POTENCIAL ANTIBACTERIANO E ANTIOXIDANTE DO Hibiscus sabdariffa: UMA REVISÃO DE LITERATURA   
1ELLEN CRISTINA PEREK, 2DIEGO SANTA CRUZ GOMES, 3ALEXIA PAOLA ULIANA, 4DAVIT WILLIAN BAILO, 5LIDIANE NUNES BARBOSA
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR- PIC
2Acadêmico do Curso de Odontologia da UNIPAR-PIC
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR- PIBIC
4Taxista PROSUP/ CAPES- Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A resistência bacteriana representa um dos maiores desafios da saúde pública global, sendo considerada uma ameaça crescente pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2015). Esse problema não se restringe ao ambiente hospitalar, pois microrganismos resistentes também têm sido identificados em alimentos, elevando o risco de disseminação de cepas multirresistentes (Soeiro; Costa, 2022). Diante disso, cresce o interesse em alternativas naturais, como plantas medicinais, que apresentam compostos bioativos capazes de exercer atividade antimicrobiana e antioxidante (Padilla et al., 2022). Nesse cenário, o Hibiscus sabdariffa L., popularmente conhecido como hibisco, tem se destacado por suas propriedades terapêuticas e pela diversidade de aplicações funcionais (Carvalho et al., 2023).
Objetivo: Avaliar, a partir da literatura científica, o potencial antioxidante e antibacteriano do Hibiscus sabdariffa, destacando suas aplicações práticas e perspectivas em saúde.
Desenvolvimento: Estudos indicam que extratos de Hibiscus sabdariffa apresentam atividade antimicrobiana significativa contra diferentes grupos bacterianos, incluindo Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e Salmonella Enteritidis, evidenciando seu amplo espectro de ação (Falco et al., 2024). Resultados complementares reforçam esse potencial ao demonstrar efeito frente a cepas multirresistentes, como Klebsiella pneumoniae e variantes resistentes de Salmonella, destacando a importância do hibisco no enfrentamento da resistência bacteriana (Soeiro; Costa, 2022). A eficácia antimicrobiana do hibisco está relacionada, sobretudo, à presença de compostos fenólicos, antocianinas e flavonoides, que desempenham papel antioxidante e protetor em sistemas biológicos (Carvalho et al., 2023). Entretanto, essa atividade pode variar de acordo com a cepa bacteriana, as condições de cultivo e os métodos de extração, que influenciam diretamente a composição fitoquímica obtida (Alvarez et al., 2024). Pesquisas mostram que S. aureus é mais sensível ao extrato que E. coli, e que a combinação de extratos pode potencializar a ação antimicrobiana, sugerindo efeito sinérgico relevante (Alvarez et al., 2024). A aplicabilidade do hibisco também foi evidenciada na odontologia, onde o extrato etanólico demonstrou inibição significativa do Streptococcus mutans, microrganismo associado à cárie dentária (Padilla et al., 2022). Nesses estudos, o efeito foi proporcional à concentração e ao tempo de exposição, reforçando a possibilidade de uso como adjuvante em terapias antimicrobianas bucais (Padilla et al., 2022). Na área de alimentos, a incorporação de derivados de hibisco também apresentou resultados promissores. A adição de farinha de suas folhas em hambúrgueres bovinos contribuiu para reduzir a oxidação lipídica, aumentar a estabilidade físico-química e inibir o crescimento microbiano durante o armazenamento refrigerado (Nascimento, 2023). De modo semelhante, formulações alimentícias enriquecidas com hibisco apresentaram maior atividade antioxidante, ampliando sua aplicabilidade como ingrediente funcional (Pereira et al., 2022). Além disso, pesquisas mostraram que o tipo de solvente interfere diretamente no rendimento dos compostos ativos, sendo a extração por Soxhlet com metanol a mais eficiente para obtenção de antocianinas e potencial antioxidante, com possibilidade de incorporação em nanopartículas de gelatina para maior estabilidade e uso industrial (Carvalho et al., 2023). Assim, os resultados disponíveis na literatura confirmam que o Hibiscus sabdariffa possui expressivo potencial antimicrobiano e antioxidante, com aplicabilidade tanto no setor alimentar quanto em áreas clínicas. Sua eficácia frente a microrganismos resistentes, aliada à diversidade de usos e ao baixo perfil de toxicidade, fortalece sua relevância como alternativa natural e sustentável no controle da resistência bacteriana (Falco et al., 2024).
Conclusão: Conclui-se que o Hibiscus sabdariffa apresenta potencial promissor como agente natural antimicrobiano e antioxidante, atuando como recurso estratégico frente à resistência bacteriana em alimentos e microrganismos de importância clínica. A diversidade de aplicações reforça sua viabilidade para a indústria alimentícia e farmacêutica, consolidando-o como alternativa sustentável no enfrentamento de um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea.
Referências:
ALVAREZ, L. et al. Actividad antimicrobiana del extracto de Hibiscus sabdariffa sobre microorganismos contaminantes de alimentos. Ciencia y Tecnología de Alimentos, v. 34, n. 2, p. 21-26, 2024.
CARVALHO, J. A. et al. Estudo da atividade antioxidante de Hibiscus sabdariffa e sua possível aplicação na conservação dos alimentos. Revista Processos Químicos, v. 17, n. 34, p. 119-127, jul./dez. 2023. 
FALCO, A. S. et al. Antimicrobial activity of Hibiscus sabdariffa extracts on foodborne microorganisms. Ciencia y Tecnología de Alimentos, v. 34, n. 2, p. 21-26, 2024.
NASCIMENTO, N. P. Desenvolvimento, estabilidade físico-química e perfil sensorial de produto cárneo com adição de farinha de folhas de vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.) com potencial antioxidante. 2023. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2023.
PADILLA, L. A. et al. Efecto antibacterial in vitro del extracto etanólico de Hibiscus sabdariffa L. sobre Streptococcus mutans. Puno: Instituto Universitario Inudi, 2022. DOI: https://doi.org/10.35622/inudi.b.012.
PEREIRA, N. et al. Avaliação do potencial antioxidante e antimicrobiano do hibisco em alimentos funcionais. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 5, p. 43942-43959, 2022.
SILVA, F. C. S.; COSTA, F. N. Avaliação da atividade antimicrobiana in vitro da fração hidroetanólica de Hibiscus sabdariffa L. frente a cepas bacterianas patogênicas. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, 2022.