QUEIMADURAS: AVANÇOS NO MANEJO CLÍNICO, CIRÚRGICO E REABILITADOR  
1LETICIA DE ALENCAR PASSOS BRAGA, 2MARIA EDUARDA BERNARDI GARCIA, 3ANA CAROLINA RIZZATTI GONÇALVES, 4BEATRIZ BARCELLOS RAMOS, 5GLAUCIA RODRIGUES CARDOSO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: As queimaduras representam um dos traumas mais graves no âmbito médico-hospitalar, não apenas pela alta morbimortalidade, mas também pelo impacto funcional, psicológico e social imposto ao paciente. O tratamento desses casos demanda uma abordagem multiprofissional e progressiva, que vai desde a estabilização clínica inicial até a reconstrução tecidual (MONTOYA-VALENCIA et al., 2025). Para isso, as técnicas cirúrgicas têm evoluído significativamente, incorporando aloenxertos e xenoenxertos como alternativas terapêuticas eficazes, capazes de reduzir complicações e melhorar a sobrevida (ARGOTI-TIERRES; CHICAIZA-TAYUPANTA, 2025).
Objetivo: Este estudo tem como objetivo discutir a aplicabilidade da cirurgia reconstrutiva em queimaduras extensas, com enfoque no uso de aloenxertos e xenoenxertos, além de considerar contribuições complementares como a fisioterapia e novas biotecnologias no processo de reabilitação (SOUZA; OLIVEIRA; CAMARGO, 2023).
Desenvolvimento: O manejo cirúrgico do paciente queimado enfrenta como principal desafio a escassez de tecido autólogo disponível para enxertos. Em situações de grande extensão da lesão, essa limitação impõe a utilização de alternativas, como aloenxertos e xenoenxertos, que podem atuar como coberturas temporárias ou definitivas (ARGOTI-TIERRES; CHICAIZA-TAYUPANTA, 2025). Os aloenxertos, derivados de doadores humanos, são amplamente reconhecidos por sua semelhança estrutural com o tecido do receptor, conferindo boa adaptação, proteção contra infecção e redução da perda hídrica. Contudo, sua disponibilidade limitada e os riscos relacionados à transmissão de patógenos ainda representam entraves ao uso universal. Já os xenoenxertos, geralmente de origem suína, apresentam a vantagem da ampla oferta e baixo custo. Embora sua utilização seja temporária, pela rejeição imunológica precoce, estudos demonstram que eles cumprem papel fundamental na proteção inicial das feridas, reduzindo complicações sistêmicas e contribuindo para estabilização clínica (ARGOTI-TIERRES; CHICAIZA-TAYUPANTA, 2025; MONTOYA-VALENCIA et al., 2025). Além dessas modalidades, novas terapias vêm sendo estudadas. A aplicação de células epidérmicas não cultivadas associadas ao resurfacing a laser representa um avanço promissor, ampliando as possibilidades de regeneração tecidual em áreas de difícil cobertura (MEHTA; TANEJA; GUPTA, 2024). Esses métodos complementam as técnicas tradicionais, agregando benefícios na estética e funcionalidade pós-enxerto. Por outro lado, o processo de reabilitação não se restringe ao reparo tecidual. A fisioterapia exerce papel essencial na recuperação funcional, prevenindo sequelas, melhorando a amplitude de movimento e favorecendo a reintegração social do paciente (SOUZA; OLIVEIRA; CAMARGO, 2023). Dessa forma, a integração entre técnicas cirúrgicas e terapias de suporte torna-se imprescindível para a evolução satisfatória do tratamento.
Conclusão: A cirurgia reconstrutiva utilizando aloenxertos e xenoenxertos representa um marco importante no manejo de pacientes queimados, garantindo maior sobrevida e qualidade de vida. Enquanto os aloenxertos oferecem maior compatibilidade, os xenoenxertos se destacam pela acessibilidade e eficácia inicial. Paralelamente, novas abordagens biotecnológicas e o suporte fisioterápico têm ampliado o horizonte terapêutico, evidenciando a necessidade de uma abordagem integrada e interdisciplinar (ARGOTI-TIERRES; CHICAIZA-TAYUPANTA, 2025; MEHTA; TANEJA; GUPTA, 2024; SOUZA; OLIVEIRA; CAMARGO, 2023).
Referências:
ARGOTI-TIERRES, A. P.; CHICAIZA-TAYUPANTA, J. O. Cirugía tisular reconstructiva enfocada al uso de xenoinjertos y aloinjertos en pacientes con quemaduras. MQRInvestigar, v. 9, n. 2, p. e496, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.56048/MQR20225.9.2.2025.e496. Acesso em: 05 Set 2025.
MEHTA, N.; TANEJA, N.; GUPTA, S. Non-cultured epidermal cell suspension and laser resurfacing to improve the appearance of thick post-burn skin graft. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology, v. 90, n. 3, p.376-378, 2024. Disponível em: 10.25259/IJDVL_402_2023. Acesso em: 05 Set 2025.
MONTOYA-VALENCIA, V. et al. Actualización sobre el manejo del paciente quemado: Una revisión narrativa: Update on the management of the burn patient: A narrative review. Peruvian Journal of Health Care and Global Health, v. 9, n. 2, 2025. Disponível em: https://revista.uch.edu.pe/index.php/hgh/article/view/331. Acesso em: 05 Set 2025.
SOUZA, L. T.; OLIVEIRA, C. D. K.; CAMARGO, R. S. A importância da fisioterapia na reabilitação de pacientes queimados: revisão de literatura. Anais do EVINCI - UniBrasil, v. 9, n. 2, p. 448, 2023. Disponível em: https://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/view/7001/5393. Acesso em: 05 Set 2025.