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| USO DE HORMÔNIOS NA AVICULTURA DE CORTE BRASILEIRA: FATO OU FICÇÃO? | |
| 1PAULO ARALDI, 2SABRINA KUNZLER, 3MATHEUS AIRES MEIRELES, 4BRUNA CAROLINE WEBER, 5JOÃO PEDRO BIANCHINI FRIEDRICH, 6VICTOR HUGO CORTEZ DIAS | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar 2Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar 3Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar 4Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar 5Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A avicultura de corte destaca-se na produção de proteína animal, com os Estados Unidos, a China e o Brasil como os três maiores produtores de carne de frango do mundo. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil produziu mais de 14 mil toneladas em 2024, representando quase 15% da produção mundial (ABPA, 2025). Tamanho sucesso nos números se deve a diversos fatores, os quais incluem material genético de alta qualidade, biosseguridade rigorosa e nutrição de excelência. Ao longo dos anos, a produção animal, como quaisquer outros setores produtivos, passou por atualizações e melhoramentos, o que permitiu que o rendimento de carcaça ganhasse proporções nunca antes vistas. Tais resultados levantam questionamentos a respeito da possível utilização de hormônios exógenos na criação intensiva de frangos. Objetivo: Analisar a literatura com o objetivo de identificar evidências sobre o uso de hormônios exógenos na produção avícola no Brasil, visando esclarecer e desmistificar o tema. Desenvolvimento: A avicultura comercial passou por profundas transformações ao longo dos anos, resultado direto do aprimoramento genético, nutricional e do manejo das aves. Estudos conduzidos por Havenstein et al. (2003) compararam o peso corporal, consumo de ração e mortalidade entre duas linhagens de frangos, sendo uma delas de 1957 – Athens-Canadian Randombred Control (ACRBC) – e outra de 2001 (Ross 308), quando submetidas a tratamentos com dietas de 1957 e 2001. Em relação às dietas, vale ressaltar que, em 1957, utilizavam-se apenas dois tipos de ração: uma delas entre 1 e 35 dias e a outra entre 36 e 84 dias. Já em 2001, utilizou-se 4 formulações diferentes, sendo elas: dos dias 1 a 21, 22 a 35, 36 a 42 e 43 a 84. Essa diferença entre as dietas representa uma maior preocupação com as necessidades fisiológicas dos animais nas diferentes etapas da criação. Os resultados obtidos indicaram que, aos 42 dias de idade, os animais da linhagem ACRBC de 1957 apresentaram pesos corporais de 539 g e 578 g quando submetidos, respectivamente, às dietas formuladas em 1957 e 2001. Contudo, a diferença mais expressiva foi atribuída ao fator genético, uma vez que, os animais da linhagem Ross 308 atingiram 2,672 kg com a dieta de 2001 e 2,126 kg com a dieta de 1957. Em relação à conversão alimentar, observam-se valores de 2,34 para animais da linhagem ACRBC, tratados com uma dieta de 1957; 2,14 para essa mesma linhagem, porém com uma dieta de 2001; 1,92 para a linhagem Ross 308 tratada com dieta de 1957 e finalmente 1,63 para essa linhagem quando tratada com uma dieta de 2001. O estudo concluiu que a seleção genética foi responsável por cerca de 90% do melhoramento genético, enquanto a nutrição ocupou-se de cerca de 10%. Outro estudo conduzido por Havenstein et al. (2003) analisou a composição e o rendimento de carcaça de animais das mesmas linhagens e com as mesmas dietas do estudo anterior. Aos 43 dias, o rendimento de carcaça para o grupo com genética de 1957 tratado com dieta de 1957 foi de 60%. Esse número aumenta para 72,3% quando se analisa o grupo com genética de 2003 e dieta também de 2003. Em relação ao rendimento de peito, por exemplo, os valores saltaram de 11.6% a 20%. Scheuermann e colaboradores (2015), realizaram um levantamento bibliográfico a respeito da utilização de hormônios exógenos na produção de frango de corte, visto que o rápido crescimento e alto rendimento dos animais leva a questionamentos em relação ao uso dessas substâncias. Esse estudo concluiu, porém, que nada justifica o uso de hormônios, uma vez que eles seriam caros e levariam muito tempo para surtirem efeito. Além disso, no Brasil, por exemplo, existem normativas do Ministério da Agricultura e Pecuária que proíbem a adição de hormônios em alimentos para animais, com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar. Rufino et al. (2016) realizaram uma revisão de literatura a partir da investigação de artigos e material científico com objetivo de esclarecer dúvidas e reforçar a ideia de que a carne de frango produzida no Brasil é segura e saudável para os consumidores. Os autores concluíram que o uso de hormônios exógenos não possibilita a obtenção de vantagens zootécnicas, além de serem economicamente inviáveis para a indústria. Conclusão: Com base nesses dados, conclui-se que o notável progresso da avicultura de corte no século XX decorre da aplicação contínua do conhecimento científico, especialmente nas áreas de genética e nutrição animal. A evolução observada nas aves modernas é análoga ao desenvolvimento de tecnologias em outros setores industriais: não se trata da introdução de agentes artificiais pontuais, como hormônios exógenos, mas da otimização sistêmica de múltiplos fatores biológicos, ambientais e tecnológicos ao longo do tempo. |
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| Referências: ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal. Relatório Anual 2025. São Paulo: ABPA, 2025. Disponível em: https://abpa-br.org/. Acesso em: set. 2025. HAVENSTEIN, G. B.; FERKET, P. R.; QURESHI, M. A. Growth, livability, and feed conversion of 1957 versus 2001 broilers when fed representative 1957 and 2001 broiler diets. Poultry Science, v. 82, p. 1500–1508, 2003 HAVENSTEIN, G. B.; FERKET, P. R.; QURESHI, M. A. Carcass composition and yield of 1957 versus 2001 broilers when fed representative 1957 and 2001 broiler diets. Poultry Science, v. 82, p. 1509–1518, 2003. RUFINO, João Paulo Ferreira; CRUZ, Frank George Guimarães; SILVA, André Ferreira; COSTA, Valcely da Rocha; CRUZ COSTA, Ana Paula Guimarães; BEZERRA, Natalia dos Santos. Desconstrução do mito sobre a utilização de hormônios exógenos na produção avícola. Revista Científica de Avicultura e Suinocultura, v. 2, n. 2, p. 043-054, 2016. SCHEUERMANN, G. N.; THEREZA, N. A.; OLIVEIRA, C. R. A.; COELHO, H. D. S.; BOAS, M. B. V.; COUTINHO, R. M. C.; GUERREIRO, J. R. Utilização de hormônios na produção de frangos: mito ou realidade? Journal of Health Sciences Institute, v. 33, n. 1, p. 94–99, 2015. |
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