![]() | |
|---|---|
![]() | |
| A INFLUÊNCIA DO BEM-ESTAR NA PRODUÇÃO DE VACAS LEITEIRAS | |
| 1ANA GABRIELA SANTIAGO, 2BEATRIZ EVELYN DOS SANTOS EDUARDO, 3MAURO HENRIQUE BUENO DE CAMARGO | |
| 1Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR. 2Discente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR. 3Docente do Departamento de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá - Campus Umuarama, PR. |
|
| Introdução: Diante do crescimento constante da população mundial, a demanda alimentar também aumenta, trazendo consigo uma necessidade maior de aprimoramento da cadeia produtiva (Santos, 2020). O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, totalizando 35,37 bilhões de litros em 2023 (IBGE, 2025). Sabe-se que o bem-estar animal possui impacto direto nos aspectos físicos e psicológicos do animal, bem como na sua qualidade de vida, sendo de extrema importância na criação leiteira, tornando-se fundamental para uma maior produtividade (Almeida, Proença, 2024). Objetivo: Este trabalho tem como objetivo apresentar a importância do bem-estar na criação de vacas leiteiras, a partir da instalação de sistemas de criação intensivo que ofereçam um ambiente confortável aos animais e com a adoção de enriquecimento ambiental. Desenvolvimento: O bem-estar animal vai muito além do aporte nutricional e ambiental, é também sinônimo de saúde, estado mental e comportamental dos bovinos, sendo possível agregar um valor ético ao leite (Costa e Ceballos, 2021). É sabido que o conjunto de cinco liberdades intituladas por John Webster, as quais englobam: livre de sede, fome e desnutrição; livre de dor, injúrias e doenças; livre de desconforto; livre para expressar o comportamento natural da espécie; e livre de estresse e medo, possui influência direta na qualidade e sanidade do leite. Para que seja possível atender esse conjunto é necessário prezar pela escolha adequada das raças utilizadas na propriedade, visto que, existem algumas que possuem maior facilidade de adaptação ao clima brasileiro (Santos, 2022). Paralelo a isso, é fundamental entender seu comportamento natural e reprodutivo (Almeida, Proença, 2024). A criação de bovinos leiteiros, pode ser associada ao sistema intensivo, o qual consiste na permanência dos animais em confinamento por longos períodos, podendo prejudicar seu bem-estar (Santos, 2020). Sabe-se que o estresse térmico é um dos principais fatores de impacto negativo na produção de vacas leiteiras, principalmente no Brasil, que é um país de clima predominantemente tropical, gerando perdas produtivas em larga escala, visto que causa redução no consumo de alimentos e aumento na ingestão de água, diminuindo a produção leiteira e alterando sua composição, uma vez que o animal não consegue manter sua temperatura corporal e há gasto energético para sua regulação (Ribeiro, 2024). Diante o clima de calor intenso do Brasil, um dos maiores problemas enfrentados pelos produtores é o microclima e a temperatura elevada das instalações de criação leiteira, os quais podem ser resolvidos a partir da instalação de melhorias, independente do sistema de criação, seja ele de baixo, ou alto nível produtivo, como: inserção de árvores ao redor do local, instalação de materiais de cobertura, ventiladores, aspersores e nebulizadores (Pinheiro, 2021). Para propriedades maiores, em que as vacas que produzam em média 20 a 25 litros/dia, existe o sistema Compost barn, o qual contribui no controle de dejetos e permite que os animais caminhem livremente pelo galpão, promovendo o bem-estar animal, resultando em maior produtividade, vitalidade e facilidade no manejo (Ribeiro, 2024). O sistema Compost barn é definido como um galpão forrado com serragem, esterco e maravalha, mostrando-se como um “galpão de compostagem”, proporcionando às vacas um local seco de descanso durante o ano todo (Santos et al., 2024). O manejo da cama do sistema é baseado no correto revolvimento, que consiste em ventilar a cama duas vezes ao dia, numa profundidade de aproximadamente 30cm. Para que os resíduos sejam incorporados e os microrganismos continuem seu processo aeróbico, é necessário manter a temperatura interior da cama entre 54°C a 65°C e sua umidade entre 40% e 60%, sendo necessário renová-la a cada duas a cinco semanas. Além da cama, a ventilação com ventos entorno de 3m/s e aspersão durante 30 segundos, seguida de 4,5 minutos de vento, são de extrema importância em lugares quentes, a fim de minimizar o estresse térmico e auxiliar na qualidade da cama. Paralelo a isso, o manejo nutricional e a ingestão hídrica são cruciais para garantir uma boa produção leiteira (Ribeiro, 2024). Para complementar o bem-estar dessas vacas, existem várias formas de enriquecimento ambiental que podem ser incluídas na propriedade, a fim de reduzir o estresse e auxiliar na demonstração do comportamento natural da espécie, tais como: bolas coloridas, pneus pendurados, escovas rotativas, músicas, entre outros (Pinheiro, 2021). Conclusão: O bem-estar das vacas leiteiras depende da oferta de um ambiente adequado e que respeite as exigências naturais da espécie, bem como a adoção de práticas direcionadas a redução de estresse e a promoção de conforto térmico. Visando alcançar tais objetivos na criação, a utilização de sistemas intensivos adaptados ao clima regional, tal qual o Compost barn, aliado ao enriquecimento ambiental, são de extrema importância para garantir boas condições de criação. Assim, investir no bem-estar de vacas leiteiras é muito relevante para a sustentabilidade e melhora da qualidade do leite. |
|
| Referências: ALMEIDA, Á. A. R. de; PROENÇA, E. M. A influência da saúde e bem estar na produtividade de bovinos leiteiros. 2024. Monografia (Curso técnico em Zootecnia) – Escola Técnica Prof. Edison Galvão, Itapetininga, 2024. COSTA, M. P da; CEBALLOS, M. C. Benefícios econômicos e sociais relacionados à promoção do bem-estar de bovinos leiteiros e de corte. Revista Facultad Nacional de Agronomía. v. 74, n. 1, p. 20, 2021. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mapa – Leite – Valor da produção (mil reais). IBGE, 2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/leite/br. PINHEIRO, G. F. Importância de promover o bem-estar animal na produção de bovinos leiteiros. 2021. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, 2021. RIBEIRO, L. C. O sistema de produção de vacas leiteiras em Compost Barn e seu reflexo no bem-estar. 2024. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2024. SANTOS, A. S dos. Avaliação do bem-estar de vacas leiteiras criadas em sistema intensivo submetidas a enriquecimento ambiental com música. 2020. Dissertação – Universidade Federal da Fronteira Sul, 2020. SANTOS, F. F. dos; et al. Bem estar e comportamento animal em vacas leiteiras no sistema Compost Barn. Revista Novos Desafios, Santa Catarina, v. 4, n. 1, p. 67, 2024. SANTOS, M. P. P. Fatores que influenciam na qualidade do leite. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2022. |
|