MICRORGANISMOS PROMOTORES DE CRESCIMENTOVEGETAL EM PASTAGENS  
1DIEGO PEREIRA UTSUNOMIYA, 2BRUNA DE FÁTIMA ANTUNES LAGINESTRA, 3NICHOLAS MARTINS DE MELLO, 4KAROLAINE BEZERRA, 5SILVIA GRACIELE HULSE DE SOUZA
1Doutorando, Departamento de Biotecnologia aplicada á agricultura, Universidade Paranaense
2Doutorando, Departamento de Ciência animal com ênfase em bioativos, Universidade Paranaense
3Doutorando, Departamento de Ciência animal com ênfase em bioativos, Universidade Paranaense
4Doutorando, Departamento de Ciência animal com ênfase em bioativos, Universidade Paranaense
5Docente da UNIPAR
Introdução: A utilização de microrganismos promotores de crescimento de plantas (MPCP) em sistemas de pastagens tem ganhado destaque como uma alternativa sustentável para aumentar a produtividade forrageira, melhorar a qualidade nutricional da biomassa e reduzir a dependência de fertilizantes minerais. Essa prática apresenta melhores resultados em países tropicais, onde as pastagens representam a base da pecuária e enfrentam problemas de degradação (GUIMARÃES et al., 2022).
Objetivo: Este trabalho tem como objetivo identificar e discutir os principais microrganismos utilizados em pastagens, destacando seus mecanismos de ação e os benefícios agronômicos que proporcionam para a sustentabilidade e aumento da produtividade.
Desenvolvimento: Os mecanismos pelos quais os MPCP atuam comumente são: fixação biológica de nitrogênio por bactérias diazotróficas (como Azospirillum e Herbaspirillum), produção de fitohormônios (auxinas, citocininas, giberelinas), solubilização de fosfatos insolúveis, indução de tolerância a estresses abióticos e aumento da absorção de nutrientes (FUKAMI et al., 2018). A relevância da fixação biológica de nitrogênio foi destacada por Vogel et al. (2014), que revisaram trabalhos sobre o uso de Azospirillum brasilense em poáceas forrageiras. Os autores ressaltaram seu potencial não apenas na redução do uso de fertilizantes nitrogenados, mas também na recuperação de pastagens degradadas. Esses efeitos resultam em maior desenvolvimento radicular, maior eficiência de uso de água e incremento da biomassa vegetal. Em gramíneas forrageiras tropicais, como Urochloa spp. (Brachiaria) e Cynodon spp., diversas pesquisas reportam aumentos significativos de produção de matéria seca, acúmulo de nutrientes e vigor das plantas em resposta à inoculação de MPCP (HUNGRIA et al., 2021). Por exemplo, estudos com A. brasilense evidenciam incremento no perfilhamento e na taxa de crescimento da Brachiaria, enquanto co-inoculações com Bacillus potencializam os efeitos por meio da solubilização de fósforo e síntese de metabólitos promotores de crescimento (TERRA et al., 2024). Apesar dos resultados promissores, a resposta às inoculações pode variar de acordo com a espécie vegetal, estirpe microbiana utilizada, microbiota nativa do solo além das condições edafoclimáticas e o manejo da pastagem (PORTO, 2022). Além disso, fatores como formulação dos inoculantes (peat, polímeros, líquidos), vias de aplicação (sementes, pulverização foliar) e a sobrevivência dos microrganismos no ambiente, tem influência direta na eficiência dos microorganismos incoculados (GUIMARÃES et al., 2022). As perspectivas futuras apontam para o uso de diferentes microrganismos que integrem em diferentes funções, como fixação de nitrogênio, solubilização de fósforo. Essa abordagem pode contribuir para a recuperação de pastagens degradadas, maior resiliência a estresses hídricos e fortalecimento da sustentabilidade dos sistemas pecuários tropicais (PORTO, 2022). No entanto, ainda se faz necessária a realização de ensaios de larga escala, de caráter econômico e de longo prazo, para consolidar o uso de MPCP em pastagens comerciais (HUNGRIA et al., 2021).
Conclusão: A busca por alternativas sustentáveis no manejo de pastagens tem impulsionado o uso de microrganismos, especialmente nas forrageiras tropicais, como Urochloa spp. Esses microrganismos podem melhorar a eficiência nutricional da planta além de reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Esses agentes biológicos promovem a ciclagem de nutrientes, estimulam o crescimento vegetal e oferecem proteção contra estresses bióticos e abióticos, alinhando-se aos princípios de uma agricultura mais ecológica e eficiente.
Referências:
FUKAMI, Josiane; CEREZINI, Paula; HUNGRIA, Mariangela. Azospirillum: benefits that go far beyond biological nitrogen fixation. Amb Express, v. 8, n. 1, p. 73, 2018.
GUIMARÃES, G. S. et al. Pointing out opportunities to increase grassland pastures productivity via microbial inoculants. Agronomy, Basel, v. 12, n. 8, p. 1748, 2022.
HUNGRIA, M. et al. Seed and leaf-spray inoculation of PGPR in brachiarias (Urochloa spp.) as an economic and environmental opportunity to improve plant growth, forage yield and nutrient status. Plant and Soil, Dordrecht, v. 463, p. 185-203, 2021.
PORTO, E. M. V. Microrganismos promotores de crescimento de plantas como mitigadores do estresse hídrico em pastagens. Research, Society and Development, Itabira, v. 11, n. 7, e28711730107, 2022.
TERRA, Lorena Emanuelle da Mata et al. Co-Inoculation of Azospirillum brasilense and Bacillus sp. Enhances Biomass and Photosynthetic Efficiency in Urochloa brizantha. Agriculture; Basel, v. 14, n. 12, 2024.
VOGEL, Gabriel; MARTINKOSKI, Lais; RUZICKI, Marielli. Efeitos da utilização de Azospirillum brasilense em poáceas forrageiras: importâncias e resultados. Agropecuária Científica no Semiárido, v. 10, n. 1, p. 01-06, 2014.