BENEFÍCIOS DE PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS FÍSICOS PARA CAPACIDADE COGNITIVA DE PESSOAS IDOSAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE METANÁLISES   
1THAYNARA SILVA ROCHA, 2FLAIANE MARIA GUARDA, 3VANESSA FÁTIMA DA SILVA ESPÍNDOLA, 4CLEOMARA DA SILVA CHAVES, 5VALESKA BRUM CAMPOS DA SILVA, 6DURCELINA SCHIAVONI BORTOLOTI
1Discente do Curso de Medicina, PIBIC/UNIPAR – Umuarama
2Discente do Curso de Enfermagem, PIC/UNIPAR – Francisco Beltrão
3Discente do Curso de Enfermagem, PIC/UNIPAR – Francisco Beltrão
4Discente do Curso de Educação Física, PIC/UNIPAR – Francisco Beltrão
5Discente do Curso de Enfermagem, PIC/UNIPAR – Francisco Beltrão
6Docente do Curso de Educação Física, PIC/PIBIC/UNIPAR – Francisco Beltrão
Introdução: Durante o processo de envelhecimento há um declínio nas capacidades funcionais e cognitivas, principalmente após a sexta década de vida, além da grande probabilidade do surgimento ou agravo de doenças crônicas-degenerativas (China et al., 2021). De acordo com Li et al. (2025), nesta fase o declínio cognitivo é gradual e pode progredir para a uma condição de deficiência cognitiva. Esta condição é caracterizada por dificuldades de memória, linguagem, atenção e função executiva advindas da degeneração ou dano das funções cerebrais. Em contrapartida, estudos mostram que o exercício físico contribui para uma vida mais saudável, pois aprimora as atividades físicas diárias, ajuda na prevenção de doenças, aumenta a autonomia e independência de pessoas idosas. Adicionalmente, pode melhorar funções cognitivas como memória e linguagem (Nascimento; Santos, 2023). Assim, pesquisadores da área da saúde, investigam as inúmeras propostas de exercícios, que podem ser estruturadas para pessoas idosas como forma de aprimorar as habilidades necessárias para as tarefas cotidianas, melhoria de aspectos da qualidade de vida e das capacidades cognitivas (Zhang et al., 2025).
Objetivo: Verificar os benefícios de programas de exercícios físicos na capacidade cognitiva de pessoas idosas a partir de um estudo de revisão sistemática de metanálises.
Desenvolvimento: O estudo foi conduzido por meio de uma revisão sistemática da literatura dos estudos de metanálises. Incluiu-se estudos indexados às seguintes bases de dados: PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library,  Lilacs, Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde, publicados de Janeiro de 2024 a Agosto de 2025. Os estudos selecionados deveriam ser compostos de estudos de metanálises de ensaios clínicos aleatórios (ECA) realizados com pessoas idosas (≥ 60 anos) que foram submetidas a programas de exercícios físicos para melhoria de pelo menos um componente da capacidade/função cognitiva (Ex: memória, atenção, linguagem, etc). Este estudo faz parte de um estudo maior assim, organizou-se os strings (português e inglês) de acordo com os desfechos investigados e as características das bases de dados. Para tanto empregou-se as seguintes palavras-chave: elderly (e sinônimos), exercise training (e sinônimos), physical fitness, cognition, chronic disease, functional capacity e systematic review. Após as buscas e análises dos artigos, foram encontrados 55 artigos dos últimos 25 anos, para o desfecho capacidade/função cognitiva, contudo, para este estudo foram apresentados somente os publicados nos últimos 20 meses (n=14 estudos). Assim, identificou-se 14 estudos de metanálises que englobam 338 ensaios clínicos aleatórios com um número total de 23.774 participantes. As intervenções relatadas nas metanálises incluem diferentes modalidades de exercícios como por exemplo: dança, treinamento resistido, exercícios aeróbicos, exercícios combinados (aeróbico + resistido), exercícios