de Fuller ao método IPT/EPUSP mostrou-se eficaz para a formulação de concretos autoadensáveis. Os resultados indicam que o traço T3, na proporção 1:5, foi o mais promissor em termos de evolução de resistência e estabilidade no estado endurecido, enquanto os traços 1:4 se destacaram pelo desempenho inicial. Conclui-se que a utilização de pozolana aliada ao ajuste da dosagem de aditivos contribui de forma significativa para o aprimoramento das propriedades mecânicas do concreto, reforçando a aplicabilidade prática da metodologia em obras que exigem desempenho e durabilidade. |
|
| Referências: COUTINHO, L. R.; BARROS, J. A. O uso de aditivos químicos no desempenho do concreto autoadensável. Revista IBRACON de Estruturas e Materiais, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 221-236, 2020. GETTU, R.; AGULLÓ, L.; CARRASCO, M. Concreto Autoadensável: Propriedades e Aplicações. Revista Concreto & Construções, São Paulo, v. 85, n. 3, p. 42-55, 2017. SILVA, F. A.; FIGUEIREDO, A. D. Método IPT/EPUSP e a utilização da curva de Fuller no projeto de concretos. Revista Matéria, Rio de Janeiro, v. 23, n. 4, p. 1-12, 2018. |
|