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| RAÇA, GÊNERO E ORIENTAÇÃO SEXUAL NO ACESSO À PREP: DESAFIOS E DESCONTINUIDADES NO CONTEXTO BRASILEIRO | |
| 1BARBARA CAROLINE ASSIS DE JESUS, 2ANDRÉ FELIPE DA SILVA OLIVEIRA, 3EIDE LAURA DE JESUS PINTO, 4ELOISA CORREA, 5MARCELO AUGUSTO ALVES BATAIELO, 6PEDRO HENRIQUE PAIVA BERNARDO | |
| 1¹Graduanda em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 2GraduandO em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 3Graduanda em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 4Graduanda em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 5Graduando em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 6Docente do Centro Universitário Ingá, Doutorando em Enfermagem/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. |
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| Introdução: A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) é uma estratégia preventiva disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), indicada a pessoas que, em diferentes contextos, apresentam maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV. Essa vulnerabilidade pode estar relacionada a fatores individuais, sociais ou estruturais, incluindo situações de desigualdade de acesso a insumos de prevenção, práticas sexuais desprotegidas, relacionamentos sorodiferentes e uso compartilhado de instrumentos perfurocortantes ou de injeção.A estratégia busca reduzir a probabilidade de infecção, sobretudo em grupos prioritários (Doherty et al., 2023). Apesar dos resultados promissores, a PrEP enfrenta obstáculos, como adesão e integração aos serviços de saúde (Borges et al., 2024). Entretanto, observa-se dificuldade de inclusão à travestis e mulheres trans, influenciada por fatores estruturais e socioculturais, como pobreza, racismo, violência, trabalho sexual e discriminação nos próprios serviços de saúde. Objetivo: Analisar como fatores relacionados à raça, gênero e orientação sexual influenciam o acesso, adesão e continuidade da PrEP no contexto brasileiro, identificando barreiras estruturais, sociais e institucionais que impactam populações prioritárias e vulneráveis. Material e Métodos: Trata-se de um estudo descritivo exploratório com abordagem quantitativa, baseado em dados secundários do Painel PrEP, disponibilizado pelo Ministério da Saúde. As informações referentes a raça/cor, gênero, orientação sexual e escolaridade dos usuários de PrEP foram coletadas e organizadas no programa Google Sheets®, permitindo a consolidação e análise das variáveis. Foram descritas tendências de acesso, adesão e descontinuidade da profilaxia no período de 2020 a 2024, com foco em desigualdades estruturais, sociais e institucionais. Resultados: Entre 2020 e 2024, o número de usuários de PrEP no Brasil aumentou de 19.958 para 132.462, uma expansão significativa. Apesar disso, persistem desigualdades marcantes. Em 2024, 52% dos usuários eram brancos, 34% pardos, 14% pretos e 0,4% indígenas. Quanto a gênero e orientação sexual: gays e outros HSH cis representavam 72,4% dos usuários; mulheres cis, 11%; homens heterossexuais cis, 10,3%; mulheres trans, 3,4%; homens trans, 1,7%; pessoas não bináries, 0,5%; e travestis, 0,3%. A distribuição racial dentro desses grupos evidencia desigualdade: por exemplo, entre gays e outros HSH cis, 55,1% eram brancos e apenas 13% pretos; entre mulheres cis, 44,2% brancas e 14,9% pretas; entre mulheres trans, 41,6% brancas e 19% pretas. A escolaridade indica barreiras socioeconômicas: 64,3% dos usuários possuíam 12 anos ou mais de estudo, 28,7% tinham de 8 a 11 anos, 5% de 4 a 7 anos e 1,9% até 3 anos ou sem escolarização formal. As taxas de descontinuidade mostraram desigualdade persistente: 36% entre pretos, 35% pardos, 31% brancos e 40% indígenas. Por população, gays e HSH cis apresentaram 29% de descontinuidade, mulheres cis 55%, homens heterossexuais cis 46%, mulheres trans 40%, homens trans 36%, pessoas não bináries 35% e travestis 39%. Discussão: Os resultados desta pesquisa revelam avanços importantes na expansão da PrEP no Brasil, mas deixam evidente que o crescimento quantitativo não se traduz, de forma equitativa, em acesso universal. O predomínio de usuários homens cisgêneros, brancos e com maior escolaridade mostra que, apesar da disponibilidade no SUS, barreiras sociais e estruturais continuam a excluir populações mais vulneráveis, como pessoas negras, mulheres cis e populações trans.Esse padrão corrobora os achados de Pimenta et al. (2022), que apontaram que barreiras estruturais, como pobreza, racismo e discriminação em unidades de saúde, dificultam a inclusão de grupos vulneráveis. Dentro desses subgrupos, usuários pretos e pardos apresentaram taxas maiores de descontinuidade, refletindo desigualdades estruturais e barreiras no acompanhamento. Tal cenário confirma que o acesso inicial à PrEP não garante adesão sustentada sem estratégias de acolhimento e atenção às necessidades socioculturais dos usuários (Borges et al., 2024). Em síntese, embora a expansão da PrEP seja um avanço, seu uso permanece concentrado em homens brancos, escolarizados e HSH cis, com menor presença de mulheres, pessoas trans, travestis, não bináries e negros, evidenciando os desafios persistentes para a equidade no acesso e na adesão à profilaxia. Conclusão: A ampliação do acesso à PrEP no Brasil é evidente, mas a análise dos dados revela a persistência de profundas desigualdades. O uso concentra-se em homens brancos, cis e com maior escolaridade, enquanto grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como pessoas negras, mulheres cis, e pessoas trans, continuam com dificuldade de acesso. Esses achados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas mais inclusivas que enfrentam o racismo estrutural, a LGBTfobia e as barreiras institucionais, garantindo que a PrEP se torne uma ferramenta de saúde verdadeiramente equitativa no país. |
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| Referências: BORGES, Luiz Carlos Santos; SOUZA, Pedro Henrique Silveira; MOITA, Fernando Ériton Aguiar; FREITAS, Emanuel Gustavo Sabino de; CARTAXO, Higor Braga. EP-149 - Estudo ecológico: perfil do consumo Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) no Brasil. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 28, Supplement 2, p. 104072, oct. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.bjid.2024.104072. Acesso em: 23 ago. 2025. Doherty R, Walsh JL, Quinn KG, John SA. Associação de raça e outros determinantes sociais da saúde com profilaxia pré-exposição ao HIV Uso: uma análise de nível de Condado usando a proporção PrEP para necessidade. AIDS Educ Prev. 2022 jun;34(3):183-194. doi: 10.1521/aeap.2022.34.3.183. PMID: 35647866; PMCID: PMC9196948. Pimenta MC, Bermúdez XP, Godoi AMM, Maksud I, Benedetti M, Kauss B, Torres TS, Hoagland B, Pereira GFM, Grinsztejn B, Veloso VG. Barreiras e facilitadores do acesso de populações vulneraveis à PrEP no Brasil: Estudo ImPrEP Stakeholders [Barreiras e facilitadores para acesso à PrEP por populações vulneráveis no Brasil: o Estudo ImPrEP Stakeholders]. Cad Saude Publica. 2022 Jan 12;38(1): e00290620. Português. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00290620. PMID: 35043886. |
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