![]() | |
|---|---|
![]() | |
| DESCARTE INADEQUADO DE RESÍDUOS INFECTANTES POR PROFISSIONAIS EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE DE FRANCISCO BELTRÃO | |
| 1JULIANE GALVAN MATIUZZI, 2PAULA APARECIDA DO NASCIMENTO MALAVOLTA, 3LEDIANA DALLA COSTA | |
| 1Acadêmico do Curso de Enfermagem-Universidade Paranaense-Unidade Universitária de Francisco Beltrão- PR 2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 3Docente do Curso de Enfermagem da Unipar – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR |
|
| Introdução: Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) são aqueles originados das atividades realizadas em unidades de saúde, clínicas, laboratórios e serviços de diagnóstico, que podem oferecer riscos biológicos, químicos, físicos e radiológicos à saúde e ao meio ambiente. De acordo com a RDC nº 222/2018 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o manejo adequado dos RSS é um requisito obrigatório, abrangendo etapas que vão desde a geração até a destinação final (BRASIL, 2018). De acordo com (Barros et al. 2020), “a gestão de resíduos de serviço de saúde constitui um grande desafio para o poder público, apesar dos avanços nos aspectos legislativos”, sendo comum que “profissionais desconheçam a existência do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS)”. Esse desconhecimento pode comprometer a biossegurança e aumentar o risco de acidentes ocupacionais e contaminações (Barros et al., 2020). Relato de caso: As experiências vivenciadas durante os campos de estágio possibilitaram compreensão ampliada da atuação do enfermeiro na Atenção Primária. Durante essa vivência, observou-se preocupação recorrente quanto ao descarte de resíduos infectantes, especialmente materiais perfurocortantes e contaminados com sangue. Em diversas situações, notaram-se uso incorreto de coletores, descarte de resíduos comuns junto a resíduos infectantes, além da ausência de sinalização adequada nos ambientes. Essas observações despertaram a necessidade de investigar mais profundamente o manejo dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) nas UBS envolvidas. Discussão: A biossegurança é uma prática indispensável nos serviços de saúde e envolve o conjunto de ações e procedimentos que visam minimizar os riscos ocupacionais, ambientais e sanitários. Para Ferreira et al. (2022), a biossegurança não é apenas uma questão de norma, mas de cultura organizacional, devendo ser incorporada nas práticas diárias das instituições (Ferreira et al., 2022). Ademais, Ferreira et al. (2022) ressaltam que os riscos não se limitam ao biológico: o manejo incorreto de resíduos químicos e perfurocortantes, por exemplo, amplia significativamente a exposição a agentes químicos tóxicos e acidentes físicos. Portanto, a biossegurança deve ser encarada como política institucional prioritária. A adoção de protocolos rígidos, treinamentos contínuos e fornecimento adequado de EPI são elementos fundamentais para mitigar os riscos associados ao manejo de resíduos infectantes (Ferreira et al., 2022). Em estudo recente, destacou-se que a inexistência de treinamentos contínuos e a rotatividade nas equipes contribuem significativamente para o desconhecimento das práticas seguras no descarte de resíduos. Além disso, muitos profissionais demonstram dúvidas sobre a classificação dos resíduos e a forma correta de acondicionamento e transporte interno (Silva, 2020; Barros et al., 2020). Camargo e Melo (2017) acrescentam que isso compromete a segurança do trabalhador, favorece acidentes com perfurocortantes e aumenta os riscos de disseminação de patógenos no ambiente de trabalho (Camargo; Melo, 2017). Conclusão: O presente estudo de caso permitiu analisar, de forma crítica e aprofundada, as práticas relacionadas ao descarte de resíduos infectantes por profissionais de saúde em unidades de atenção primária, mais especificamente em duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Francisco Beltrão – PR, Brasil. A partir da observação das condutas e do diálogo com os profissionais envolvidos, foi possível constatar importantes fragilidades tanto no cumprimento das normativas estabelecidas pela legislação sanitária quanto na adesão às práticas de biossegurança por parte da equipe multidisciplinar. Observou-se que, embora a maioria dos profissionais esteja ciente da existência de normas como a RDC nº 222/2018 da ANVISA, muitas vezes, o conhecimento teórico não se converte em ações práticas consistentes. Isso foi evidenciado, por exemplo, no uso inadequado de recipientes para resíduos perfurocortantes, na mistura de resíduos de diferentes grupos e na ausência de sinalização adequada nos pontos de coleta. Essas falhas não se configuram apenas como questões operacionais, mas representam riscos reais à saúde do trabalhador, dos usuários e da coletividade. Diante do exposto, torna-se urgente a implementação de estratégias educativas permanentes que promovam a adesão efetiva às práticas de biossegurança e fortaleçam a cultura institucional de responsabilidade sanitária. Programas de treinamento, inserção de protocolos visíveis e atualizados nos ambientes de trabalho, supervisões sistemáticas e valorização do trabalho multiprofissional são ferramentas eficazes que podem ser aplicadas na realidade observada. |
|
| Referências: BARROS, P. M. G. A. et al. Percepção dos profissionais de saúde quanto à gestão dos resíduos de serviço de saúde. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, [S.l.], v. 11, n. 1, p. 201–210, 2020. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 222, de 28 de março de 2018. Dispõe sobre as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 mar. 2018.a CAMARGO, Â. R.; MELO, I. B. N. A percepção profissional sobre o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde em unidades básicas e ambulatórios de saúde. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 41, n. 4, p. 633–643, 2017. FERREIRA, M. S. et al. Fundamentos para gestão de resíduos de serviços de saúde. São Paulo: MKX Editorial, 2022. SILVA, S. M. P. Capacitação para o descarte correto do lixo infectante em uma unidade de serviço ambulatorial em Belo Horizonte. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Formação de Educadores em Saúde) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2020. |
|