CRESCIMENTO DOS ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA POR ACIDENTES DE TRÂNSITO NO BRASIL  
1BARBARA CAROLINE ASSIS DE JESUS, 2ELOISA CORREA, 3MARCELO AUGUSTO ALVES BATAIELO, 4MARIANA TEIXEIRA DA SILVA
1Discente em Enfermagem do Centro Universitário Ingá- UNINGÁ. Maringá, Paraná, Brasil.
2 Discente em Enfermagem do Centro Universitário Ingá- UNINGÁ. Maringá, Paraná, Brasil.
3Discente em Enfermagem do Centro Universitário Ingá- UNINGÁ. Maringá, Paraná, Brasil.
4Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Maringá- UEM. Maringá, Paraná, Brasil.
Introdução: Os acidentes de trânsito representam um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, ocasionando elevado número de vítimas e sobrecarregando os serviços de saúde. Esses eventos resultam não apenas em lesões físicas e óbitos, mas também em impactos socioeconômicos significativos, como afastamento do trabalho, custos com reabilitação e aumento da demanda por recursos hospitalares. A análise do comportamento temporal desses atendimentos é fundamental para compreender padrões sazonais e flutuações anuais, permitindo subsidiar estratégias de prevenção e gestão da rede de saúde. Nesse contexto, torna-se relevante investigar a variação mensal e anual dos atendimentos hospitalares por acidentes de trânsito no país, identificando períodos de maior e menor ocorrência, bem como possíveis influências de fatores externos, como datas comemorativas, condições climáticas e alterações no tráfego.
Objetivo: Analisar a variação mensal e anual dos atendimentos hospitalares por acidentes de trânsito no Brasil,   registrados no Sistema de Internações Hospitalares do SUS.
Material e Métodos: Trata-se de estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários obtidos na plataforma TABNET/DATASUS, módulo Morbidade Hospitalar do SUS, por local de internação. Foram analisados registros de janeiro de 2020 a junho de 2025, organizados em planilha eletrônica para consolidação e análise. A análise incluiu cálculo de frequências absolutas e relativas, flutuação percentual ao longo de meses e anos e reconhecimento de tendências periódicas.
Resultados: Em 2020, o menor número foi registrado em abril, com 2.289 ocorrências (7,41%). A partir daí, houve crescimento constante até novembro, com 3.430 casos (11,10%), encerrando dezembro em queda brusca para 257 (0,83%). No ano de 2021, abril novamente marcou o menor valor, 2.776 (7,58%), com  pico de setembro, 3.311 (9,05%), e fechando o ano com dezembro em 3.010 (8,22%). Em 2022, o menor índice foi registrado em maio, 2.706 (7,59%), seguido de crescimento até a maxima em outubro, 3.110 (8,73%), com queda nos dois últimos meses, em dezembro fechou com 2.914 (8,18%). O ano de 2023 começou com o valor mais baixo da série para meses de janeiro, 2.749 (7,32%), mas seguiu com crescimento quase contínuo até atingir, em outubro, o maior pico absoluto do período: 3.497 (9,32%). Após esse ápice, houve um recuo suave, encerrando dezembro em 3.152 (8,40%). Em 2024, o ponto mínimo foi abril, com 2.904 (7,80%), seguido por elevação até outubro, 3.334 (8,96%), e uma queda acentuada em novembro, 2.808 (7,54%), com leve recuperação em dezembro, 3.068 (8,24%). Já 2025, com dados disponíveis apenas até junho, iniciou com um número relativamente alto em janeiro, 3.223 (17,53%), apresentou oscilações nos meses seguintes e atingiu sua menor marca em junho, 2.650 (14,41%), sem ainda alcançar os patamares mais elevados que tradicionalmente ocorrem no segundo semestre.
Discussão: Os resultados confirmam um padrão nos atendimentos hospitalares por acidentes de trânsito: menor ocorrência no início do ano, atingindo o ponto mínimo — na maioria dos anos — entre o outono e o começo do inverno (abril, maio ou junho), seguido por uma recuperação gradual no segundo semestre, quando se concentram os maiores registros, sobretudo em outubro e novembro. Essa variação está associada a períodos de menor circulação nos primeiros meses e à intensificação do fluxo veicular próximo a feriados prolongados e eventos de fim de ano. Esse comportamento é consistente com estudos prévios, que relacionam o aumento à maior circulação de veículos em férias, feriados e festas. A queda acentuada em abril de 2020 reflete o impacto das restrições da pandemia sobre a mobilidade, enquanto a discrepância observada em dezembro do mesmo ano,com número muito abaixo da média, sugere falhas no registro ou processamento dos dados, mais do que uma mudança real no padrão. O pico de 2023, por sua vez, pode indicar a retomada plena das atividades sociais e econômicas, resultando em maior exposição ao risco. Os feriados nacionais analisados incluem quatro no primeiro semestre e cinco no segundo semestre, que coincidem com períodos de aumento da circulação de veículos e, em conjunto com o aumento do uso de bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas, consequentemente, maior risco de acidentes. Além disso, eventos climáticos como fortes chuvas (principalmente no verão), neblina (outono e inverno) ou calor extremo em determinadas regiões também se mostraram correlacionados com oscilações mensais, evidenciando a influência do clima sobre o trânsito.
Conclusão: O estudo identificou variações periódicas nos atendimentos por acidentes de trânsito, com menores registros no início do ano e maiores no segundo semestre. As oscilações reforçam a influência de fatores externos, como feriados nacionais e eventos climáticos, e destacam a necessidade de aprimorar os sistemas de registro hospitalar, de modo a subsidiar ações de prevenção, planejamento em saúde e políticas públicas mais efetivas, garantindo respostas rápidas e adequadas a períodos críticos de maior risco no trânsito.
Referências:
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SANTOS, A. M. R. dos; RODRIGUES, R. A. P.; DINIZ, M. A. Trauma por acidente de trânsito em pessoas idosas: fatores de risco e consequências. Texto & Contexto - Enfermagem, v. 26, n. 2, e4220015, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0104-07072017004220015. Acesso em: 15 ago. 2025.