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| RASTREAMENTO NEONATAL NO BRASIL: AVANÇOS, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO TESTE DO PEZINHO | |
| 1ANA PAULA PESSOA, 2DAVI ANTUNES SILVA DE PAULA, 3ISLÃNIA DE JESUS SANTOS SELES, 4RICHARD GOUVEIA SPRINGER SUZUKI, 5PRISCILA LUIZA MELLO | |
| 1Discente do curso de Medicina da Faculdade de Guarulhos – FAG / UNIESP - Guarulhos, SP. 2Discente do curso de Medicina da Faculdade de Guarulhos – FAG / UNIESP - Guarulhos, SP. 3Discente do curso de Medicina da Faculdade de Guarulhos – FAG / UNIESP - Guarulhos, SP. 4Discente do curso de Medicina da Faculdade de Guarulhos – FAG / UNIESP - Guarulhos, SP. 5Docente do curso de Medicina da Faculdade de Guarulhos – FAG / UNIESP - Guarulhos, SP. |
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| Introdução: O rastreamento neonatal, especialmente o Teste do Pezinho, é uma política pública estratégica para a detecção precoce de doenças genéticas, metabólicas e hormonais, possibilitando intervenções oportunas que reduzem a morbimortalidade infantil (BARBOSA & MAIDANA, 2024; CARVALHO et al., 2007). No Brasil, o exame integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) desde 2001, com cobertura obrigatória e diretrizes consolidadas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2015; 2024). Apesar dos avanços, persistem desafios como desigualdades regionais, conhecimento limitado da população e dos profissionais e falhas técnicas na coleta (CASTRO et al., 2022; MARTINS et al., 2025). O Manual AIDPI Neonatal (2014) padroniza protocolos de triagem e fluxos de atenção, favorecendo um manejo integrado do recém-nascido (MINISTÉRIO DA SAÚDE/OPAS, 2014). Embora o PNTN tenha expandido sua cobertura ao longo dos anos, a superação dessas dificuldades ainda requer esforços conjuntos entre governo, profissionais de saúde e a população, com vistas a fortalecer o impacto desse importante política pública. Objetivo: Analisar os avanços, desafios e perspectivas do rastreamento neonatal no Brasil, com ênfase no Teste do Pezinho, a partir da literatura científica e das diretrizes do Ministério da Saúde. Desenvolvimento: Histórico do PNTN O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) foi formalizado em 2001, após experiências regionais isoladas desde 1976. Inicialmente, o programa abrangia doenças como Fenilcetonúria (PKU) e Hipotireoidismo Congênito (CH), com cobertura restrita e desigualdade no acesso. Ao longo do tempo, houve uma ampliação do escopo, incluindo hemoglobinopatias, fibrose cística e deficiência de biotinase, garantindo uma cobertura nacional obrigatória. A evolução do PNTN tem sido fundamental para reduzir desigualdades no acesso aos testes, promovendo maior equidade em saúde infantil (CARVALHO et al., 2007; SOUZA et al., 2025). Avanços tecnológicos e estruturais A padronização dos fluxos pelo Manual AIDPI Neonatal (2014) integrou o Teste do Pezinho a outros exames, como “Teste do Olhinho”, “da Orelhinha” e “do Coraçãozinho”. Tecnologias como a espectrometria de massa permitem detectar múltiplas doenças de forma precoce, enquanto sistemas informatizados fortalecem rastreabilidade e segurança diagnóstica (BARBOSA & MAIDANA, 2024; MARTINS et al., 2025). Sistemas de monitoramento também melhoraram o controle de erros laboratoriais. A integração com a Rede Cegonha garante acompanhamento desde a atenção primária até os serviços de referência. Desafios e desigualdades regionais As disparidades permanecem mais evidentes no Norte e Nordeste, onde há limitações de infraestrutura, logística e capacitação profissional (SOUZA et al., 2025). Castro et al. (2022) destacam conhecimento insuficiente entre gestantes, puérperas e profissionais sobre a importância do exame. Martins et al. (2025) relatam falhas na coleta, como gotas sobrepostas e volume insuficiente de sangue, que comprometem a qualidade das amostras e exigem capacitação contínua e melhorias logísticas. Perspectivas futuras As perspectivas incluem a plena implementação da Lei nº 14.154/2021, que amplia o escopo de doenças rastreadas, a adoção de novos biomarcadores e a capacitação profissional, sobretudo em regiões mais vulneráveis (BRASIL, 2024). O monitoramento contínuo da cobertura e a educação em saúde para profissionais e população são fundamentais para reduzir desigualdades e consolidar o Teste do Pezinho como estratégia de prevenção em saúde infantil. Conclusão: O rastreamento neonatal no Brasil, com destaque para o Teste do Pezinho, tem avançado significativamente desde sua implementação, consolidando-se como uma ferramenta central na prevenção de agravos à saúde infantil. A ampliação da cobertura, que abrange doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e hemoglobinopatias, foi um passo fundamental para melhorar a saúde neonatal e reduzir a morbimortalidade infantil. No entanto, desafios ainda persistem, como as desigualdades regionais, que se refletem em disparidades no acesso aos exames entre as diversas regiões do país, especialmente no Norte e Nordeste. Além disso, falhas técnicas na coleta das amostras e o conhecimento limitado sobre o Teste do Pezinho entre gestantes e profissionais de saúde comprometem a efetividade do programa, exigindo esforços contínuos em educação e capacitação. As perspectivas futuras do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) são promissoras. A plena implementação da Lei nº 14.154/2021, que expande o escopo do rastreamento neonatal, trará avanços importantes, incluindo a incorporação de novas doenças ao programa, o que ampliará a detecção precoce de condições de saúde críticas para o recém-nascido. A capacitação profissional também se apresenta como uma prioridade, especialmente nas regiões mais vulneráveis, para garantir a qualidade da coleta e o adequado acompanhamento cobertura e dos resultados, visando ampliar a equidade e a efetividade do programa e consolidar o Teste do Pezinho como instrumento estratégico de prevenção de agravos à saúde infantil. |
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| Referências: BARBOSA, A. S.; MAIDANA JÚNIOR, J. N. Triagem neonatal biológica: identificação precoce de doenças. Asclepius International Journal of Scientific Health Science, v. 3, n. 5, p. 01–07, 2024. BRASIL. Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para ampliar a relação de doenças e agravos em saúde rastreados pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 27 maio 2021. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14154.htm. Acesso em: 15 set. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Triagem neonatal: deficiência de biotinidase. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério desenvolve ações para reestruturar o Programa Nacional de Triagem Neonatal. Brasília, 2024. CARVALHO, T. M. de et al. Newborn screening: a national public health programme in Brazil. Journal of Inherited Metabolic Diseases, v. 30, n. 4, p. 615–618, 2007. DOI: 10.1007/s10545-007-0650-7. CASTRO, A. M. et al. Teste do pezinho: avaliação do conhecimento e importância para a saúde. Research, Society and Development, v. 11, n. 15, e536111537023, 2022. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i15.37023. MARTINS, M. H. et al. Triagem neonatal: análise da viabilidade das amostras coletadas do teste do pezinho em Belo Horizonte. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, p. e17444, 2025. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e17444.2025. MINISTÉRIO DA SAÚDE; OPAS. Manual AIDPI Neonatal (Manual on Neonatal IMCI). 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. SOUZA, C. F. M. de et al. Newborn screening in Brazil: realities and challenges. Journal of Community Genetics, v. 16, n. 4, p. 431–438, 2025. DOI: 10.1007/s12687-024-00762-3. |
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