![]() | |
|---|---|
![]() | |
| MECANISMOS DE AÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS E A RESISTÊNCIA BACTERIANA | |
| 1MARIA VITÓRIA BRAZ SILVA, 2CAMILLY KEPE, 3GIOVANA MIOTO DE MOURA | |
| 1Acadêmica de Biomedicina 2Acadêmica de Biomedicina 3Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: Os antibióticos são fármacos essenciais no tratamento de infecções bacterianas. O termo foi proposto por Selman Waksman em 1942, ao descrever substâncias produzidas por microrganismos capazes de inibir outros (Soares, 2022). Atualmente, o conceito inclui compostos semissintéticos e sintéticos, e esses agentes atuam por diferentes mecanismos como a inibição da síntese da parede celular, de proteínas, do DNA ou de vias metabólicas essenciais (Xiao; Li; Sun, 2023). Objetivo: Pontuar o conhecimento acerca dos antibióticos, abordando seus mecanismos de ação e os processos envolvidos no desenvolvimento da resistência bacteriana. Desenvolvimento: A resistência bacteriana configura-se como um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea, decorrendo da capacidade adaptativa das bactérias em desenvolver mecanismos que neutralizam a ação dos antibióticos, como a produção de enzimas inativadoras, modificações nos sítios de ligação, redução da permeabilidade da membrana celular e ativação de bombas de efluxo, processos que, quando atuam de forma simultânea, comprometem de maneira significativa a eficácia terapêutica dos fármacos disponíveis (Soares, 2022). Desde a introdução da penicilina, na década de 1940, observou-se a rápida emergência de cepas resistentes, como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), configurando um marco histórico da problemática (Murray et al., 2022). Nas últimas décadas, entretanto, a questão adquiriu maior gravidade com a disseminação de bactérias multirresistentes, como Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e Klebsiella pneumoniae, associadas a altas taxas de mortalidade, prolongamento das internações e aumento expressivo dos custos hospitalares, impondo significativo ônus aos sistemas de saúde (Murray et al., 2022). Estima-se que milhões de óbitos anuais estejam relacionados a infecções por microrganismos resistentes, configurando uma ameaça concreta de ingresso em uma era pós-antibiótica, na qual procedimentos de rotina, como cirurgias eletivas e transplantes, poderiam tornar-se altamente arriscados pela ausência de terapias eficazes (WHO, 2025). A disseminação da resistência é favorecida por fatores diversos, entre eles a prescrição inadequada, a automedicação, a interrupção precoce dos tratamentos e o uso indiscriminado de antimicrobianos na agropecuária, práticas que aceleram a seleção de cepas resistentes e comprometem a efetividade clínica (Soares, 2022). Soma-se a esses aspectos a escassez de novos fármacos, decorrente das barreiras técnicas e financeiras que dificultam a inovação farmacêutica, restringindo a disponibilidade de alternativas terapêuticas eficazes (Soares, 2022). Nesse contexto, estratégias globais de conscientização têm sido implementadas, destacando-se a Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência aos Antimicrobianos, instituída pela Organização Mundial da Saúde, que em 2025 adota o tema “Act Now: Protect Our Present, Secure Our Future”, buscando sensibilizar profissionais de saúde, gestores, agricultores e a sociedade em geral acerca da necessidade do uso racional de antimicrobianos (WHO, 2025). Paralelamente, a pesquisa científica tem apontado alternativas promissoras, como a associação de antibióticos a compostos não antibióticos, abordagem que demonstra potencial para ampliar a eficácia frente a cepas multirresistentes (Xiao; Li; Sun, 2023). Esses avanços, articulados a programas de vigilância epidemiológica, controle rigoroso das infecções hospitalares e políticas públicas voltadas ao uso racional de antimicrobianos, configuram estratégias essenciais para conter a progressão da resistência bacteriana e garantir a efetividade dos recursos terapêuticos disponíveis (Murray et al., 2022). Conclusão: Diante do exposto, evidencia-se que a resistência bacteriana aos antibióticos constitui um fenômeno de grande complexidade e impacto global, ameaçando conquistas históricas da medicina e colocando em risco a efetividade das práticas terapêuticas atuais. A adaptação bacteriana, aliada ao uso inadequado de antimicrobianos, tem favorecido o surgimento de cepas multirresistentes, com elevado impacto clínico e econômico. A minimização desse problema requer estratégias integradas, incluindo uso racional de antibióticos, vigilância epidemiológica, controle rigoroso de infecções e desenvolvimento de novas terapias. |
|
| Referências: MURRAY, C. J. L. et al. Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: a systematic analysis. The Lancet, v. 399, n. 10325, p. 629–655, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02724-0. Acesso em: 1 set. 2025. SOARES, Vinicius H. P. Farmacologia antimicrobiana [livro eletrônico]. Santo André, SP: Difusão Editora, 2022. (Série Farmacologia, v. 6). ePub. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/203675/pdf/3. Acesso em: 1 set. 2025. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World Antimicrobial Resistance Awareness Week 2025. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/campaigns/world-amr-awareness-week. Acesso em: 6 set. 2025. XIAO, G.; LI, J.; SUN, Z. The combination of antibiotic and non-antibiotic compounds improves antibiotic efficacy against multidrug-resistant bacteria. International Journal of Molecular Sciences, v. 24, p. 15493, 2023. Disponível el em: https://doi.org/10.3390/ijms242015493. Acesso em: 1 set. 2025. |
|