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| PRESENÇA DE LINFÓCITOS GRANULARES ASSOCIADOS A PACIENTES SOROREAGENTES PARA ERLIQUIOSE MONOCÍTICA CANINA | |
| 1JOÃO PAULO DE OLIVEIRA SOUZA, 2ÍTALO MORELLI MIACRI SOUZA, 3GABRIELY AMARO DE OLIVEIRA BORGES, 4STHEFANY PRISCILA DA CUNHA, 5ÁGHATA FERREIRA XAVIER DE OLIVEIRA | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da UEM 2Mestrando do Programa em Produção Sustentável e Saúde Animal da Universidade Estadual de Maringá (UEM) 3Residente do Programa de Residência Médico Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM) 4Residente do Programa de Residência Médico Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM) 5Docente do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM) |
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| Introdução: Os linfócitos granulares correspondem a 10% das células mononucleadas do sangue periférico (GHERNATI et al, 2000), assim denominados por apresentarem grânulos de coloração róseo-púrpura e possuírem maior quantidade de citoplasma discretamente corado. Acredita-se que os linfócitos granulares são linfócitos da linhagem T ou Natural Killer (NK), diferente da sua forma reativa, que tem sido associada aos linfócitos B (THRALL et al, 2024). Os linfócitos T desempenham importante função no reconhecimento de antígenos, mediando a resposta imunológica, enquanto as células NK são linfócitos citotóxicos, que possuem função de rápido reconhecimento de vírus e ainda é capaz de realizar a destruição de células cancerígenas (HULLSIEK et al, 2022). Em cães, os linfócitos granulares podem estar presentes em casos de leucemia de linfócitos granulares grandes (LLGL), que pode surgir de uma leucemia linfocítica crônica (LLC) (YALE et al, 2023). Além disso, a sua presença pode ser observada em animais que apresentam doenças infecciosas e inflamatórias, como cães acometidos pela erliquiose monocítica canina (HARRUS; WANER, 2011). Essa doença é causada pela bactéria intracelular obrigatória Ehrlichia canis, transmitida principalmente pelo vetor carrapato Rhipicephalus sanguineus. Uma vez que atinge a corrente sanguínea do animal, passando pelo período de incubação (8 a 20 dias), pode evoluir para a doença em três fases: aguda, subclínica e crônica. A fase aguda é marcada pela anorexia, anemia, apatia, perda de peso, febre, trombocitopenia, sangramentos espontâneos, entre outros. Já a fase subclínica ou assintomática, o animal aparenta estar hígido por meses ou até anos. Em seguida, o animal que evolui para a fase crônica pode apresentar hipoplasia de medula óssea, sangramento e evoluir para o óbito (RIBEIRO et al, 2024). Objetivo: Realizar um estudo retrospectivo acerca da presença de linfócitos granulares associados à cães soropositivos para erliquiose monocítica canina, considerando os animais atendidos no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Estadual de Maringá (HV-UEM). Material e métodos: Foram reunidos e analisados os hemogramas de 48 cães realizados no ano de 2025, nos quais indicavam a presença de linfócitos reativos granulares a partir da avaliação do esfregaço sanguíneo. Com isso, realizou-se uma relação da presença desta alteração leucocitária ao diagnóstico sorológicode erliquiose canina a partir do teste rápido imunocromatográfico para detecção qualitativa de anticorpo IgG contra Ehrlichia canis, em associação à presença de sinais clínicos e epidemiológicos compatíveis com a doença. Resultados: Dos 48 hemogramas dos cães observados que constaram de discreta à intensa presença de linfócitos granulares, 37 (77,08%) eram soropositivos para erliquiose monocítica canina. Os