ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA COMUNICAÇÃO COM FAMILIARES DE PACIENTES SUBMETIDOS A CUIDADOS PALIATIVOS  
1CRISTIANE SOARES DO NASCIMENTO SILVA, 2GABRIEL RIBEIRO DA SILVA, 3WESLEY DA SILVA DE OLIVEIRA, 4GABRIELA FAVERO ESPOLADOR
1academico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos reconhecem a morte como processo natural, não antecipam nem adiam o morrer e buscam promover qualidade de vida com suporte integral ao paciente e à família. Ao ser diagnosticado com uma doença incurável e enfrentar a ameaça ou a concretização de perdas inevitáveis, o paciente e seus familiares atravessam um período de crise, vivenciando diversas fases ou estados psicológicos. Nessas circunstâncias, vínculos, orientação e escuta qualificada são determinantes (Borges et al., 2014).A enfermagem paliativa exige que o enfermeiro forneça uma assistência sistematizada, individualizada e humanizada, por meio de um planejamento cuidadoso que promova a maior autonomia possível ao paciente em relação à sua doença e ao processo de finitude (Silva et al., 2011). Além disso, é necessário que o enfermeiro possua sensibilidade e habilidades para se comunicar eficazmente com o paciente e seus familiares, reconhecendo-os como uma unidade de cuidado essencial. (Andrade et al., 2022). De acordo com Ribeiro (2025), comunicação interpessoal é uma troca orientada à compreensão mútua; na prática, requer linguagem clara e códigos partilhados. Para que essa comunicação seja eficaz, é fundamental o uso de um sistema comum de sinais e símbolos que permita a compreensão mútua (Almeida et al., 2015). O trabalho em equipe, a formação contínua dos enfermeiros e a implementação de abordagens cuidadosas, focadas na escuta ativa e na comunicação assertiva, são elementos-chave para diminuir o sofrimento do paciente e de seus familiares. Isso resulta em um atendimento de alto nível, no qual a clareza na fala, o olhar empático, o toque acolhedor e a escuta atenta desempenham papéis fundamentais. (Soares et al., 2024).
Objetivo: Analisar a atuação do enfermeiro na comunicação com familiares em cuidados paliativos e a contribuição de estratégias de comunicação assertiva para a qualidade do cuidado. Desenvolvimento: A revisão bibliográfica foi realizada com bases de dados online no Google Acadêmico e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), em busca avançada utilizaram-se as palavras-chave: Cuidados Paliativos; Assistência de Enfermagem em Cuidados Paliativos; Enfermagem; Comunicação; Comunicação Assertiva; Paciente; Efeito; Família. A demanda por Cuidados Paliativos (CP) no Brasil tem crescido significativamente, com uma estimativa de aproximadamente 625 mil indivíduos em CP em 2023, conforme dados mais recentes (Brasil, 2024). Este cenário reflete a necessidade crescente de uma abordagem de saúde que vá além da cura, focando no alívio do sofrimento e no cuidado integral ao paciente, especialmente em situações de fim de vida. Em meio a essa realidade, destaca-se a atuação da equipe multiprofissional (médicos, equipe de enfermagem, psicologia e serviço social) (Hermes et al.,2013). Uma forma de proporcionar uma assistência de alto nível, que respeite a autonomia, os sentimentos e as necessidades emocionais de todos os envolvidos, a enfermagem enfatiza a formação contínua com o objetivo de melhoria da comunicação com pacientes e familiares. (Soares et al., 2024). É imprescindível que os profissionais de saúde saibam lidar com as diversas reações emocionais dos pacientes e de seus familiares, muitos dos quais podem se sentir sobrecarregados, ansiosos ou em negação sobre a situação de saúde (Almeida et al., 2015). De acordo com Combinato (2006), restaurar a harmonia entre corpo e mente do paciente, quando há negação ou desconforto emocional, é fundamental para o processo de aceitação da morte. Sanderson et al. (2017) afirmam que, embora o sofrimento seja um componente comum nesses encontros, o apoio adequado de profissionais habilidosos pode transformar essas reuniões em momentos de maior compreensão e acolhimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos não antecipam nem postergam a morte, mas oferecem ao paciente e seus familiares atenção e suporte contínuos durante o processo de morrer. A comunicação assertiva e clara entre a equipe de enfermagem e os familiares é um dos principais componentes dessa assistência, promovendo confiança, conforto, dignidade e respeito durante o processo de terminalidade.
Conclusão: A Enfermagem Paliativa é essencial para o cuidado de pacientes sem possibilidade de cura, e a comunicação assertiva desempenha papel central nesse processo. A confiança entre enfermeiro, paciente e familiares é construída por meio de uma comunicação clara e empática, que alivia o sofrimento e fortalece a relação terapêutica. O suporte institucional e a formação contínua dos profissionais são fundamentais para garantir que a comunicação seja sempre feita de forma acolhedora e respeitosa. Dessa forma, a enfermagem paliativa, aliada a uma comunicação assertiva, proporciona aos pacientes e seus familiares um cuidado mais humano e digno, promovendo conforto e dignidade no fim da vida.
Referências:
ALMEIDA, K.L.S. et al. O uso de estratégias de comunicação em cuidados paliativos no Brasil: revisão integrativa. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v.20, n.4, p.826–832, dez.2015. Disponível em: https://doi.org/10.5380/ce.v20i4.39509. Acesso em: set. 2025.
ANDRADE, C.G., et al. Cuidados paliativos e comunicação: uma reflexão à luz da teoria do final de vida pacífico. Cogitare Enferm. 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v27i0.80917. Acesso em: jul. 2025.
COMBINATO, D.S.; QUEIROZ, M.S.; Morte: uma visão psicossocial. Estudos de Psicologia 2006, pp. p-209-216. Disponível em:https://www.scielo.br/j/epsic/a/PfSWjx6JP7NQBWhcMBXmnyq/?format=html&lang=pt. Acesso em: set. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde lança Política Nacional de Cuidados Paliativos. 2024. Disponível em:https://bvsms.saude.gov.br/ministerio-da-saude-lanca-politica-nacional-de-cuidados-paliativos/#:~:text=Estima%2Dse%20que%20em%20todo,cr%C3%B4nicas%20ou%20em%20est%C3%A1gio%20avan%C3%A7ado. Acesso em: ago. 2025.
BORGES, M. M.; JUNIOR, R. S.; A Comunicação na Transição para os Cuidados Paliativos: Artigo de Revisão. Rev. Bras. Ed. Med., v.38, n.2, jun. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-55022014000200015.
HERMES, H.R.; LAMARCA, I.C.A. Cuidados paliativos: uma abordagem a partir das categorias profissionais de saúde. Ciênc. saúde coletiva 18(9) 2013. Disponível em: https:/www.scielo.br/j/csc/a/6RByxM8wLfBBVXhYmPY7RRB/?lang=pt. Acesso em: Set 2025.
SILVA, M.M.; MOREIRA, M.C. Sistematização da assistência de enfermagem em cuidados paliativos na oncologia: visão dos enfermeiros. Acta Paul. enferm. 2011. Disponível em: https:/www.scielo.br/j/ape/a/yZdFkGWtdHzDXKRVKXbx5Fk/?format=html&lang=pt. Acesso em set. 2025.
SOARES, S. et al. Contributos das intervenções dos enfermeiros na comunicação em cuidados paliativos. Revista de Investigação & Inovação em Saúde, v.7, n.1, p.1–15, 2024. Disponível em: https:/riis.essnortecvp.pt/index.php/RIIS/article/view/303. Acesso em: ago. 2025.