ANÁLISE DAS EDIÇÕES DO FESTIVAL PARALÍMPICO DO VALE DO IVAÍ (2014–2025): EXPANSÃO, IMPACTO E PROTAGONISMO NA INCLUSÃO  
1RICARDO ALEXANDRE CARMINATO, 2ANDRÉIA PAULA BASEI, 3VITOR HUGO RAMOS MACHADO
1Docente do curso de Educação Física do Departamento de Ciências do Movimento Humano (DMO) da Universidade Estadual de Maringá, Campus Region
2Docente do curso de Educação Física do Departamento de Ciências do Movimento Humano (DMO) da Universidade Estadual de Maringá, Campus Region
3Docente do curso de Educação Física do Departamento de Ciências do Movimento Humano (DMO) da Universidade Estadual de Maringá, Campus Region
Introdução: O esporte adaptado, especialmente em sua vertente paralímpica, vem se consolidando como instrumento para a inclusão social e o fortalecimento da cidadania de pessoas com deficiência (Seron; Greguol, 2020). Além de benefícios físicos e motores, o paradesporto amplia a autoestima, a autonomia e a inserção comunitária (Orcioli-Silva, 2021). Nesse cenário, a extensão universitária assume papel fundamental ao articular universidade e sociedade, favorecendo ações transformadoras que unem ensino, pesquisa e prática. O Festival Paralímpico do Vale do Ivaí, realizado desde 2014 e vinculado ao Projeto Atividades Físicas Adaptadas do Vale do Ivaí, constitui uma dessas iniciativas, promovendo modalidades como atletismo, tênis de mesa e bocha paralímpica.
Objetivo: Analisar a trajetória do Festival Paralímpico do Vale do Ivaí (2014–2025), enfatizando seus impactos quantitativos e qualitativos na inclusão social de pessoas com deficiência.
Material e Métodos: Trata-se de uma pesquisa documental, descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa. As fontes de dados foram os registros institucionais do Festival Paralímpico do Vale do Ivaí, referentes ao período de 2014 a 2025, incluindo relatórios anuais, listas de inscrição, registros fotográficos e audiovisuais. A análise quantitativa considerou indicadores como: número de escolas participantes, número de alunos inscritos, professores envolvidos, voluntários e integrantes da organização.
Resultados: A análise evidencia um crescimento consistente do Festival. Em sua primeira edição, realizada em 2014, o evento reuniu 8 escolas, com cerca de 100 alunos participantes, apoiados por 45 pessoas na organização, além de 15 professores e 6 voluntários. Já em 2015, esses números praticamente dobraram, alcançando 13 escolas e 230 alunos, com o apoio de 60 membros da equipe organizadora. Nos anos seguintes, observa-se uma tendência de expansão contínua. Em 2016, participaram 21 escolas e 350 alunos, e, em 2017, 24 escolas e 500 alunos, acompanhados por 70 pessoas na organização e 80 professores. Essa evolução demonstra além do aumento da adesão escolar, o envolvimento progressivo de profissionais e da comunidade. O ano de 2018 evidenciou crescimento, com a participação de 30 escolas e mais de 530 alunos, apoiados por 150 professores e 30 voluntários. Em 2019, o Festival manteve o ritmo de crescimento, reunindo 36 escolas e 650 alunos, consolidando-se como evento de referência estadual. Após a pausa causada pela pandemia, em 2023 o evento retomou suas atividades com 30 escolas e 685 alunos, voltando a registrar crescimento acentuado nas edições seguintes. Em 2024, foram 41 escolas e 887 alunos, além de 152 professores e 40 voluntários. Já em 2025, o Festival atingiu sua maior dimensão até o momento, com a presença de 48 escolas, 907 alunos, 100 integrantes na equipe de organização, 236 professores e 40 voluntários. Esse panorama revela três aspectos centrais: a expansão quantitativa das escolas, o aumento expressivo da adesão docente e a consolidação da participação comunitária. Tais resultados mostram que o Festival vai além do esporte, configurando-se como espaço de inclusão, formação cidadã e valorização das potencialidades das pessoas com deficiência.
Discussão: Observa-se que eventos dessa natureza possuem um potencial significativo para o desenvolvimento humano e profissional de todos os envolvidos, seja no âmbito acadêmico, comunitário ou familiar. Mais do que a vivência esportiva, o Festival Paralímpico do Vale do Ivaí consolidou-se como o maior evento do Brasil em seu formato voltado às pessoas com deficiência, assumindo relevância nacional como prática extensionista e de impacto social. Mais do que a vivência esportiva, o Festival promove pertencimento, valorização e formação cidadã, reafirmando o esporte como um direito social. Para além do coletivo, os benefícios também se refletem na dimensão individual, como destacam Santos et al. (2013), ao associarem o paradesporto a ganhos físicos, psicológicos e sociais, incluindo independência e autoconfiança. Os dados analisados evidenciam que seu impacto ultrapassa a dimensão quantitativa, fortalecendo a transformação das percepções sociais acerca da deficiência e sensibilizando profissionais de Educação Física para práticas inclusivas e humanizadas.
Conclusão: O Festival Paralímpico do Vale do Ivaí consolidou-se como prática inclusiva relevante, promovendo acesso ao esporte, valorização da diversidade e impacto positivo na comunidade e na formação acadêmica. O crescimento do número de participantes e a ampliação das modalidades evidenciam sua sustentabilidade e pertinência social.
Referências:
ORCIOLI-SILVA, D. et al. Atividade física para pessoas com deficiência: Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, [S. l.], v. 26, p. 1–11, 2021.
SANTOS, J. P., et al. Desporto adaptado em Portugal: do conceito à prática. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 18, n. 5, pp. 623-635, 2013.
SERON, B. B.; GREGUOL, M. Esporte paralímpico na educação física: um facilitador no processo de inclusão. Rio de Janeiro: Instituto Benjamin Constant, 2020.