outros 11 (22,92%) animais foram diagnosticados com fraturas, infecções oculares, miíase, otite, traumas com laceração, neoplasia e cardiomegalia. Discussão: Os linfócitos granulares são observados com maior frequência em casos de leucemia linfocítica crônica, uma patologia considerada rara em cães. Essa neoplasia de origem dos linfócitos T CD8+, o padrão observado é tamanho celular médio a grande, com núcleo de cromatina condensado e abundante citoplasma, apresentando grânulos azurolofílicos em concentração variada (LENCE, 2024). Contudo, nos casos observados no presente estudo, nenhum animal apresentou leucemia linfocítica crônica, sendo a erliquiose monocítica canina o diagnóstico mais comumente observado (77,08%) em cães com presença de linfócitos granulares no hemograma. Essa hemoparasitose geralmente ocasiona alterações hematológicas, como anemia e trombocitopenia, podendo evoluir para hipoplasia medular em casos crônicos, com alto risco de hemorragia e óbito (RIBEIRO et al, 2024). A alteração leucocitária observada com maior frequência nos casos de erliquiose são monócitos reativos, além de alterações como eritrofagocitose, trombofagocitose, macroplaquetas, entre outros. A presença de linfócitos granulares, observada neste estudo, é um achado que se alinha com o resultado do teste sorológico de IgG para E. canis, que sugere infecção crônica. Isso corrobora os relatos de Harrus e Waner (2011), que descreveram a presença dessas células no estágio crônico da doença. Conclusão: A presença de linfócitos granulares, observada com frequência nos casos de erliquiose monocítica canina no HV-UEM, sugere que este pode ser um achado relevante. Desse modo, a sua detecção, quando interpretada em conjunto com a avaliação clínica, o histórico e outros exames complementares, pode auxiliar no diagnóstico da erliquiose canina. |
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| Referências: GHERNATI, I.; CORBIN, A.; CHABANNE, L.; AUGER, C.; MAGNOL, J. P.; FOURNEL, C.; MONIER J. C.; DARLIX J. L.; RIGAL, D. Canine large granular lymphocyte leukemia and its derived cell line produce infectious retroviral particles. Veterinary pathology, v. 37, n. 4, p. 310-317, 2000. HARRUS, S.; WANER, T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): an overview. The Veterinary Journal, v. 187, n. 3, p. 292-296, 2011. HULLSIEK, R.; LI, Y.; SNYDER, K. M.; WANG, S.; DI, D.; BORGATTI, A.; LEE, C.; MOORE, P. F.; ZHU, C.; FATTORI, C.; MODIANO, J. F.; WU, J.; WALCHECK, B. Examination of IgG Fc receptor CD16A and CD64 expression by canine leukocytes and their ADCC activity in engineered NK cells. Frontiers in immunology, v. 13, p. 841859, 2022. LENCE, I. W. M. Semelhanças e diferenças morfológicas e fenotípicas da medula óssea, sangue e linfonodo do linfoma de zona T e leucemia linfocítica crônica de células granulares grandes, ambos CD3-CD8+: relato de dois casos. Trabalho de Conclusão de Residência, Belo Horizonte - MG 2024. RIBEIRO, B. S. A.; DUARTE, R. B.; SILVA, Z. M. D. A.; GOMES, A. P. C.; SILVA, Y. A.; SILVA, L. F.; ROCHA, A. C. S.; MORAES I. S.; SATURNINO K. C.; RAMOS D. G. S.; TAQUES I. I. G. G.; BRAGA, Í. A. Ehrlichia canis Vaccine Development: Challenges and Advances. Veterinary Sciences, v. 11, n. 12, p. 624, 2024. THRALL, M. A.; WEISER, G.; ALLISON, R. W. Hematologia e Bioquimica Clinica Veterinaria. Rio de Janeiro: Roca, 2024. YALE, A. D.; CRAWFORD, A. L.; GRAMER, I.; GUILLÉN, A.; DESMAS, I.; HOLMES, E. J. Large granular lymphocyte lymphoma in 65 dogs (2005–2023). Veterinary and Comparative Oncology, v. 22, n. 1, p. 115-124, 2024. |
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