tradicionais orientais (Tai Chi Chuan, Yoga), programas muti-exercícios (mente-corpo, aeróbicos, resistidos e de equilíbrio). Os principais resultados destacam que, de forma geral, as intervenções com exercícios físicos demonstraram efeitos positivos na função cognitiva de idosos, ainda que não determinada a melhor dose para a melhor resposta, haja vista a diversidade (variações de intensidades, tipos e duração) dos protocolos encontrados (Ding, 2025). Todavia, os programas combinados mostraram benefícios consistentes na memória, atenção e funções executivas (Lu et al., 2024). A dança demonstrou alguma melhora nos aspectos cognitivos e redução de sintomas de depressão, adicionalmente apresentou-se como um estímulo ao engajamento social, elemento importante para a saúde mental dos idosos, contudo, as evidências sobre a dança foram as menos consistentes, sem resultados robustos nos desfechos investigados (Jaldin et al., 2025). Os exercícios tradicionais chineses, como o Tai Chi Chuan, apresentaram efeitos benéficos na cognição global e na atenção, possivelmente relacionados à integração de movimentos coordenados e foco mental (Liu et al., 2025). Já o treinamento resistido, se mostrou particularmente eficaz para melhorar a memória de trabalho e a velocidade de processamento, sugerindo um impacto específico desse tipo de exercício sobre funções cognitivas, esses achados podem estar associados as melhorias da força muscular e da coordenação motora (Li et al, 2024). Vale destacar que, em idosos com comprometimento cognitivo leve ou em estágio inicial de Alzheimer, sem tratamento medicamentoso, a prática de exercícios físicos foi associada a melhora dos sintomas cognitivos, em especial a função de memória (Liu et al, 2025; Zhang et al., 2025).  
Conclusão: A partir dos resultados, podemos concluir que, embora a magnitude dos efeitos varie entre os tipos de intervenção, há um consenso de que a prática regular de exercícios físicos, em diferentes modalidades, contribui para a manutenção ou melhora da capacidade/função cognitiva de pessoas idosas, reforçando seu papel como estratégia não farmacológica para a promoção da saúde cognitiva.
Referências:
CHINA, Diego Leandro et al. Envelhecimento Ativo e Fatores Associados. Revista Kairós-Gerontologia, v. 24, n. 29, p. 141–156, abr. 2021.
DING, Liang et al. The regular effects of concurrent aerobic and resistance exercise on global cognition in healthy elderly populations: A systematic review with meta-analysis of randomized trials. Experimental Gerontology, v. 200, p. 112652, fev. 2025. 
JALDIN, Michelle A. et al. Systematic Review and Meta-Analysis of the Effects of Dance on Cognition and Depression in Healthy Older Adults. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 57, n. 3, p. 490–500, mar. 2025.
LI, Aiying et al. Effects of elastic band resistance training on the physical and mental health of elderly individuals: A mixed methods systematic review. PLOS ONE, v. 19, n. 5, p. e0303372, maio 2024.
LIU, Xueqi et al. A meta-analysis of the influence of traditional Chinese exercises on cognitive function in the elderly. Frontiers in Psychology, v. 16, p. 1516197, abr. 2025. 
LU, Huan-Huan et al. Meta-analysis of the effect of exercise intervention on cognitive function in elderly patients with type 2 diabetes mellitus. BMC Geriatrics, v. 24, n. 1, p. 770, 19 set. 2024.
NASCIMENTO, France Willian Ávila do; SANTOS, Andréa Araújo dos. Os benefícios do exercício físico para a saúde do idoso. Revista Multidisciplinar do Sertão, v. 5, n. 4, p. 517–524, out. 2023.
ZHANG, Jinhao et al. Comparative efficacy of exercise interventions for cognitive health in older adults: A network meta-analysis. Experimental Gerontology, v. 206, p. 112768, jul. 2025.