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| DESAFIOS DA FAMÍLIA NO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: RESULTADOS PRELIMINARES DE UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA | |
| 1ALESSANDRA VERONICA PEREIRA, 2GEOVANA FABRINI DOS SANTOS, 3KATIA BIAGIO FONTES | |
| 1Acadêmica do curso de enfermagem da Unipar 2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A partir da Reforma Psiquiátrica, houve uma transição do modelo hospitalocêntrico para um modelo de cuidado comunitário e territorial. Nesse novo paradigma, a responsabilidade pelo cuidado do indivíduo com transtorno psiquiátrico foi em grande parte transferida para o núcleo familiar, que assumiu a posição de principal provedor de suporte e assistência cotidiana (Amarante; Nabuco, 2020). Essa mudança culminou num intenso desgaste, culminando em um fenômeno amplamente documentado na literatura como sobrecarga familiar, resultando em alterações nas esferas emocional, financeira e social, levando ao isolamento e comprometimento da funcionalidade e o bem-estar de todo o sistema familiar (Pelegrini; Marques, 2019). Objetivo: Analisar a produção científica acerca dos principais desafios vivenciados pela família no cuidado ao indivíduo com transtorno psiquiátrico. Desenvolvimento: Estudo de revisão de literatura realizado nas bases de dados SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Para estratégia de busca foram utilizados os descritores controlados (DeCS/MeSH) "Saúde Mental" (Mental Health) e "Família" (Family), articulados pelo operador booleano "AND". Após leitura minuciosa foram selecionados 07 artigos que após análise e interpretação dos dados emergiram seis categorias temáticas elencadas a seguir. 1) Estabelecimento de Vínculo: O estabelecimento de vínculo entre a família e a equipe de saúde emerge como uma estratégia fundamental e transformadora. A construção de uma relação de confiança e acolhimento funciona como o principal antídoto para o sentimento de isolamento, oferecendo um porto seguro para que os familiares possam expressar suas angústias (Bandeira; Barroso, 2005). 2) Participação da Família no Tratamento: a participação da família no tratamento transcende o mero cumprimento de tarefas e se qualifica como uma colaboração ativa e consciente no projeto terapêutico. Familiares que se sentem acolhidos conseguem se engajar de maneira mais efetiva, auxiliando na adesão do paciente ao tratamento e identificando precocemente sinais de crise (Oliveira; Medeiros; Guimarães, 2020). 3) Conhecimento: O despreparo para lidar com sintomas específicos, como delírios, alucinações ou mesmo o embotamento afetivo, pode gerar conflitos e reações inadequadas que agravam o sofrimento de todos (Oliveira; Medeiros; Guimarães, 2020). O acesso ao conhecimento sobre o transtorno mental, seu tratamento e as formas de manejo de crises, capacita e empodera os cuidadores (Bandeira; Barroso, 2005). 4) Sobrecarga Familiar: O espaço doméstico, idealizado como um refúgio de segurança e previsibilidade, transforma-se frequentemente em um ambiente de instabilidade, tensão e hipervigilância, exigindo dos familiares uma capacidade de adaptação constante para a qual raramente estão preparados (Giraldes et al., 2014). 5) Convivência: A convivência diária com os sintomas do transtorno, a gestão da terapêutica medicamentosa, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde e o estigma social são apenas algumas das barreiras enfrentadas. Frequentemente, essa jornada é marcada por um intenso desgaste, culminando em sobrecarga familiar (Pelegrini; Marques, 2019). 6) Isolamento: para evitar o estigma ou o desconforto de expor essa realidade, a família tende a restringir sua vida social, transformando a convivência em um fator que alimenta o isolamento. O lar torna-se, paradoxalmente, o único lugar seguro e, ao mesmo tempo, o epicentro do sofrimento (Bandeira; Barroso, 2005). Conclusão: Pode-se concluir que os desafios vivenciados pela família no cuidado à pessoa com transtorno mental formam uma complexa e interconectada rede de vulnerabilidades. Diante do exposto, torna-se imperativo que as práticas de saúde, especialmente no âmbito da Enfermagem, avancem para além do foco exclusivo no paciente e adotem a família como uma unidade de cuidado. |
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| Referências: BANDEIRA, M.; BARROSO, S. M. Sobrecarga das famílias de pacientes psiquiátricos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 54, n. 1, p. 34-46, 2005. GIRALDES, P. C. R. et al. O cotidiano de famílias de pessoas com transtornos mentais: o que muda com o tratamento? Saúde em Debate, v. 38, n. 102, p. 504-515, 2014. OLIVEIRA, E. B.; MEDEIROS, S. M. de; GUIMARÃES, J. Atuação do enfermeiro na saúde mental: desafios e estratégias de cuidado à família no CAPS. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 24, n. 2, p. e20190240, 2020. PELEGRINI, A. H. W.; MARQUES, D. A. Sobrecarga e qualidade de vida de familiares cuidadores de pessoas com transtornos mentais. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, n. 1, p. 145-152, 2019. |
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