HANSENÍASE: UMA REVISÃO DA LITERATURA  
1RAFAELLE HIROMI FARINHA KUMAGAI, 2ISADHORA CORREA PEREIRA, 3MARIA OLIVIA STANISCHESCK DE ARAUJO, 4ANA ALICE DIAS NOGUEIRA DA CRUZ, 5GLAUCIA RODRIGUES CARDOSO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, sendo o Brasil, o segundo país em número de casos no mundo, ficando atrás apenas da Índia (Araújo, 2003). Trata-se de uma  afecção  com  profundas  implicações  sociais  e  de saúde pública, e, mesmo com avanços significativos no tratamento e controle da doença, desafios persistem,  particularmente  em  regiões  de  alta  endemicidade (De Souza et al., 2024).
Objetivos: Realizar uma breve revisão de literatura acerca do conceito de Hanseníase, além de discorrer sobre seus fatores de risco, apresentações clínicas, possíveis sinais e sintomas,  seu diagnóstico e tratamento recomendado.
Desenvolvimento: A hanseníase é uma enfermidade crônica, granulomatosa, infecto-contagiosa, causada pela bactéria M. leprae, também denominada bacilo de Hansen, o qual apresenta a característica de ser intracelular obrigatório demonstrando uma peculiaridade de predileção por células cutâneas e por células dos nervos periféricos (Veloso et al., 2018). A doença não é só conhecida pelo alto nível de contagiosidade, mas também pelo quadro de sequelas e incapacidades em pacientes que são diagnosticados e tratados tardiamente. (ARANTES et al., 2010). Os fatores de  risco  relacionados  à  hanseníase  incluem  condições  socioeconômicas  desfavoráveis, fatores genéticos e, principalmente, contato prolongado com pacientes não tratados (De Souza et al., 2024). Clinicamente, a patologia pode ser classificada segundo o aspecto, quantidade e gravidade das lesões em: Indeterminada, Tuberculóide, Dimorfa e Virchowiana (BRASIL, 2008). Os sinais e sintomas se relacionam com o tipo de lesão apresentada, podendo ser manchas pigmentares ou hipocrômicas, placas, infiltrados na pele, tubérculos e nódulos. Essas lesões podem ser encontradas em qualquer parte do corpo, acometendo em maior frequência os membros, o dorso, orelhas e a mucosa oral (De Souza et al., 2019). Quanto ao diagnóstico da doença, os casos de hanseníase podem ser definidos quando há lesões cutâneas, teste de sensibilidade, teste de histamina, baciloscopia positivos, e em graus mais severos o acometimento dos nervos. (SOBRINHO et al., 2007). Por outro lado, De Souza et al., (2024), expõe que a baciloscopia da borda infiltrada das lesões, quando bem coletada e corada, é frequentemente positiva, exceto em casos raros em que a doença está limitada aos nervos. Portanto, quando o paciente é bem avaliado clinicamente, os exames laboratoriais quase sempre são desnecessários. De Souza et al., (2019), expõe em seu trabalho que, para definir o tratamento adequado feito com poliquimioterapia - conforme preconizado pela OMS -, as quatro formas de hanseníase são separadas em dois grupos: casos paucibacilares (PB) - indivíduos que exibem até cinco lesões de pele; e casos multibacilares (MB) - indivíduos que exibem mais de cinco lesões de pele. Por fim, Araújo (2003) descreve o tratamento da hanseníase, de forma a abranger: quimioterapia específica, supressão dos surtos reacionais, prevenção de incapacidades físicas, reabilitação física e psicossocial. Sendo que a poliquimioterapia com rifampicina, dapsona e clofazimina revelou-se muito eficaz.
Conclusão: A hanseníase é uma doença endêmica e altamente prevalente no Brasil, marcada por acometimento da derme e tecido nervoso periférico, sendo essencial seu diagnóstico precoce para que os pacientes não desenvolvam sequelas permanentes. No entanto, sabe-se que o diagnóstico ainda é um dos desafios mais persistentes devido ao não reconhecimento da doença por parte dos profissionais de saúde que, por muitas vezes, não identificam as lesões e a sintomatologia típica. Portanto, faz-se necessário que cada vez mais o estigma frente a esse tema seja eliminado, para que, desta forma, mais pesquisas sejam feitas, e que o conhecimento acerca desta doença possa ser universal, trazendo um melhor desfecho clínico aos pacientes.
Referências:
ARANTES, Cintia Kazue et al. Avaliação dos serviços de saúde em relação ao diagnóstico precoce da hanseníase. Faculdade de Medicina de São João do Rio Preto. São Paulo, vol.19, n. 2, p. 155-164, abr.-jun., 2010. Disponível em:http://www.uff.br/tudosobrelepra/Artigo%204.pdf. Acesso em: 05 ago. 2025. 
ARAÚJO, Marcelo Grossi. Hanseníase no Brasil. Revista da sociedade brasileira de medicina tropical, v. 36, p. 373-382, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/335vHvt6zgPfyXb7vnChvQJ/?for. Acesso em: 05 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da saúde. Vigilância em Saúde. Caderno de Atenção Básica. n. 21. 2 ed. rev. Brasília 2008: Secretaria de Atenção à Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/atencao-basica/cadernos-de-atencao-basica-21.pdf. Acesso em: 05 ago. 2025.
DE SOUZA, Larissa Ribeiro | Hanseníase: diagnóstico e tratamento. Humanidades e Tecnologia (FINOM), v. 16, n. 1, p. 423-435, 2019. Disponível em: https://revistas.icesp.br/index.php/FINOM_Humanidade_Tecnologia/article/download/680/490. Acesso em: 05 ago. 2025.
DE SOUZA, Thifisson Ribeiro et al. Hanseníase: Fatores de risco e classificações clínicas. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 3, p. 2744-2750, 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/download/13426/6509. Acesso em: 05 ago. 2025.  
SOBRINHO, Reinaldo Antônio da Silva et al. Avaliação do grau de incapacidade em hanseníase: uma estratégia para sensibilização e capacitação da equipe de enfermagem. Revista Latino-americana de Enfermagem. São Paulo, v. 15, n. 6, nov. - dez. 2007.Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/16187. Acesso em: 05 ago. 2025. 
VELÔSO, Dilbert Silva et al. Perfil clínico epidemiológico da hanseníase: uma revisão integrativa. 2018. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/29203/1/2017_art_dsveloso.pdf. Acesso em: 05 ago. 2025.